Motéis acessíveis

Publicado em: 20.maio.2013

Por: Acessibilidade na Prática

Já abordamos várias vezes aqui no blog alguns aspectos da acessibilidade em hotéis. Neste post, falaremos um pouco sobre motéis acessíveis. Sim, as especificações da NBR 9050/2004 também servem para estes locais, porém poucos estabelecimentos obedecem tais critérios.

Aqui em Campo Grande (MS) não há nenhuma suíte acessível. Para colher essa informação, telefonei para mais de 20 motéis da cidade e perguntei se havia algum “quarto acessível”. Em algumas ligações, ouvi a seguinte resposta: “Acessível? Ah sim, para cadeirantes…”. Quando oportuno, aproveitei os telefonemas para explicar que acessibilidade não era apenas para cadeirantes, mas essa “falta de informação” não justifica o fato de não haver acessibilidade nos motéis da cidade.

sexo cadeirante desenho

Imagem: Sensações de uma Cadeirante


Além da estrutura física do quarto, outros pontos também devem ser levados em consideração, como tamanho da garagem, sanitário, banheira de hidromassagem, chuveiro, piscina, sinalização (cardápio, informações no geral), altura de mesas, entre outros. Todos esses pontos possuem parâmetros descritos na norma técnica, prontos para serem aplicados!

Aproveitemos então para comentar sobre a circulação interna de um quarto acessível. De acordo com a norma técnica, pelo menos 5% dos quartos devem ser acessíveis (com no mínimo 1 do total de dormitórios com sanitário). Esses dormitórios não devem estar isolados dos demais, e sim distribuídos em toda a edificação, por todos os níveis de serviços, além de estar localizados em rota acessível. Recomenda-se também que outros 10% do total de dormitórios sejam adaptáveis para acessibilidade.

dormitorio print nbr 9050 2004
A figura acima, extraída da NBR 9050/2004, mostra as dimensões mínimas de circulação que um dormitório deve possuir.

As dimensões do mobiliário dos dormitórios acessíveis devem atender às condições de alcance manual e visual, e ser dispostos de forma a não obstruírem uma faixa livre mínima de circulação interna de 0,90 m de largura, prevendo área de manobras para o acesso ao sanitário, camas e armários.

Os armários devem ser acessíveis, assim como os outros mobiliários dispostos no quarto, como balcões por exemplo.

Deve haver pelo menos uma área com diâmetro de no mínimo 1,50 m que possibilite um giro de 360°. A altura das camas deve ser de 0,46 m, facilitando assim a transferência da cadeira de rodas, bem como o levantar e sentar de pessoas com mobilidade reduzida.

Quando houver telefones, interfones ou similares, estes devem ser providos de sinal luminoso e controle de volume de som. Apesar de não ser citado na norma, devemos lembrar dos surdos oralizados, os quais são melhor atendidos por meio de chats e mensagens de texto, por exemplo.

Os dispositivos de sinalização e alarme de emergência devem alertar as pessoas com deficiência visual e as pessoas com deficiência auditiva, e no sanitário deve haver dispositivo de chamada para casos de emergência. Esses dispositivos zelam pela segurança de “todas” as pessoas.

Enfim, as normas existem e, para cumpri-las, não é necessário fugir do ‘tema’ do motel, pois acessibilidade é um item básico e não um tema decorativo. Com informação e criatividade, é possível tornar uma suíte acessível e aconchegante.


Maria Alice Furrer



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