Ambulift do Aeroporto Internacional de Campo Grande

Publicado em: 23.março.2016

Por: Acessibilidade na Prática

As “aventuras” que as pessoas com dificuldade de locomoção passam nos aeroportos brasileiros são bastante conhecidas. Algumas delas já foram relatadas com detalhes aqui no blog, e vez ou outra surge uma “nova” nas redes sociais. Os problemas enfrentados são os mais diversos, a começar pelo mau atendimento das companhias aéreas, mas sem dúvida as maiores dificuldades são no momento dos embarques e desembarques.

 

ambulift cg paula zanata 2 edit

Foto: Paula Zanata (arquivo)

 

De acordo com a legislação e os critérios dos órgãos competentes, o Aeroporto Internacional de Campo Grande deveria contar com um ambulift há anos, mas o equipamento foi disponibilizado aos usuários somente em 2015, após muita pressão da sociedade e do Ministério Público Federal.

No dia 13/03/2016, minha esposa e eu viajamos ao Rio de Janeiro com retorno marcado para o dia seguinte. Antes mesmo de rumarmos para o aeroporto, eu estava ansioso para estrear nosso ambulift conquistado com tanto sacrifício. E qual foi minha surpresa? Embarquei (na ida) e desembarquei (na volta) no Aeroporto de Campo Grande pelas escadas do avião, utilizando um equipamento parecido com o stair trac. Ao questionar os funcionários da companhia aérea, eles me informaram que a Infraero, responsável pelo equipamento, demora de 30 a 40 minutos para disponibilizá-lo. No meu humilde entendimento, concluí que, como havia apenas eu necessitando de ambulift, não compensava mobilizar o equipamento só para me atender.

Dias depois da nossa viagem, conversei com um amigo que trabalha em uma das prestadoras de serviço do aeroporto e lhe contei do meu desapontamento. Ele me explicou que, para cada operação do ambulift, a companhia aérea paga aproximadamente R$ 200,00 à Infraero e deve solicitar o equipamento horas antes do embarque. Como não fui eu quem comprou as passagens, entendi que o erro era da minha parte, pois a companhia aérea não havia sido informada em tempo hábil sobre a presença de um cadeirante no voo. Mas e o voo de volta? Todas as informações necessárias sobre minhas “necessidades especiais” já haviam sido informadas e mesmo assim desembarquei pelas escadas.

Algumas pessoas me disseram que passaram pelo mesmo problema, e que o Aeroporto de Campo Grande vem colocando “empecilhos” para utilizar o ambulift. Outros usuários já relataram ter utilizado o equipamento normalmente.

Independente de conhecermos as “estatísticas” da disponibilidade ou não do ambulift às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida no Aeroporto de Campo Grande, deixo aqui duas dicas que servirão até para mim: 1) Atente-se em informar sua deficiência à companhia aérea com antecedência, seja na compra da passagem ou fazendo o check-in pela internet; 2) Caso não seja disponibilizado o ambulift, faça uma reclamação formal à própria companhia aérea. Por mais que não seja algo “litigioso”, seu nome poderá ficar registrado no sistema e sua reclamação se juntará a outras reclamações semelhantes. Com isso, a tendência é que o serviço melhore, já que o ambulift está prontinho para ser utilizado.

Cobremos nossos direitos, mas façamos nossa parte! 😉


Leia também: Embarques e desembarques do Brasil aos Estados Unidos



Frederico Rios



4 ideias sobre “Ambulift do Aeroporto Internacional de Campo Grande

  1. Gostaria de sugerir que nas suas dicas fosse incluído que, nos casos semelhantes ao que infelizmente vc passou e relatou, tb fosse feito o registro formal da queixa à ANAC, através do telefone gratuito 163 ou do site da http://www.anac.gov.br, no campo fale com a ANAC. É um trabalho árduo, mas é por meio da provocação das instituições que poderemos ter mudanças de atendimento.

  2. Pingback: Ambulift: uma luta para conseguir e uma briga para utilizar! | Acessibilidade na Prática

  3. Viajo com meu filho cadeirante pelo menos a acada 2 meses e nunca conseguimos embarcar usando o ambulitf, Já segui todos os protocolos indicados para solicitar o uso do serviço mas nunca é disponibilizado. Acabamos de ir até São Paulo na data do dia 16/04/2017 e não foi disponibilizado o serviço.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *