Intervenções da Prefeitura de Campo Grande

Publicado em: 17.agosto.2017

Por: Acessibilidade na Prática

Ao passearmos num sábado de sol por Campo Grande, nos deparamos com mais um belo “pedaço” de calçada acessível, localizado na Rua Amazonas, esquina com a Rua Cassilândia, no Bairro Monte Carlo.

 

Calçada voltada para a Rua Cassilândia.

 

Calçada voltada para a Rua Amazonas.


Dá gosto rodar numa calçada ampla, lisinha e bem sinalizada como esta, mas ela nem sempre foi assim. Num passado não muito distante, carros ocupavam boa parte da calçada. 

Imagem da Rua Cassilândia, capturada pelo Google em outubro de 2015.

 

Imagem da Rua Amazonas, capturada pelo Google em novembro de 2011.


Nessa esquina há um centro comercial com várias lojas. Uma empresária do local nos informou que a prefeitura solicitou a retirada da acomodação transversal de veículos, com a justificativa de que os carros atrapalhavam a passagem dos pedestres. Os comerciantes tentaram negociar, sugerindo um estacionamento com vagas a 45º, onde caberia menos carros, porém liberaria mais espaço para as pessoas passarem, mas os fiscais não aceitaram. O jeito foi acabar com o estacionamento mesmo.

Acredito que devemos sim priorizar os pedestres, mas garantir vagas de estacionamento, quando possível, também é importante. Minha esposa mesmo teve de parar o carro quase no meio da rua para eu poder desembarcar.

 

Pelas fotos do Google, podemos notar que havia sim espaço suficiente para a passagem de pedestres caso as vagas fossem a 45º na Rua Cassilândia, contanto que se estacionassem apenas carros pequenos. Não seria uma passagem generosa, mas seria suficiente. Já na Rua Amazonas o espaço é mais amplo, tanto que as vagas foram mantidas.


Por mais que a intervenção da prefeitura tenha sido positiva para as pessoas que transitam na calçada, questiono a falta de “critério”. No caso em questão, o estacionamento foi eliminado e a calçada do local reformada, mas as calçadas dos lotes vizinhos permaneceram inacessíveis e despadronizadas, especialmente na Rua Cassilândia. Além disso, o trânsito de veículos no local, em horário de pico, é caótico, pois a Rua Cassilândia é estreita, mão dupla e com fluxo intenso, demandando alterações também no trânsito, mas nada foi feito nesse sentido.

Em várias situações semelhantes pela cidade, a prefeitura preferiu “não incomodar” ninguém, como podemos ver neste outro post. Esse tipo de fiscalização não beneficia nem os comerciantes nem a população com dificuldade de locomoção. Sem o mínimo de planejamento urbano e sem eleger trechos a serem reformados primeiro, continuaremos igual “cachorro correndo atrás do rabo”: gastando tempo, energia e dinheiro para quase nada.


Frederico Rios

Fotos: 12/08/2017



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