Como o cinto de segurança salvou minha vida e a do meu filho

Publicado em: 20.dezembro.2011

Por: Acessibilidade na Prática

Férias se aproximando, famílias se preparando para viajar, crianças fazendo planos, enfim, a grande maioria da população viaja utilizando seus veículos e, com isso, aumenta consideravelmente o fluxo do tráfego nas estradas em todas as regiões do Brasil no final de ano. Vou relatar um fato do meu acidente que salvou a minha vida e a do meu filho e que pode auxiliar os leitores a refletirem. 
 
No dia 2 de outubro de 2006 estávamos retornando de mais um período de férias em Piumhi, MG, minha querida cidade natal, onde havíamos passado dias inesquecíveis e maravilhosos na casa dos meus pais, hoje falecidos. Eu conduzi nosso carro até Divinópolis, quando meu concunhado assumiu a direção porque eu não tinha segurança para trafegar no anel rodoviário de Belo Horizonte. 
 
Desde pequeno meu filho foi acostumado a viajar e sempre ficar no banco traseiro do carro. Com quase 5 meses, eu o levava no bebê conforto de manhã para a creche da universidade onde trabalho e o pegava à tarde. Depois mudou para a cadeirinha e agora, com 9 anos, ele utiliza apenas o assento. Enfim, ele nunca teve problemas em aceitar o uso da cadeirinha. Voltando ao dia do acidente, eu sempre viajava no banco traseiro, pela necessidade em atendê-lo e, às vezes, para brincar com ele. Assim as viagens mais longas tornavam-se menos cansativas. 
 
Ressalto que estávamos seguindo todas as normas de segurança de trânsito na estrada. No dia do acidente ele estava com 4 anos. A exigência do Código Nacional de Trânsito para essa idade é o uso da cadeirinha no banco traseiro. Eu estava sentada do lado oposto do motorista, que por sinal tinha larga experiência em viagens no trecho BH – Viçosa. E também sempre utilizava e utilizo até hoje o cinto de segurança. O veículo em que estávamos tinha o cinto de três pontos. Ressalto que a utilização do cinto no meu caso sempre foi pela necessidade de segurança que sentia e sinto até hoje, além de procurar dar o exemplo para meu filho. Em todas as viagens que fazia e faço até hoje, procuro acompanhar tudo que ocorre na estrada, principalmente depois do nascimento dele, que também gosta de fazer o mesmo para se distrair. Por causa disso, raramente durmo durante as viagens.
 
Eram aproximadamente 16 horas e 30 minutos quando estávamos quase chegando ao nosso destino. De Piumhi a Viçosa são em torno de 500 km e faltavam cerca de 70 km quando tudo aconteceu. Quando estávamos chegando próximo de Acaiaca, cidade perto de Ponte Nova, surgiu de repente, depois de uma curva, um carro completamente desgovernado na direção contrária à nossa. A pista estava molhada, pois havia chovido naquele dia. O condutor do veículo, meu concunhado, falou exatamente assim: “Zezé, olha que carro doido!”. Naquele momento eu continuei olhando para a frente e não o respondi, até porque não houve tempo para isso. Apenas olhei para o carro e minha impressão era que se tratava de alguém bêbado deslizando na pista. O carro veio “ziguezagueando”, completamente sem controle. Não estávamos em alta velocidade, mas por não haver acostamento no local, não foi possível desviar daquele carro. E aí aconteceu o inevitável: o acidente que mudaria toda minha vida e a de meus familiares a partir daquele momento. Como o vidro do para-brisa quebrou, imediatamente após a batida, meu filho disse: “Mamãe, 'quebô' tudo!”. Eu não consegui responder-lhe e falar nada naquele instante. 
 
