Estacionamentos irregulares

Publicado em: 10.junho.2015

Por: Acessibilidade na Prática

Nos últimos anos, principalmente nas grandes cidades, o número de veículos circulando pelas ruas cresceu consideravelmente. Essa grande quantidade de carros e motos no trânsito agravou antigos problemas como aumento do número de acidentes e de congestionamentos. Tudo isso, somado à falta de planejamento urbano das nossas cidades, também agravou outro problema: a falta de estacionamento.

Nesse contexto, é comum observarmos Brasil afora diversos estabelecimentos comerciais utilizando suas calçadas como estacionamento para seus clientes. Em Campo Grande (MS) não é diferente. Basta darmos uma volta pela cidade para verificar vários estacionamentos que atrapalham a circulação dos pedestres, pois na grande maioria dos casos, os proprietários dos estabelecimentos desconhecem (ou fingem desconhecer) a maneira correta de se utilizar a “calçada” como estacionamento, mais conhecido como acomodação transversal de veículos.

 
Por outro lado, motoristas apressados, desrespeitosos e sem consciência têm o péssimo hábito de estacionar seus carros em qualquer lugar. Nesse caso, a culpa está muito longe de ser dos comerciantes.

Conheçamos abaixo alguns locais que priorizam apenas seus clientes “motorizados” ou que são frequentados por motoristas bastante mal educados.


IMG_1184 editEste estacionamento é do Eskina do Frango, localizado na Rua Rodolfo José Pinho esquina com a Rua Sebastião Lima. Os veículos estacionados na frente da entrada principal do prédio (voltada para a Rua Rodolfo José Pinho) invadem a faixa livre da calçada e, consequentemente, o piso tátil, atrapalhando a passagem de pessoas com ou sem dificuldade de locomoção. Se os motoristas estacionassem seus carros mais próximos ao prédio, talvez a passagem não fosse prejudicada, mas não é isso que acontece na prática. (Foto: 09/06/2015)



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IMG_1231 editAs três fotos acima são do estacionamento da Academia FORMAE, localizada na Rua Paraíba 1681, esquina com a Rua São Paulo, na Vila Gomes. A maior parte da área do estacionamento fica voltada para a Rua Paraíba, onde a calçada é adequada (com rebaixamentos de guia, piso tátil e revestimento regular, firme e estável) e a faixa de circulação de pedestres é respeitada pelo estabelecimento. Já no estacionamento voltado para a Rua São Paulo, onde, inclusive, as vagas são demarcadas com tinta amarela, os veículos ficam estacionados sobre a faixa livre da calçada e o piso tátil. (Foto 1: Google Street View, agosto de 2011; Fotos 2 e 3: Maria Alice Furrer, 08/06/2015)



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IMG_1192 editEste é um “freguês” antigo aqui do blog, já registrado em vários flagrantes pelos nossos leitores. É o estacionamento da Drogaria São Bento (primeira foto) da Rua Bahia esquina com a Avenida Mato Grosso. A segunda imagem mostra o estacionamento da Loja Dermage, que fica ao lado da drogaria, na Rua Bahia. Nos dois estabelecimentos, os espaços destinados ao estacionamento não é suficiente para acomodar os veículos, que geralmente ficam estacionados sobre a faixa livre da calçada e o piso tátil. Notem que o “estacionamento” da drogaria possui até cobertura! (Fotos: Maria Alice Furrer, 09/06/2015)


IMG_1198 editO estacionamento da Escola Espaço Livre, localizada na Rua Rio Grande do Sul 370, é um dos raros exemplos que respeitam o espaço de circulação de pedestres, apesar da calçada possuir revestimento trepidante. Entretanto, muitos pais de alunos param sobre a calçada para deixar ou apanhar seus filhos, atrapalhando a circulação das pessoas pelo local. (Foto: Maria Alice Furrer, 09/06/2015)


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IMG_1214 editEste espaço fica na frente do King’s Cabeleireiros, situado na Rua Chaad Scaff 539, esquina com a Rua Itupava, no Itanhangá Park. Podemos notar que a calçada na frente do prédio é bastante ampla, permitindo que se utilize parte dessa área como estacionamento. No entanto, curiosamente, os clientes estacionam seus carros de forma “invertida”: bloqueiam a passagem dos pedestres (próxima ao meio fio) e deixam livre a área mais próxima do estabelecimento. Estranho, não? (Fotos: Maria Alice Furrer, 10/06/2015)


