Cuidador profissional vs. membro da família

Publicado em: 11.fevereiro.2015

Por: Acessibilidade na Prática

Idosos debilitados ou com Alzheimer, pessoas acometidas por doenças neuromusculares, lesados medulares, crianças com paralisia cerebral e pessoas vítimas de AVC são apenas alguns exemplos de indivíduos que podem precisar de cuidados contínuos de outras pessoas. Os auxílios necessários variam de acordo com o grau da patologia ou o tipo de deficiência, e muitas vezes são imprescindíveis para realizar atividades simples como tomar banho, escovar os dentes, trocar de roupa, comer, ingerir medicamentos, se locomover e até fazer exercícios.



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Foto: ABRAFORDES



Cuidar de uma pessoa em situação de “dependência” é, antes de qualquer coisa, um gesto de amor, que exige dedicação, paciência, atenção, conhecimento e várias outras habilidades. É claro que vez ou outra ouvimos relatos de cuidadores que praticam atos de violência contra pessoas vulneráveis, mas não podemos considerar esses casos como sendo maioria dentro desse universo.

Existem também aquelas situações onde a pessoa que necessita de cuidados passa boa parte do dia sozinha numa cama, pois seus familiares precisam trabalhar fora para colocar comida na mesa. Acredito que essa seja uma das situações mais tristes, pois geralmente a aposentadoria que a pessoa recebe mal dá para pagar medicamentos e produtos hospitalares, e a família tem amor e vontade de sobra para realizar os cuidados necessários.

De qualquer forma, quando uma pessoa sofre um acidente ou adquire uma patologia que a torna dependente de outras pessoas, a vida e a rotina de toda sua família mudam. E conforme a pessoa vai amadurecendo e aceitando sua condição, a tendência é que ela busque conquistar o máximo de independência autonomia possível, mesmo que seja com auxílio de terceiros. O que muitos não entendem, principalmente os familiares, é que essa “independência” não significa exatamente “fazer tudo sozinho”, mas sim ter sua privacidade, fazer as coisas do seu jeito e, principalmente, ter liberdade para pensar e tomar suas próprias decisões.

É indiscutível o amor que mães, pais, irmãos, esposas, maridos, filhos e outros membros da família têm por um ente querido com deficiência. No entanto, a família, naturalmente, tem uma tendência maior em superproteger aquele familiar “vulnerável”, o que pode prejudicar e muito sua recuperação e até sua motivação para lutar por novas formas de viver. É aí que entra o “cuidador profissional”.

Os cuidadores podem ser pessoas com formação – Técnico em Enfermagem, por exemplo – ou apenas com conhecimentos práticos. Independente disso, além de ser muito difícil encontrarmos bons profissionais no mercado, não podemos esquecer que eles são “profissionais”, ou seja, têm deveres e direitos trabalhistas, gerando altos custos à família ou à própria pessoa com deficiência. Tudo isso tem de ser colocado na balança ao cogitar a possibilidade de contratar um cuidador, analisando o cotidiano da pessoa a ser cuidada e a disponibilidade financeira da família. Resumindo, não basta apenas “ter vontade” de contratar um profissional para servi-lo.

Quando uma pessoa que adquiriu uma deficiência resolve tomar as rédeas da sua própria vida, é importante que haja uma pessoa para ajudá-la a fazer as coisas do seu jeito, e isso geralmente só é possível com auxílio de uma pessoa sem vínculo familiar, que não tenha “pena” dela ou não queira “pensar” por ela. Mesmo que parcial, essa é a “independência” – mais precisamente, “autonomia” – que muitos buscam e sonham. É uma independência autonomia legítima e merecida, mas que depende da sensibilidade e do “desapego” da família para se tornar realidade.

Se você tem uma opinião diferente ou conhece casos interessantes que envolvam cuidadores, compartilhe conosco nos comentários! 🙂


Abraços!!!


Frederico Rios



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