Passagem livre

Certo dia, passei numa loja de roupas aqui de Campo Grande (MS) para efetuar a troca de um presente que havia ganhado de aniversário. Chegando lá, observei que o estacionamento da loja era sobre parte da calçada, então estacionei o carro na diagonal para que o mesmo não ficasse muito próximo do piso tátil.

Ao entrar na loja, a vendedora que me recebeu logo pediu para que eu “endireitasse” o carro, pois ali caberiam quatro veículos. Tentei explicar a ela que meu carro ficaria muito próximo do piso tátil, mas acabei cedendo à sua insistência e avancei com o carro o máximo para frente.

Quando entrei novamente na loja, outra cliente chegou e estacionou seu carro ao lado do meu, porém muito próximo do piso tátil. A vendedora pediu à cliente que estacionasse mais para frente, evitando assim o bloqueio do piso tátil, mas a resposta da “consciente” motorista foi a seguinte: “não vou demorar”.

No final das contas, a outra motorista ainda estava na loja quando saí.

Esse tipo de situação – que prejudica ou até impede a passagem das pessoas – infelizmente é bastante comum no cotidiano de muitos pedestres Brasil afora. Mau comportamento no trânsito, falta de estacionamentos, falta de planejamento urbano e execução de projetos mal elaborados são apenas algumas das causas dos grandes problemas de mobilidade enfrentados por quem circula à pé pelas cidades.

Neste post, utilizaremos a situação vivenciada por mim na loja de roupas para falar sobre a distância entre os objetos e o piso tátil, com base na norma técnica sobre piso tátil, a NBR 16537/2016.


pisoEsta é a calçada da loja. O revestimento da calçada não é o adequado, já que a pedra Miracema é irregular e causa trepidação, ou seja, mais um empecilho aos pedestres.

Meu carro é o branco, na parte esquerda-inferior da foto. O carro azul, ao lado do meu e mais superior na foto, é o da motorista que chegou depois de mim e se negou a estacionar mais para frente, mesmo comigo e a vendedora afirmando que seria falta de consciência da parte dela.


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Primeira edição da norma técnica sobre piso tátil

A NBR 9050 sempre contemplou a sinalização tátil no piso, porém há muito tempo existe a necessidade de um maior detalhamento nas especificações desta sinalização. Assim, foi criada a primeira edição da NBR 16537, Acessibilidade – Sinalização tátil no piso – Diretrizes para elaboração de projetos e instalação, lançada em 27 de junho de 2016.



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A seguir, elucidaremos alguns pontos importantes dessa norma, porém reforçamos a necessidade de lê-la e entendê-la detalhadamente.

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Dificuldades em alugar uma casa acessível

Quem possui algum tipo de deficiência, principalmente os cadeirantes, sabe como é difícil encontrar um imóvel já adaptado para alugar.


Se a ideia é morar em um prédio ou condomínio, a dificuldade é ainda maior, pois além da casa ou apartamento ser adaptado, a ideia é que todo o condomínio também seja, o que dificulta ainda mais a busca por este tipo de imóvel.

 

imóvel adaptado

Foto: Síndic de Greuges

 


Apesar da lei garantir que as edificações multifamiliares – como condomínios e conjuntos habitacionais – ofereçam acessibilidade em suas áreas comuns, na prática isso é algo difícil de se encontrar, especialmente em construções mais antigas.

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Acessibilidade em locais de hospedagem

Quem possui deficiência física ou sensorial, ou mesmo alguma dificuldade de locomoção, sabe como é complicado encontrar um local adequado para se hospedar. Qualquer viagem de lazer ou negócios demanda muita pesquisa e planejamento, tudo para evitar transtornos e até constrangimentos.

Em 2015, a atualização da NBR 9050 nos trouxe algumas novidades com relação à acessibilidade em locais de hospedagem, detalhando alguns aspectos que não eram mencionados na edição de 2004.

De acordo com a norma técnica, locais de hospedagem como hotéis, motéis, pousadas e similares – incluindo auditórios, salas de convenções, salas de ginástica, piscinas e outros – devem ser acessíveis a todas as pessoas.

Os dormitórios acessíveis com banheiros não podem estar isolados dos demais, mas sim distribuídos em toda a edificação, por todos os níveis de serviços e localizados em rota acessível. Dessa forma, o estabelecimento evitará a segregação das pessoas que necessitam de serviços e estruturas acessíveis.

hospedagem
Acima, na figura extraída da norma técnica, estão ilustradas algumas especificações do dormitório com banheiro. 

As dimensões do mobiliário dos dormitórios acessíveis devem ter condições de alcance manual e visual, e serem dispostos de forma a não obstruírem uma faixa livre mínima de circulação interna de 0,90 m de largura, prevendo área de manobras para o acesso ao banheiro, camas e armários. Deve haver pelo menos uma área, com diâmetro de no mínimo 1,50 m, que possibilite um giro de 360°, e a altura das camas deve ser de 0,46 m.

Quando forem previstos telefones, interfones ou similares, estes devem ser providos de
sinal luminoso e controle de volume de som, e as informações sobre a utilização desses equipamentos devem ser impressas em Braille, texto com letra ampliada e cores contrastantes para pessoas com deficiência visual e baixa visão, bem como devem estar disponíveis aos hóspedes.

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Alarmes

Os alarmes são equipamentos ou dispositivos capazes de alertar situações de emergência por estímulos visuais, táteis e sonoros. Devem ser aplicados em espaços confinados, como sanitários acessíveis, boxes, cabines e vestiários isolados.

 

alarme

Imagem: imovelweb.com



Nos quartos, banheiros e sanitários de locais de hospedagem, de instituições de idosos e de hospitais, devem ser instalados telefones e alarmes de emergência visuais, sonoros e/ou vibratórios.

Todo alarme ou componente que utiliza recursos elétricos deve estar de acordo com a ABNT NBR IEC 60529. As instalações elétricas devem atender o disposto na ABNT NBR 5410.

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Detalhes técnicos das barras de apoio

As lojas de materiais para construção oferecem diversos tipos de barras de apoio, mas será que todas as barras disponíveis no mercado atendem às especificações técnicas?

Muitos modelos de barras de apoio dificultam as transferências e colocam em risco a segurança dos usuários. Por isso, é muito importante seguir as recomendações da norma técnica.


Dimensões mínimas

Para evitar falhas e erros, a NBR 9050/2015, no ANEXO C, detalhou as posições e medidas que as barras de apoio devem contemplar em cada forma de instalação. Confira nas figuras abaixo:


a) Barra de apoio reta

barra

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