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IMG_1232(1) editEsta é a fachada da tradicional Panificadora Monte Líbano, que fica na Rua Coronel Sebastião de Lima 848, esquina com a Rua do Catete, no Jardim Monte Líbano. A calçada da frente da padaria é utilizada como estacionamento, havendo, inclusive, demarcação das vagas com tinta amarela. No entanto, o espaço é insuficiente para abrigar os carros e as árvores presentes no local, impedindo a passagem das pessoas que caminham pela região. (Fotos: Maria Alice Furrer, 10/06/2015)


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FullSizeRender[1] editEstacionamento do Big Beef, localizado na Rua Joaquim Murtinho 1260, esquina com a Rua Chaad Scaff, no Itanhangá Park. Este é outro exemplo de estacionamento onde os veículos invadem a faixa livre da calçada e o piso tátil. Neste caso, há demarcação das vagas no chão e proteções para que os veículos não avancem sobre a parede do prédio, demonstrando a intenção do proprietário em fazer um estacionamento no local. Entretanto, existem placas de “proibido estacionar neste local – sujeito a multa” em uma parte mais estreita da calçada voltada para a Rua Joaquim Murtinho, onde não há espaço suficiente para estacionar um veículo transversalmente. Nas outras partes da calçada, especialmente na Rua Chaad Scaff, é possível estacionar sem obstruir “totalmente” a faixa livre, onde há placas de “proibido estacionar – exclusivo para clientes Big Beef – sujeito a guincho“, mas muitos motoristas não repeitam os limites das vagas. Em todo o estacionamento, apenas quatro vagas voltadas para a Rua Joaquim Murtinho não prejudicam a passagem dos pedestres, sendo uma delas reservada para pessoas com deficiência. (Fotos: Maria Alice Furrer, 10/06/2015)


IMG_1417Estacionamento da Casa & Coisa, localizada na Rua Amazonas esquina com a Rua Dr. Arthur Jorge. As vagas são sinalizadas e o piso da calçada é regular, porém o espaço demarcado para cada vaga não comporta um veículo pequeno. Outro agravante é a presença de uma árvore de grande porte margeando o meio fio, atrapalhando a passagem de pedestres. Além disso, raramente os motoristas estacionam de forma correta na frente do estabelecimento, causando tumulto e atrapalhando a circulação de pessoas. Se por acaso todos os fatores mencionados fossem solucionados, provavelmente ainda não sobrariam os 2,00 m necessários para uma calçada “normal” (1,50 m para a faixa de circulação de pedestres + 0,50 m para a faixa de serviço), mas já melhoraria consideravelmente a situação de quem precisa passar a pé pelo local. (Foto: Maria Alice Furrer, 27/06/2015)


IMG_1274 editEstacionamento da Casa das Cores, localizada na Rua Ceará esquina com a Rua Eduardo Santos Pereira. As vagas são demarcadas com tinta amarela no chão e há espaço suficiente para a acomodação de veículos nessas vagas, com exceção da vaga mais próxima da esquina, ocupada pelo carro prata, a qual invade a faixa de circulação dos pedestres. Além disso, é comum observarmos os clientes da loja estacionando mal seus veículos ou mesmo estacionando fora das áreas demarcadas, inclusive paralelamente à rua, o que atrapalha a passagem das pessoas a pé. (Foto: Maria Alice Furrer, 30/06/2015)


IMG_2468 editEstacionamento da Fornello Pães & Conveniências, situada na Rua Dr. Arthur Jorge 2212, esquina com a Rua Louis Braille. Os clientes costumam estacionar nas calçadas das duas ruas desse estabelecimento, obstruindo o piso tátil e praticamente toda a calçada. Na imagem acima, que mostra alguns carros estacionados na calçada voltada para a Rua Dr. Arthur Jorge, a única área disponível para a circulação de pedestres é revestida por “pisograma”, o qual possui superfície bastante irregular, impedindo a passagem principalmente de usuários de bengalas, muletas e cadeiras de rodas. (Foto: Maria Alice Furrer, 01/09/2015)


Se na sua cidade você também convive com uma “calçada-estacionamento” que atrapalha sua vida, envie uma foto para [email protected] com o nome do estabelecimento, endereço, cidade e uma breve descrição da situação do local. Não esqueça também de se identificar, pois não postamos conteúdo anônimo aqui no blog. Sempre que recebermos novas denúncias, nós atualizaremos este post.

Até a próxima!


Frederico Rios

Post atualizado em 09/07/2015



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