Pescaria “adaptada” no Pantanal

Publicado em: 30.novembro.2016

Por: Acessibilidade na Prática

Por morar minha vida inteira no Mato Grosso do Sul, vez ou outra eu programava uma pescaria com amigos ou familiares num dos diversos rios do nosso estado, mas confesso que pescar nunca esteve entre minhas melhores habilidades antes de me tornar tetraplégico. Tenho amigos muito mais “tarados” por pescaria do que eu, alguns até cadeirantes, que sempre dão um jeitinho de passar horas ou até dias no mato pescando.

 

pescaria_no_pantanal

Foto: 7 Dias à Toa



Nos últimos anos, o “turismo acessível” ou “adaptado” vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil, especialmente o Ecoturismo e o Turismo de Aventura. Algumas cidades como Socorro (SP) e Bonito (MS) já possuem certa estrutura para receber pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, mas devemos reconhecer que é muito difícil proporcionar total autonomia em passeios onde há matas, rios, tirolesas, bote inflável e escaladas. Nesses casos, o atendimento e o monitoramento por pessoas treinadas é imprescindível.

Em outubro de 2016, minha esposa e eu fomos passar o feriado na fazenda dos seus familiares, localizada município de Aquidauana (MS), já no Pantanal. Num final de tarde, a “turma” resolveu que iria me levar para pescar, algo que nunca mais havia feito depois que sofri meu acidente. E lá fui eu…


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Apesar de não ser aconselhado e muito menos permitido pelo Código de Trânsito Brasileiro, fui na carroceria da camionete 😀 . Meu embarque foi feito utilizando duas pranchas de madeira, sem descer da cadeira de rodas.


2Claro que não subi sozinho na camionete! Minha esposa, sua tia e seu primo também me ajudaram.


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Neste momento, antes mesmo de chegar na margem do Rio Negro, eu já estava emocionado lembrando dos meus tempos de infância, onde meus primos e eu adorávamos andar na carroceria. Mas agora eu tinha uma vantagem: não precisava descer para abrir as porteiras 😀 


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O percurso até o rio e o desembarque foram tranquilos. Era fim de tarde e o sol já havia dado uma trégua. 


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Meus “companheiros” de pescaria ajeitaram minha “traia”, colocaram a isca e lançaram o anzol na água para mim. Eu fiquei com a melhor parte: esperar algum peixe morder a isca 😀


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Para a minha surpresa (e de todos que estavam comigo 😀 ), pesquei duas piranhas em 20 minutos. É… uma boa média… 😉


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Na volta para a sede, ainda fomos presenteados com este lindo pôr do sol e vários animais à beira da estrada.

Foi uma experiência emocionante! Por mais simples que possa parecer, andar na carroceria de uma camionete e pescar dois peixes me fizeram recordar uma enxurrada de sensações que eu já havia esquecido que existiam. É claro que eu preferiria ter ido até o rio andando e abrindo as porteiras, mas, em muitas situações da nossa vida, estar rodeado de pessoas que nos amam e lutam conosco pela nossa “acessibilidade” faz com que as dores e as dificuldades se tornem muito menores, nos possibilitando fazer coisas que sequer imaginávamos fazer ou voltar a fazer.



Frederico Rios

Colaboraram com a aventura: Maria Alice, Evaldinho, Sandra e Anésia


Fotos: 10/10/2016



Uma ideia sobre “Pescaria “adaptada” no Pantanal

  1. E isso aí Fred… lindo depoimento… gostei e espero que venha muito mais pescaria e mais peixes…..abraços meu amigo/irmão…

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