Boutique sensual inclusiva

Publicado em: 03.maio.2017

Por: Acessibilidade na Prática

Conseguir trabalho em tempos de recessão econômica é desafiador, e para quem tem deficiência o desafio é ainda maior. Mobilidade urbana deficitária, acessibilidade precária nos estabelecimentos, ausência de cultura inclusiva nas empresas e dificuldade para se qualificar são os fatores que mais atrapalham a vida de quem tem deficiência e sonha em melhorar de vida.

 

No entanto, alguns empreendedores “fora da curva” nos surpreendem positivamente ao abrirem suas empresas e suas mentes para a rica oportunidade de inserir alguém com deficiência nas suas equipes. É o caso da Labareda Boutique Sensual, que sob comando da Psicóloga Karina Brum, aceitou o desafio de contratar uma deficiente visual. Confira seu relato:

 

 

 

 

“A Labareda sempre buscou atender seus clientes com que há de melhor no segmento, priorizando discrição e inovação. Quando nos propusemos em contratar uma colaboradora com deficiência visual, tínhamos em mente proporcionar aos nossos clientes um atendimento mais “discreto”. Foi uma experiência desafiadora para nossa empresa e, principalmente, para mim. É muito mais tranquilo lidar com frustrações e dificuldades de pessoas que “enxergam”. Esta colaboradora superou todas as minhas (as nossas) expectativas. Dona de uma memória fenomenal, ela recebeu o mesmo treinamento dado às outras atendentes, e acredite, ela aprendeu tudo em menos de dez dias! Pessoas videntes ou “normais” – como algumas pessoas desinformadas insistem em dizer – demoram em média quatro meses para alcançar essa “proeza”. Ela conseguiu aprender, estudar e assimilar todas as informações em menos de quinze dias! Ela mesmo nos ensinou a etiquetar em braille os produtos. Alcançamos um mercado nunca antes atingido. Tivemos um aumento no número de clientes com deficiência e, como era esperado, os clientes do gênero masculino se sentiam muito mais à vontade em serem atendidos por ela do que pelas vendedoras que enxergam. Foi uma experiencia gratificante e enriquecedora. Aprendemos muito com essa colaboradora, uma menina batalhadora e de um bom humor invejável. Nada a tirava do sério, a não ser quando ela “se esquecia” de algum detalhe do tipo: falar com o cliente olhando pra ele. Ela se sentia mal quando não conseguia interagir com o cliente no campo sonoro e visual. Ela era muito vaidosa, uma mulher com “M” maiúsculo, e pasme: seu setor preferido para atender e vender era o de artigos fetichistas. Ela aprendeu mais de trinta tipos de nós da técnica de Shibari. Minhas funcionárias até hoje só sabem quatro (risos nervosos). Gostaria de ainda tê-la conosco, mas pessoas bem qualificadas como ela crescem e batem asas. Sentimos muito orgulho e alegria quando falamos dessa colaboradora, que nos trouxe dias de luz, de paz e, certamente, de boas vendas!”

Analisando pequenos exemplos como este, percebemos que pessoas com deficiência não precisam de “assistência” ou “favores”, mas de OPORTUNIDADES. Qualquer pessoa pode adquirir conhecimentos técnicos, principalmente se o lado humano estiver “em dia”, mas para isso é necessário proporcionar um ambiente de trabalho adequado, onde “todos” possam expressar suas potencialidades e concorrer entre si em igualdade de condições.

 

 

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Maria Alice e Frederico Rios



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