Andando de táxi acessível em São Paulo

Publicado em: 12.fevereiro.2013

Por: Acessibilidade na Prática

De acordo com a Prefeitura de São Paulo, o serviço de táxi acessível está disponível na cidade desde 2009 e atualmente possui uma frota de 93 veículos adaptados.




Coincidentemente, a primeira vez que andei em um táxi como este foi em 2009. Fui até São Paulo para uma consulta médica e fiz o trajeto entre o Aeroporto de Congonhas e um hotel próximo à Avenida Paulista. A experiência não foi muito agradável. Como minha lesão na medula é alta (vértebra C5) e era recente na época (1 ano), eu tinha muito pouco controle de tronco, o que, aliado à instabilidade da cadeira de rodas e aos movimentos do carro, obrigou meu pai a me amparar com as mãos durante todo o percurso, mesmo com a cadeira bem presa. Sem contar que o taxista teve de dirigir a 30 Km/h durante a corrida para eu não cair. Depois disso, não quis mais utilizar o serviço por não sentir muita segurança.

Hoje, depois de 3 anos e um pouco melhor fisicamente, resolvi experimentar o serviço novamente para ver se conseguiria um pouco mais de independência e praticidade. Isso porque é sempre complicado conseguir um táxi com porta-malas que caiba a cadeira de rodas e com portas largas para me transferir, já que sou um pouco alto.

Fiz várias corridas há alguns dias utilizando o táxi acessível e pude tirar algumas conclusões pessoais. No vídeo abaixo, podemos observar a forma de embarque nesse tipo de veículo. Senti segurança no equipamento utilizado para subir e descer os passageiros. Notem também que a cadeira de rodas fica realmente bem fixada.
 



Na foto abaixo, podemos ver o mecanismo de fixação da parte dianteira da cadeira de rodas.

 
 

Uma das maiores desvantagens que achei desses táxis é a instabilidade. Além de balançar um bocado, o cadeirante tem apenas uma pequena barra de apoio do seu lado direito para poder se segurar. Como não tenho destreza nem foça nas mãos, apoiei como pude o braço direito e 'enfiei' o antebraço esquerdo no encosto de cabeça do banco ao meu lado. Vejam no vídeo:



 
 
Mesmo para pessoas com forças nas mãos, acredito que as corridas tornam-se cansativas devido ao grande esforço para se segurar. Além disso, temos de considerar a força exercida com o abdômen e os braços, que também é o meu caso.

O vídeo abaixo é apenas para demonstrar o processo de desembarque do passageiro.



 

A tarifa desse tipo de táxi é a mesma dos táxis normais, porém é cobrada uma taxa de R$ 8,00 para agendamento, uma cobrança que considero desnecessária e abusiva. A justificativa para se fazer o agendamento é que, como há um número reduzido desse tipo de carro, o passageiro pode não ser atendido caso solicite o serviço de última hora. E com receio de perder seus compromissos, as pessoas acabam pagando.

Em relação ao acionamento dos taxímetros, percebi que não muda em relação aos demais táxis. Alguns motoristas ligam o tarifador assim que estacionam e só desligam após descer o cadeirante. Outros, mais honestos, acionam o aparelho apenas na hora de partir e o desligam assim que chega ao destino.

Fazendo um balanço dessa minha experiência, considero o treinamento dos motoristas o fator mais importante para a qualidade desse serviço. Conversando com os taxistas, percebi que os treinamentos recebidos por eles foram muito superficiais, e pude comprovar isso ao passar por apuros em alguns embarques, desembarques e, principalmente, durante alguns percursos. Observei também que, quando o taxista é mais paciencioso na direção e ao lidar com o passageiro, a viagem se torna menos cansativa, mais agradável e mais segura.

Se você tem uma experiência diferente com táxis acessíveis, independente da cidade onde utiliza ou utilizou o serviço, compatilhe conosco! Deixe um comentário neste post!


Frederico Rios

Imagens: Maria Alice Furrer
 

3 ideias sobre “Andando de táxi acessível em São Paulo

  1. seria muito bom se houvesse alguns taxis desses aqui em campo grande porque sempre receebo a "desculpa" de que minha cadeira não cabe no taxi por causa do cilindro de gás.

  2.   BOM DIA   SE  NÃO TIVESSE  TANTOOOOOOOO  BURACO  NAS  RUAS  E  AV  AS  VIAGENS   NO TÁXI  ACESSIVEL  SERIAM  MUITO  MAIS  AGRADAVEIS  PARA  O CADEIRANTE .

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