Pescaria “adaptada” no Pantanal

Por morar minha vida inteira no Mato Grosso do Sul, vez ou outra eu programava uma pescaria com amigos ou familiares num dos diversos rios do nosso estado, mas confesso que pescar nunca esteve entre minhas melhores habilidades antes de me tornar tetraplégico. Tenho amigos muito mais “tarados” por pescaria do que eu, alguns até cadeirantes, que sempre dão um jeitinho de passar horas ou até dias no mato pescando.

 

pescaria_no_pantanal

Foto: 7 Dias à Toa



Nos últimos anos, o “turismo acessível” ou “adaptado” vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil, especialmente o Ecoturismo e o Turismo de Aventura. Algumas cidades como Socorro (SP) e Bonito (MS) já possuem certa estrutura para receber pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, mas devemos reconhecer que é muito difícil proporcionar total autonomia em passeios onde há matas, rios, tirolesas, bote inflável e escaladas. Nesses casos, o atendimento e o monitoramento por pessoas treinadas é imprescindível.

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Tereré acessível

O tereré é uma bebida bastante tradicional em Mato Grosso do Sul. De origem paraguaia, o tereré é composto basicamente por erva mate e água gelada. Com o passar do tempo, a bebida foi sendo difundida pelo Brasil, tornando-se conhecida e consumida em vários outros estados do país.

Tenho o hábito de tomar tereré diariamente desde a minha adolescência. Depois de me tornar tetraplégico, após um acidente de trânsito em 2008, a bebida continuou fazendo parte da minha rotina, tendo inclusive papel importante na minha hidratação, no melhor funcionamento dos meus rins e na prevenção contra infecções urinárias.

Assim, meu pai e eu criamos uma forma para eu conseguir tomar tereré com mais autonomia. Basicamente, adequamos a jarra térmica (que eu já tinha) e bolamos um suporte para apoiá-la.


Revestida com couro, esta jarra (ou garrafa) tem formato de botijão e possui capacidade para 11 litros de água, suficiente para servir muitos amigos. No seu lado esquerdo existe um compartimento para armazenar erva mate, e no lado direito um pequeno suporte para a guampa (neste caso, para um copo).

A torneira original da jarra, com ativamento pela parte de cima, foi substituída por outra com ativamento pela parte de baixo, permitindo acioná-la com o próprio copo.

Resolvida a questão da garrafa, precisávamos bolar um suporte para apoiá-la. Inicialmente pensei em pedir a um marceneiro para que fizesse um de madeira, mas meu pai teve a ideia de aproveitar um banco tubular giratório que já tínhamos em casa.
 
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