Acessibilidade em eventos

Publicado em: 15.janeiro.2013

Por: Acessibilidade na Prática

Há algumas semanas, recebi um e-mail de uma seguidora assídua do blog, onde ela compartilhava comigo a alegria de ver a preocupação dos organizadores de um evento quanto à acessibilidade.


Foto: UOL


Com base na minha experiência como cadeirante e no que leio por aí sobre acessibilidade em eventos, expus meu ponto de vista sobre o assunto, o que gerou uma certa frustração por parte da minha amiga.

Segue abaixo nossa troca de e-mails, preservando o nome dela e do evento em questão.

Gostaria muito que vocês se manifestassem sobre o assunto, seja como profissional na área, pessoa com deficiência ou entusiasta da causa.

Abraços!


Frederico Rios

 



Prezado(a) Participante do “Seminário Tal”,

 
Estamos a poucos dias da realização do “Evento Tal” da “Universidade Tal”.
 
Nosso objetivo é receber os participantes com qualidade e oferecer um atendimento especial a todos.
 
Caso você precise de algum recurso especial (adaptação/acessibilidade) para melhor locomover-se ou comunicar-se durante o evento, por favor, envie-nos sua solicitação através do e-mail “tal”.
 
Cordialmente
 
Comissão Organizadora

 

 

Oi Fred!
 
Veja que legal esse exemplo de acessibilidade em eventos!

Sempre participo de congressos, seminários e outros eventos acadêmicos onde a acessibilidade é difícil até para quem não depende de muletas ou cadeira de rodas para se locomover.
 
Beijos!
 
 

 

Olá!
 
Bom, tratando desse assunto com uma pitada de radicalismo, acredito que a acessibilidade deveria ser simplesmente oferecida, “sem perguntar”, principalmente a acessibilidade física. Se um cadeirante, por exemplo, quiser participar do seminário e responda esse e-mail da organização, será que eles conseguirão mudar de local a tempo e sem transtornos caso este não seja acessível? E se pensarmos em um cadeirante como palestrante, a coisa fica ainda mais feia para quem está à frente da organização. Já soube de cada gafe que até senti vergonha alheia, rsrsrs.
 
Já a acessibilidade comunicacional (legendas, Libras, audiodescrição, etc), apesar de eu também achar “obrigatória”, acho bacana perguntar com antecedência, até porque devemos ter bom senso, pois tudo isso gera custo ao evento e fica complicado, por exemplo, ter a presença de um intérprete de Libras e não haver nenhum surdo participando.
 
Num evento aberto então (teatro, cerimônias, etc), onde não há como saber o “tipo de público” que estará presente, aí não tem outra alternativa: tem de haver uma acessibilidade mais completa possível. Eu mesmo já passei por vários constrangimentos no nosso Rubens Gil de Camillo, desde problemas para estacionar até para me acomodar e acompanhar o evento. E até por experiência própria, posso dizer que o atendimento ao público, quando bem feito, minimiza algumas falhas de acessibilidade que possam haver no local. Apesar de existirem pessoas com necessidades diferentes, todos querem ser tratados “igualmente” (eu, pelo menos, não me sinto bem em estar num evento acomodado numa posição de destaque, chamando a atenção das outras pessoas). 
 
Entendo que só de ter havido esta preocupação dos organizadores desse evento já foi muito legal! É um belo começo! Acho que é isso que importa. Afinal, não devemos ser tão radicais, né?
 
Beijos!
 
Fred

 

4 ideias sobre “Acessibilidade em eventos

  1. O Anhembi Parque é um dos espaços para eventos mais acessíveis no País.
    Especificamente na área da pessoa com deficiência, já realizamos 3 edições das Paralimpíadas Escolares e a 1ª Reabilitação 2012 – Feira & Fórum.
    Sou deficiente físico (tetraplégico), consultor em acessibilidade e cuido desta área na SPTuris, administradora do Anhembi Parque, Sambódromo e Autódromo de Interlagos.

  2. A acessibilidade em eventos ainda é um tema pouco gestado dentro dos debates sobre acessibilidade, dentro da USP onde trabalhamos de forma descentralizada cobrar quem faz e orientar quem queira tem sido um trabalho interessante.

    Existem pouquíssimas publicações sobre como pensar e fazer eventos acessíveis, em língua portuguesa só conheço um, e que não é especifico para eventos acadêmicos (segue o link).
     
    Guia de Acessibilidade em Eventos
    http://nstitutomaragabrilli.org.br/publicacoes
     
    Penso também que mesmo quando quem dirige o evento assume a inclusão como direito da pessoa com deficiência (e falamos da pequena parcela que não ignora os direitos do cidadão), falta experiência e organização.  Ficam latentes as pequenas minucias como por exemplo:  qualquer publicação ou texto  de apoio utilizado pelos palestrantes e entregue aos presentes deve ser previamente tratado e adequado as mídias em formato acessível que forem necessárias (Braille, Letra Ampliada, AudioBook, Daisy…) Power-Points e vídeos devem ser apresentados com alguma antecedência a equipe de audiodescrição; não é qualquer interprete de Libras que pode traduzir uma palestra sobre “A Mastectomia e a ressignificação do corpo feminino”  traduzir termos específicos de uma área da ciência pode ser um grande problema…
    Coisas assim acabam criando uma grande quantia  de ruído informacional.
     

  3. Interessante, eu gostaria que acessibilidade sensorial fosse obrigatória em todos os lugares para pessoas autistas, evitando excesso de sons, cheiros, luzes e não usando luzes que causam convulsões ou que sejam daquelas barulhentas.
    Mas na realidade, ninguém realmente liga para isso.

  4. Organizadores de eventos deveriam ter um manual de acessibilidade que descrevesse as deficiências e as formas de oferecer acessibilidade a cada uma delas.
    Penso que os espaços onde se fazem eventos, teatros, salas de conferências, salões de festas, etc devem ter equipamento básico  permanente como rampas, elevadores, piso tátil, banheiros acessíveis, sinalização visual que duplique os anúncios sonoros, amplificadores de indução magnética, etc.
    Profissionais de legendagem, intérpretes, audiodescritores devem ser convocados se na ocasição das inscrições surgirem pessoas com deficiência sensorial solicitando esses serviços.
    Eventos onde não haja inscrição prévia deveriam sim ter esses recursos disponíveis.
     

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *