Bebê a bordo!

Se a maioria dos bebês for como o meu filho João Miguel, quanto mais “emoção”, mais carrinho balançando, mais empinadas para subir as guias e mais desviadas de buracos, melhor será a “aventura” e depois mais fácil pegar no sono. Costumo até brincar quando estou com ele no colo dizendo: “Acho que você está com saudade das ruas e calçadas de Campo Grande. Papai vai balançar você”.


Sendo assim, preferi descrever algumas situações utilizando fotos que mostram a visão dos pais, pois se fosse sob a ótica dos bebês, eu teria que escrever para um blog de aventura.

Como moramos num apartamento no Centro da cidade, geralmente fazemos compras e resolvemos nossas pendências a pé mesmo. No momento em que estamos saindo do prédio com o João Miguel, minha esposa e eu já começamos a pensar: “Qual lado da rua é melhor para andar? Quais cruzamentos são mais fáceis de atravessar? Onde as calçadas são melhores e não estão interditadas? Qual caminho possui mais sombra para o sol não bater no rosto do João Miguel?”. E assim iniciamos nosso passeio.

Mesmo com um certo planejamento, enfrentamos alguns probleminhas de acessibilidade durante nossa jornada, os quais – pelo menos os principais – compartilho hoje com vocês. 

Algumas observações do passeio:

 

Foto 01

Foto 1

Foto 1 – Este tipo de piso, por ser muito irregular, provoca grande trepidação no carrinho e gera muito desconforto ao bebê. Além disso, há o risco de as rodas travarem em alguns pontos. Nesse dia, estávamos utilizando um carrinho do tipo “guarda-chuva”, que facilita a locomoção e suaviza a trepidação. Se estivéssemos num carrinho do modelo “travel system”, o desconforto seria ainda maior.


Continue lendo

Exigência incoerente

Uma das coisas que me deixa feliz nessa “briga” pela acessibilidade é saber que “alguém” fiscalizou um estabelecimento comercial, mas geralmente me decepciono com os critérios utilizados pelos fiscais.

Há algumas semanas, estive visitando a lanchonete de uma amiga no Centro de Campo Grande (MS). Ela me contou que recebeu visitas de um fiscal da Prefeitura para verificar a acessibilidade do seu estabelecimento. Pelo seu relato, percebi que o fiscal não conhecia muito do assunto. A cada visita ele fazia uma nova exigência, aparentemente sem embasamento ou critério.

Uma das solicitações do fiscal foi que o estabelecimento providenciasse uma “mesa para cadeirantes”. Sem dúvida, é essencial (e obrigatório) que haja mesas acessíveis em lanchonetes, variando a quantidade de acordo com o tamanho do local. Porém, o que me chamou atenção nesse caso foram as dimensões exigidas para confeccionar o mobiliário.


mesa 1

 

 

A mesa possui área livre inferior e permite a aproximação frontal de um cadeirante. Experimentei a mesa e ela é realmente confortável, mas seu modelo e suas medidas são muito semelhantes às de uma escrivaninha, tornando-a totalmente “exclusiva”, pois impede a utilização por mais de uma pessoa simultaneamente. Dessa forma, um cadeirante terá obrigatoriamente de fazer sua refeição sozinho, não podendo ir à lanchonete com amigos, namorada, esposa ou até mesmo com um cuidador. Eu mesmo, que não tenho destreza nas mãos e necessito de ajuda para comer, ficaria desconfortável em frequentar a lanchonete.

 

Continue lendo

“Multa Moral” Acessibilidade na Prática

Um dos grandes desafios de quem luta pela acessibilidade é a conscientização sobre o uso correto das vagas de estacionamento reservadas para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. As vagas de estacionamento tornaram-se um “símbolo” da causa, principalmente após a grande repercussão da campanha “Esta vaga não é sua nem por um minuto!“, que despertou a atenção de boa parte da sociedade. Prova disso é a enorme quantidade de denúncias que registramos todas as semanas nos Flagrantes dos Seguidores.

Assim, o Blog Acessibilidade na Prática resolveu sair um pouco da “virtualidade” e lançar sua “multa moral”, inspirada em vários movimentos semelhantes espalhados pelo país. Entretanto, resolvemos ampliar nossa “fiscalização” para além das vagas de estacionamento. 


MULTA MORAL



A “multa moral” não é simplesmente uma forma de conscientizar os motoristas infratores. É também uma maneira de envolver a sociedade na fiscalização das vagas reservadas e de outras estruturas acessíveis, chamando a atenção de todos para a importância da acessibilidade na inclusão social.

Se você quer fazer parte do nosso time de fiscais e conscientizadores, clique aqui para baixar o arquivo em Corel Draw e imprimir nosso modelo de “multa moral”. 

Temos alguns bloquinhos de multas disponíveis para quem reside em Campo Grande – MS. Para conseguir o seu, entre em contato conosco. Não cobraremos pelos bloquinhos, pois não temos intenção de obter lucro com a “multa moral”.

Mas antes de sair por aí “multando” todo mundo, não esqueça de ter bom senso e educação para com os “infratores”. Procure se informar por meio dos links abaixo e lembre-se de que muitas pessoas têm o direito de utilizar as vagas reservadas e não sabem do procedimento correto para tal, sem contar que nem toda pessoa que precisa da vaga é necessariamente cadeirante. Além disso, não queremos despertar ódio nem brigas, apenas a consciência das pessoas.

Mãos à obra!


Leia também:

            Cartão de estacionamento para vagas reservadas

            A importância do tamanho adequado das vagas reservadas de estacionamento

            Uma vaga reservada quase ideal

            Vagas reservadas de estacionamento paralelas à calçada


Equipe ANP