Brincar pede acessibilidade

Após um passeio normal de sábado, comecei a observar e refletir sobre algumas questões…

Eu e meu marido, que é cadeirante, resolvemos levar nossa sobrinha para passear num sábado à tarde, e elegemos como destino um dos shoppings da cidade, pois sabíamos que lá haveria vagas de estacionamento reservadas e cobertas, diversos locais para lanchar e opções de diversão para crianças.


Assim que chegamos, nossa sobrinha se encantou por um trenzinho que passeava com as crianças pelos corredores do shopping. Como ela ainda é pequena, tive de acompanhá-la num dos pequeninos (e apertados) vagões, já que não havia monitores para acompanhar as crianças.


Vagão tremNa foto acima, vemos o interior do vagão escolhido por nossa sobrinha. Esse era coberto, mas havia alguns outros sem cobertura (menos apertados). Não foi nada fácil nem confortável entrar e sair do vagão, mas devemos lembrar que se trata de uma estrutura para crianças. Entretanto, eu me pergunto: é seguro deixar as crianças irem sozinhas nesse brinquedo? 

De todo modo, eu a acompanhei para evitar qualquer incidente, e observei que pessoas com sobrepeso, mais altas, cadeirantes ou com alguma deficiência seriam impossibilitadas de acompanhar uma criança, além de que crianças com essas mesmas características também seriam privadas de se divertirem.


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Piscina de bolinhas montada no Shopping Bosques dos Ipês

O Shopping Bosque dos Ipês, localizado em Campo Grande (MS), promoveu uma atividade diferente para a diversão das crianças no período das férias escolares: o “Mar de Bolinhas”.

De acordo com o site do shopping, a brincadeira tinha algumas regras, dentre elas a obrigatoriedade de um acompanhante (sem custos) para menores de 4 anos. Além disso, adultos não podiam subir na torre que dava acesso aos escorregadores e tobogãs, espaços estes destinados exclusivamente aos pequenos. Também era obrigatória a permanência de um responsável enquanto a criança se divertia.

Sabendo das regras, vejamos então como era a estrutura do “Mar de Bolinhas”, já que muitas crianças precisam de acessibilidade para se divertir nesse tipo de atividade.


foto mar de bolinhasEsta é uma imagem panorâmica da estrutura montada no shopping. Na parte inferior da foto podemos observar a bilheteria e a entrada da piscina de bolinhas, feita por meio de duas rampas com um patamar em comum.


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Parque Infantil Adaptado de Campo Grande

Depois de muito esperar, Campo Grande (MS) ganhou seu primeiro parque adaptado, instalado no Parque das Nações Indígenas.


fotoO Parque Infantil Adaptado, assim denominado, tem fácil acesso e fica próximo a uma das entradas do Parque das Nações Indígenas, onde também há vagas reservadas de estacionamento.

Próximo aos brinquedos existem dois totens com informações visuais. O totem da direita da foto é da Vanzetti, empresa responsável por dois brinquedos instalados no parque. Atrás deste totem existem algumas instruções de uso dos brinquedos, melhor visualizadas na foto abaixo.



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Bebê a bordo!

Se a maioria dos bebês for como o meu filho João Miguel, quanto mais “emoção”, mais carrinho balançando, mais empinadas para subir as guias e mais desviadas de buracos, melhor será a “aventura” e depois mais fácil pegar no sono. Costumo até brincar quando estou com ele no colo dizendo: “Acho que você está com saudade das ruas e calçadas de Campo Grande. Papai vai balançar você”.


Sendo assim, preferi descrever algumas situações utilizando fotos que mostram a visão dos pais, pois se fosse sob a ótica dos bebês, eu teria que escrever para um blog de aventura.

Como moramos num apartamento no Centro da cidade, geralmente fazemos compras e resolvemos nossas pendências a pé mesmo. No momento em que estamos saindo do prédio com o João Miguel, minha esposa e eu já começamos a pensar: “Qual lado da rua é melhor para andar? Quais cruzamentos são mais fáceis de atravessar? Onde as calçadas são melhores e não estão interditadas? Qual caminho possui mais sombra para o sol não bater no rosto do João Miguel?”. E assim iniciamos nosso passeio.

Mesmo com um certo planejamento, enfrentamos alguns probleminhas de acessibilidade durante nossa jornada, os quais – pelo menos os principais – compartilho hoje com vocês. 

Algumas observações do passeio:

 

Foto 01

Foto 1

Foto 1 – Este tipo de piso, por ser muito irregular, provoca grande trepidação no carrinho e gera muito desconforto ao bebê. Além disso, há o risco de as rodas travarem em alguns pontos. Nesse dia, estávamos utilizando um carrinho do tipo “guarda-chuva”, que facilita a locomoção e suaviza a trepidação. Se estivéssemos num carrinho do modelo “travel system”, o desconforto seria ainda maior.


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Adaptação para jogar boliche

Olá pessoal!

Hoje vamos conhecer uma adaptação simples para jogar boliche.

Olhando o Facebook, vi a foto de uma criança cadeirante jogando boliche e enviei uma mensagem para sua mãe perguntando sobre a adaptação. Ela me explicou que são duas barras paralelas que lembram um escorregador, e basta colocar a bola no topo das barras e empurrá-la. Ela também me contou que não fizeram esta adaptação pensando nas pessoas com deficiência, mas sim nas crianças. Porém, a ideia da adaptação acabou tornando-se funcional, permitindo que um cadeirante, por exemplo, participe do jogo.
 

Esta bela ideia fez a diferença na diversão de uma criança. Certamente existem por aí outras adaptações para boliche e também para outros jogos, mas sempre que encontro alternativas assim gosto de compartilhar aqui no blog.

Até a próxima!
 

Maria Alice Furrer
 

Adaptação para escova de dentes

Sou Cirurgiã Dentista e faço Especialização em Odontopediatria. Atendo em um consultório odontológico e também faço atendimentos num ESF (Estratégia de Saúde da Família) em Costa Rica (MS), cidade onde moro. Apesar de atender crianças e adultos, minha paixão e o foco principal do meu trabalho é a pediatria, inclusive crianças com deficiência.

Há alguns meses, atendi no ESF um paciente de 15 anos com diagnóstico de Hidrocefalia. Ele não gosta que ninguém escove seus dentes, a não ser ele mesmo. Devido à sua lesão cerebral, ele possui rigidez articular e falta de coordenação motora, o que dificulta a escovação, aumentando assim os riscos de desenvolver gengivite, doença periodontal, cáries, entre outros. Além disso, existem efeitos colaterais como a xerostomia (boca seca) – causada pelo uso frequente de fármacos em cuidados paliativos devido à Hidrocefalia – que aumenta ainda mais a predisposição para tais doenças, sendo extremamente importante uma boa higiene bucal.

A partir daí, vimos a necessidade de encontrar uma solução para este paciente tentar escovar os dentes sozinho. Assim, Leidimar (Técnica de Saúde Bucal do consultório), Idevanilce (Técnica de Saúde Bucal do ESF) e eu,  juntamente com a equipe da Oficina de Sonhos (projeto realizado pela Prefeitura Municipal), desenvolvemos um adaptador de acrílico para encaixar a escova de dentes deste paciente.




Com este adaptador, o paciente consegue escovar os dentes sozinho, como era de sua vontade. Entretanto, até pelo seu comprometimento motor, a escovação não é feita de forma adequada, o que também ocorre com pacientes sem nenhuma dificuldade ou deficiência. Por isso, continua sendo indispensável o acompanhamento periódico de um Dentista, o qual irá realizar técnicas de higiene bucal complementares e diagnosticar possíveis patologias ou complicações.


Carolina Moreira Silva – Cirurgiã Dentista

E-mail: [email protected]