Deficiência e Mídia na Inclusão Social

Publicado em: 18.dezembro.2011

Por: Acessibilidade na Prática

Este texto é uma síntese de um trabalho de conclusão de curso de Comunicação Social da UFJF, voltado para a ótica do Jornalismo sobre o tema "deficiência".

A deficiência está galgando passos lentos, mas importantes e inovadores a caminho da inclusão social e da igualdade de direitos. Por muito tempo as pessoas com deficiência se mantiveram dentro de suas casas, com medo de encarar um mundo que a princípio se mostrava intimidador. O que não deixa de ser verdade. Ainda que queiram participar ativa e produtivamente das atividades sociais diárias, se esbarram em posturas preguiçosas, obstáculos físicos e ideológicos e constante distanciamento social promovido [não propositalmente] pela mídia. 
 
A construção de aspectos ideológicos e a ratificação de valores da sociedade acontecem de forma muito eficaz através dos meios de comunicação de massa. As novelas são muitas vezes responsáveis por ditar modismos, enquanto o jornalismo determina aquilo que será debatido no cotidiano. Mesmo que passíveis de relativização, essas teorias exprimem de maneira geral a influência que a mídia exerce sobre seus espectadores. Os meios de comunicação vendem o conteúdo que seu público pede, em contrapartida o público determina o que é importante para ser noticiado. Mas onde a deficiência entra nessa história?
 
O distanciamento de causas sociais, em especial da deficiência, é fruto de uma postura indiferente de ambas as partes. Por muito tempo, as pessoas com deficiência estiveram paradas esperando que alguém fizesse alguma coisa por elas. Foram convencidas pela sociedade de que não poderiam participar ativamente do convívio social e assim permaneceram. É exatamente por essa postura passiva, munida de um preconceito histórico da sociedade, que o tema muitas vezes não ganha a significância merecida dos meios de comunicação. 
 
Atualmente, a relação que envolve mídia e sociedade está permeada de sentimentalismo e imprecisões. A maioria das abordagens feitas sobre o tema tende a retratar a pessoa com deficiência apenas como alguém que tem dificuldades e não como um cidadão comum. O personagem, tanto no jornalismo como na telenovela, por exemplo, são definidos apenas por suas limitações. Assim, mesmo que retratados nos meios de comunicação, essas abordagens tendem a perpetuar conceitos errôneos e discriminatórios que dificultam o processo de inclusão.
 
A justificativa para essa visão sentimentalista e discriminatória está no distanciamento que a sociedade vive da realidade da deficiência, tanto motivada pelo desinteresse em conhecer o diferente como pela falta de iniciativa das pessoas com deficiência de se fazerem notadas. Historicamente as pessoas com deficiência foram caladas por seus próprios medos e limitações, acreditando não serem capazes do convívio social. No entanto, com o surgimento de associações e leis que garantem a inserção no mercado de trabalho, escolas e concursos, a deficiência começa a permear as relações sociais cotidianas. Dessa maneira, o processo de inclusão acontece naturalmente, bem como a necessidade de se falar mais sobre isso.  Portanto, a inclusão social só será possível se houver uma aliança entre uma postura ativa e modificadora das pessoas com deficiência em suas realidades, com o olhar mais atento dos meios de comunicação, construindo um círculo de novas significações, responsáveis por uma mudança ideológica social inclusiva.

 
Adilson Randi é Jornalista e colaborador da Revista Incluir (SP); Graduado em Comunicação Social pela UFJF em 2011. Interessado em jornalismo social, em especial temas voltados para inclusão de pessoas com deficiência. 
 
Twitter: @_falajose
 



 


13 ideias sobre “Deficiência e Mídia na Inclusão Social

  1. Gostei muito do texto acima, pois, fiquei tetraplégico a três anos e sempre procurei colocação no mercado de trabalho, afinal, a vida continua. Hoje, estou trabalhando e muito feliz por voltar a ser produtivo e voltar a viver em sociedade, porque eu sei por tudo o que passei e passo para atravessar as dificuldades do dia a dia.
    Me coloco a disposição, para falar mais a respeito.
    Dannilo Garcia

  2. tudo tende ao desespero, incluir, colocar, modificar varios verbos iguais, varios textos falando a mesma coisa, e quando tudo isso vai mudar? quando tudo isso vai sair do papel. Sabemos q não depende nem de mim e nem de vc… mais sim do poder  publico . Precisamos direcionar  esses textos mais, levar pra frente… não deixando em blogs. 

    • Oi Sônia, entendo sua indignação e sua vontade de ações mais concretas. Mas acredito que a inclusão social vai muito além do poder público. Ela começa justamente com consciência social. Claro que toda essa discussão é muito mais do que foi retratado, mas o estudo dessa realidade já vai me fazer levar a disseminar novas ideias. Enquanto o poder público engatinha rumo à uma sociedade inclusiva, a gente fica aqui, tentando acelerar esse processo. Essa é a minha contribuição.

      • contribuição muito bem feita e bem informativa , texto otimo e com cunho bastante realista. Abraça a causa mesmo. Comece por quem "sofre". Parabéns pelo seu trabalho. 
         

  3. Muito bom ver que novos talentos do jornalismo estão se interessando por temas inclusivos. Importante lembrar que precisamos ir além dos textos, que são importante por fazerem refletir sobre, e gerar mobilização por reais mudanças… 

  4. Oi Adilson! parabéns pelo texto! muito bom! Gostaria de perguntar se o seu TCC está disponível em alguma versão digital? Sou acadêmica de serviço social e estou caminhando com o meu, também na área da deficiência. Creio que poderia me ajudar! 

    • Oi Tâmara, nossa nem tenho ele em versão digital não. Tenho outros textos no meu blog, se você quiser dar uma olhada. Podemos trocar algumas ideias tbem durante o seu processo. Só manter contato.
      Abço!

  5. eu queria fazer uma denuncia omtem eu fui almoçar no shoping pantanal e nao pode almoçar pois o restaurante fica no piso superior e nao tem rampa, fiquei muito triste por cauda da falta de respeito para com o deficiente.precisamos lutar por nossa classe.

  6. Olá, Adilson! Muito legal! É muito bom ver que há pessoas interessadas nesse tema em todas as áreas! Assim, de passo em passo, vamos conseguir uma sociedade em que todos são iguais, simplesmente iguais!

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