Passagem livre

Publicado em: 31.agosto.2016

Por: Acessibilidade na Prática

Certo dia, passei numa loja de roupas aqui de Campo Grande (MS) para efetuar a troca de um presente que havia ganhado de aniversário. Chegando lá, observei que o estacionamento da loja era sobre parte da calçada, então estacionei o carro na diagonal para que o mesmo não ficasse muito próximo do piso tátil.

Ao entrar na loja, a vendedora que me recebeu logo pediu para que eu “endireitasse” o carro, pois ali caberiam quatro veículos. Tentei explicar a ela que meu carro ficaria muito próximo do piso tátil, mas acabei cedendo à sua insistência e avancei com o carro o máximo para frente.

Quando entrei novamente na loja, outra cliente chegou e estacionou seu carro ao lado do meu, porém muito próximo do piso tátil. A vendedora pediu à cliente que estacionasse mais para frente, evitando assim o bloqueio do piso tátil, mas a resposta da “consciente” motorista foi a seguinte: “não vou demorar”.

No final das contas, a outra motorista ainda estava na loja quando saí.

Esse tipo de situação – que prejudica ou até impede a passagem das pessoas – infelizmente é bastante comum no cotidiano de muitos pedestres Brasil afora. Mau comportamento no trânsito, falta de estacionamentos, falta de planejamento urbano e execução de projetos mal elaborados são apenas algumas das causas dos grandes problemas de mobilidade enfrentados por quem circula à pé pelas cidades.

Neste post, utilizaremos a situação vivenciada por mim na loja de roupas para falar sobre a distância entre os objetos e o piso tátil, com base na norma técnica sobre piso tátil, a NBR 16537/2016.


pisoEsta é a calçada da loja. O revestimento da calçada não é o adequado, já que a pedra Miracema é irregular e causa trepidação, ou seja, mais um empecilho aos pedestres.

Meu carro é o branco, na parte esquerda-inferior da foto. O carro azul, ao lado do meu e mais superior na foto, é o da motorista que chegou depois de mim e se negou a estacionar mais para frente, mesmo comigo e a vendedora afirmando que seria falta de consciência da parte dela.


piso

pisoPor esta imagem, podemos ver o espaço que a motorista do carro azul desperdiçou. Se ela estacionasse um pouco mais para frente, livraria consideravelmente a passagem da calçada.




objetos

A NBR 16537/2016 estipula que deve haver pelo menos 1,00 m de distância entre a sinalização tátil de direcionamento e as paredes, os pilares ou outros objetos, contando-se 1,00 m desde a borda da sinalização tátil, como ilustrado na figura acima.

A norma ainda diz que, nos casos de adequação de calçadas ou edificações existentes, podem ser admitidas distâncias menores do que 1,00 m, desde que os obstáculos sejam detectáveis pelas bengalas de rastreamento ou sinalizados com sinalização tátil de alerta.

Resumindo, tem que haver espaço! E no caso de calçadas, a faixa livre de pedestres tem que ser conservada.

Se avaliarmos a partir da norma técnica sobre piso tátil, eu também estava errada, pois não havia 1,00 m de distância entre o meu carro e a borda do piso tátil direcional, mas sim 0,60 m, contemplando apenas as antigas diretrizes da NBR 9050 sobre este quesito.

Nos próximos posts, tentaremos ilustrar outras novidades da nova norma técnica sobre piso tátil, que são várias e muito interessantes!

Até a próxima!


Maria Alice Furrer

Colaboração: Frederico Rios

Fotos: 19/08/2016



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