Brincar pede acessibilidade

Publicado em: 25.janeiro.2017

Por: Acessibilidade na Prática

Após um passeio normal de sábado, comecei a observar e refletir sobre algumas questões…

Eu e meu marido, que é cadeirante, resolvemos levar nossa sobrinha para passear num sábado à tarde, e elegemos como destino um dos shoppings da cidade, pois sabíamos que lá haveria vagas de estacionamento reservadas e cobertas, diversos locais para lanchar e opções de diversão para crianças.


Assim que chegamos, nossa sobrinha se encantou por um trenzinho que passeava com as crianças pelos corredores do shopping. Como ela ainda é pequena, tive de acompanhá-la num dos pequeninos (e apertados) vagões, já que não havia monitores para acompanhar as crianças.


Vagão tremNa foto acima, vemos o interior do vagão escolhido por nossa sobrinha. Esse era coberto, mas havia alguns outros sem cobertura (menos apertados). Não foi nada fácil nem confortável entrar e sair do vagão, mas devemos lembrar que se trata de uma estrutura para crianças. Entretanto, eu me pergunto: é seguro deixar as crianças irem sozinhas nesse brinquedo? 

De todo modo, eu a acompanhei para evitar qualquer incidente, e observei que pessoas com sobrepeso, mais altas, cadeirantes ou com alguma deficiência seriam impossibilitadas de acompanhar uma criança, além de que crianças com essas mesmas características também seriam privadas de se divertirem.


fred vagãoEssa foto ilustra bem a situação: o tio (cadeirante) cuidando a sobrinha do lado de fora do brinquedo, sem poder garantir a segurança da criança.

Esse tipo de situação ocorre não só neste brinquedo, mas na maioria dos parques e ambientes dedicados à diversão das crianças.

A norma técnica de acessibilidade não determina critérios específicos para brinquedos infantis, mas a falta de acessibilidade nesse tipo de estrutura é relatada pelos usuários há algum tempo. Esse problema estrutural prejudica a diversão não só das crianças com deficiência ou mobilidade reduzida, mas também dos adultos que as acompanham e possuem as mesmas dificuldades.

Este é um grande exemplo de que a acessibilidade não beneficia apenas as pessoas que precisam diretamente dela, mas todos que convivem com o público com deficiência. 

Atenção, empreendedores! Vocês estão perdendo grandes oportunidades de negócio!


Maria Alice Furrer

Colaboração: Frederico Rios


Fotos: 21/01/2017 (Shopping Norte Sul Plaza)



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