Exatamente quando os dois carros se colidiram, já não senti minhas pernas. O estrago maior foi no nosso veículo e do lado do motorista, mas o impacto maior foi sentido por mim, que estava do lado oposto. A condutora do outro veículo nada sofreu de grave e saiu andando assim que aconteceu a batida. Meu parente teve apenas um corte no joelho e meu filho, felizmente, só um corte profundo na testa. Agradeço a Deus por isso pois Ele “poupou” meu filho dos sofrimentos todos pelos quais passei e que ainda passo até hoje. O impacto da tragédia é tão grande que nos deixa paralisados, e não conseguimos nem raciocinar direito. Lembro-me de que ouvi alguém aproximando do nosso carro e dizendo assim: “Tem criança”. Imediatamente alguém retirou meu filho da cadeirinha. Eu não tive forças para olhar para ele e nem ver o que tinha acontecido. Muito menos de perguntar para onde estavam levando-o. E depois, tantas coisas aconteceram até chegar o resgaste – SAMU (oportunamente relatarei sobre o mesmo). 
 
Mas o importante que quero descrever hoje é que meu filho está vivo, em perfeito estado de saúde física e mental graças ao USO CORRETO DO CINTO DE SEGURANÇA. Se eu também não estivesse usando o mesmo, talvez vocês não pudessem estar lendo este relato. Eu poderia ter sofrido um traumatismo craniano ou outro tipo de lesão que comprometeria outros órgãos. Eu fiquei apenas paraplégica. Apesar de tudo, O CINTO SALVOU A MINHA VIDA E A DO MEU FILHO. 
 
Se ele não estivesse usando o cinto ou usando-o incorretamente, poderia ter tido um tipo de traumatismo craniano ou outro tipo de lesão no cérebro ou em outras partes do corpo. O impacto da batida dos dois carros foi tão grande que se ele estivesse “solto” no carro poderia ter sido lançado para fora do mesmo e talvez ter morrido naquele dia. Eu me arrepio só em pensar nisso… E eu seria privada de vê-lo crescer, estudar, curtir suas alegrias e descobertas da infância e de sonhar… Ele ajuda-me quando preciso, é carinhoso, amável, sensível e é quem me dá força para continuar a vencer as muitas barreiras que a vida nos apresenta. Meu filho é uma das razões que eu tenho para viver e pensar que a vida é simplesmente maravilhosa…
 

Maria José de Oliveira Fontes é Economista Doméstica, Mestre em Psicologia pela UFMG e Professora do Departamento de Economia Doméstica da UFV. Atua na área de Educação Infantil, Família e Desenvolvimento Humano.
 
 
Twitter: @zezefontes
 
 

7 ideias sobre “Como o cinto de segurança salvou minha vida e a do meu filho

  1. Apenas uma correção na data do acidente (erro meu): O acidente aconteceu no dia 2 de outubro de 2006 e não em setembro.
    Vamos que a condutora do outro veículo leia esse relato…rss..rss…
    @ZezeFontes

  2. Parabéns pelo artigo. Você é uma guerreira! Admiro sua luta e suas conquistas.
    Nunca desista de você e de ter esperança.
    Grande abraço,
    Klícia

  3. Maria José ou Zezé, como vou te chamar?
    Sou a Sandra que reuniu a turma de ex alunos da Goretti. Pena que não deu pra ir te conhecer…
    Li seu relato. Penso que Deus não nos da carga maior do que a que a podemos aguentar, e, também, que Ele tem planos pra gente que desconhecemos.  Muitos descobrem dons que desconhecia após um acidente como o seu… Espero que você tbém descubra situações novas, diferentes, que mantenham o brilho em sua vida além de sua família e filho. 
    A luta continua, enquanto ha vida ha esperança! 
    Que Deus abençoe você e sua família. Feliz Natal!

    • Oi Sandra, pode ser Zezé.
      Não deu tempo de conhecer-me naqueles dias, mas sempre haverá um dia.. Será um prazer quando quiser aparecer. Goretti e Klícia falaram muito de você.
      Obrigada pelas suas palavras de incentivo e força.
      Acredito mesmo que nada é por acaso. E nos momentos mais difíceis é a minha fé que "me levanta".
      Abraços.
      Zezé.

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