Acessibilidade em locais de hospedagem

Quem possui deficiência física ou sensorial, ou mesmo alguma dificuldade de locomoção, sabe como é complicado encontrar um local adequado para se hospedar. Qualquer viagem de lazer ou negócios demanda muita pesquisa e planejamento, tudo para evitar transtornos e até constrangimentos.

Em 2015, a atualização da NBR 9050 nos trouxe algumas novidades com relação à acessibilidade em locais de hospedagem, detalhando alguns aspectos que não eram mencionados na edição de 2004.

De acordo com a norma técnica, locais de hospedagem como hotéis, motéis, pousadas e similares – incluindo auditórios, salas de convenções, salas de ginástica, piscinas e outros – devem ser acessíveis a todas as pessoas.

Os dormitórios acessíveis com banheiros não podem estar isolados dos demais, mas sim distribuídos em toda a edificação, por todos os níveis de serviços e localizados em rota acessível. Dessa forma, o estabelecimento evitará a segregação das pessoas que necessitam de serviços e estruturas acessíveis.

hospedagem
Acima, na figura extraída da norma técnica, estão ilustradas algumas especificações do dormitório com banheiro. 

As dimensões do mobiliário dos dormitórios acessíveis devem ter condições de alcance manual e visual, e serem dispostos de forma a não obstruírem uma faixa livre mínima de circulação interna de 0,90 m de largura, prevendo área de manobras para o acesso ao banheiro, camas e armários. Deve haver pelo menos uma área, com diâmetro de no mínimo 1,50 m, que possibilite um giro de 360°, e a altura das camas deve ser de 0,46 m.

Quando forem previstos telefones, interfones ou similares, estes devem ser providos de
sinal luminoso e controle de volume de som, e as informações sobre a utilização desses equipamentos devem ser impressas em Braille, texto com letra ampliada e cores contrastantes para pessoas com deficiência visual e baixa visão, bem como devem estar disponíveis aos hóspedes.

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Motéis acessíveis

Já abordamos várias vezes aqui no blog alguns aspectos da acessibilidade em hotéis. Neste post, falaremos um pouco sobre motéis acessíveis. Sim, as especificações da NBR 9050/2004 também servem para estes locais, porém poucos estabelecimentos obedecem tais critérios.

Aqui em Campo Grande (MS) não há nenhuma suíte acessível. Para colher essa informação, telefonei para mais de 20 motéis da cidade e perguntei se havia algum “quarto acessível”. Em algumas ligações, ouvi a seguinte resposta: “Acessível? Ah sim, para cadeirantes…”. Quando oportuno, aproveitei os telefonemas para explicar que acessibilidade não era apenas para cadeirantes, mas essa “falta de informação” não justifica o fato de não haver acessibilidade nos motéis da cidade.

sexo cadeirante desenho

Imagem: Sensações de uma Cadeirante


Além da estrutura física do quarto, outros pontos também devem ser levados em consideração, como tamanho da garagem, sanitário, banheira de hidromassagem, chuveiro, piscina, sinalização (cardápio, informações no geral), altura de mesas, entre outros. Todos esses pontos possuem parâmetros descritos na norma técnica, prontos para serem aplicados!

Aproveitemos então para comentar sobre a circulação interna de um quarto acessível. De acordo com a norma técnica, pelo menos 5% dos quartos devem ser acessíveis (com no mínimo 1 do total de dormitórios com sanitário). Esses dormitórios não devem estar isolados dos demais, e sim distribuídos em toda a edificação, por todos os níveis de serviços, além de estar localizados em rota acessível. Recomenda-se também que outros 10% do total de dormitórios sejam adaptáveis para acessibilidade.

Acessibilidade no Hotel 10

As informações e imagens deste post foram enviadas pelo nosso seguidor Paulo Marcio Machado Metello, residente em Campo Grande – MS.

Pessoas com deficiência, inclusive cadeirantes, não encontram barreiras para se hospedar no Hotel 10, localizado em Dourados (MS), no principal trevo de acesso à cidade. Inaugurado recentemente, o projeto deste moderno hotel está de acordo com as normas técnicas de acessibilidade.

 


O estacionamento não possui vagas reservadas especificamente para pessoas com deficiência. Contudo, todas as vagas têm acesso direto ao lobby sem escadas ou degraus.

Quarto de uma criança com deficiência

A NBR 9050/2004 (Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos) visa proporcionar ao maior número possível de pessoas – independentemente de idade, estatura ou limitação de mobilidade ou percepção – a utilização de maneira autônoma e segura do ambiente, edificações, mobiliário, equipamentos urbanos e elementos.

Esta Norma também determina que edificações residenciais multifamiliares (condomínios, edifícios e conjuntos habitacionais) devem ser acessíveis em suas áreas de uso comum (calçadas, recepção, estacionamento, área de lazer e outros), sendo facultativa a aplicação do disposto nesta Norma em edificações unifamiliares (residências destinadas a uma única família). Assim, a moradia deve ser adequada às necessidades específicas de seus usuários.
 
Hoje vamos analisar alguns pontos que a Norma traz em relação aos quartos acessíveis de locais de hospedagem, comparando-os com um quarto adaptado de acordo com as necessidades do morador.

 

A figura acima é uma planta padrão de um quarto de hospedagem acessível, extraída da NBR 9050/2004. O espaço do quarto prevê área de giro para cadeira de rodas, área de circulação interna e uma porta de pelo menos 0,80 m de largura. Apesar de não estar ilustrado na figura, a norma também especifica que os mobiliários dos dormitórios acessíveis devem atender às condições de alcance manual e visual, e as camas devem ter 0,46 m de altura, além de outras especificações.

Agora vamos observar alguns mobiliários do quarto de uma criança de 4 anos com paralisia cerebral, que, apesar de conseguir andar, possui comprometimento das duas pernas e do braço direito.
 
 
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