Boutique sensual inclusiva

Conseguir trabalho em tempos de recessão econômica é desafiador, e para quem tem deficiência o desafio é ainda maior. Mobilidade urbana deficitária, acessibilidade precária nos estabelecimentos, ausência de cultura inclusiva nas empresas e dificuldade para se qualificar são os fatores que mais atrapalham a vida de quem tem deficiência e sonha em melhorar de vida.

 

No entanto, alguns empreendedores “fora da curva” nos surpreendem positivamente ao abrirem suas empresas e suas mentes para a rica oportunidade de inserir alguém com deficiência nas suas equipes. É o caso da Labareda Boutique Sensual, que sob comando da Psicóloga Karina Brum, aceitou o desafio de contratar uma deficiente visual. Confira seu relato:

 

 

 

 

“A Labareda sempre buscou atender seus clientes com que há de melhor no segmento, priorizando discrição e inovação. Quando nos propusemos em contratar uma colaboradora com deficiência visual, tínhamos em mente proporcionar aos nossos clientes um atendimento mais “discreto”. Foi uma experiência desafiadora para nossa empresa e, principalmente, para mim. É muito mais tranquilo lidar com frustrações e dificuldades de pessoas que “enxergam”. Esta colaboradora superou todas as minhas (as nossas) expectativas. Dona de uma memória fenomenal, ela recebeu o mesmo treinamento dado às outras atendentes, e acredite, ela aprendeu tudo em menos de dez dias! Pessoas videntes ou “normais” – como algumas pessoas desinformadas insistem em dizer – demoram em média quatro meses para alcançar essa “proeza”. Ela conseguiu aprender, estudar e assimilar todas as informações em menos de quinze dias! Ela mesmo nos ensinou a etiquetar em braille os produtos. Alcançamos um mercado nunca antes atingido. Tivemos um aumento no número de clientes com deficiência e, como era esperado, os clientes do gênero masculino se sentiam muito mais à vontade em serem atendidos por ela do que pelas vendedoras que enxergam. Foi uma experiencia gratificante e enriquecedora. Aprendemos muito com essa colaboradora, uma menina batalhadora e de um bom humor invejável. Nada a tirava do sério, a não ser quando ela “se esquecia” de algum detalhe do tipo: falar com o cliente olhando pra ele. Ela se sentia mal quando não conseguia interagir com o cliente no campo sonoro e visual. Ela era muito vaidosa, uma mulher com “M” maiúsculo, e pasme: seu setor preferido para atender e vender era o de artigos fetichistas. Ela aprendeu mais de trinta tipos de nós da técnica de Shibari. Minhas funcionárias até hoje só sabem quatro (risos nervosos). Gostaria de ainda tê-la conosco, mas pessoas bem qualificadas como ela crescem e batem asas. Sentimos muito orgulho e alegria quando falamos dessa colaboradora, que nos trouxe dias de luz, de paz e, certamente, de boas vendas!”

Analisando pequenos exemplos como este, percebemos que pessoas com deficiência não precisam de “assistência” ou “favores”, mas de OPORTUNIDADES. Qualquer pessoa pode adquirir conhecimentos técnicos, principalmente se o lado humano estiver “em dia”, mas para isso é necessário proporcionar um ambiente de trabalho adequado, onde “todos” possam expressar suas potencialidades e concorrer entre si em igualdade de condições.

 

 

Leia também: Cartilha Negócios Acessíveis

 


Maria Alice e Frederico Rios


Táxi Preto Acessível

Em fevereiro de 2013, experimentei o Táxi Acessível em São Paulo e relatei minha experiência aqui no blog. Hoje, quatro anos depois, pouca coisa mudou no serviço, inclusive o número de veículos disponíveis, todos do modelo Doblò.

Para minha surpresa, em fevereiro de 2017, ao chamar o primeiro táxi disponível na frente do hotel onde estava hospedado em São Paulo, fui atendido por uma unidade do Táxi Preto Acessível, um novo serviço de táxi adaptado oferecido na cidade de São Paulo desde o início de 2016 (acho que só eu ainda não sabia da novidade 😀 ). 


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De acordo com os próprios motoristas, a cooperativa possui uma frota de aproximadamente 250 veículos modelo Spin, todos adaptados para transportar cadeirantes sem a necessidade de desmontar ou descer de suas cadeiras de rodas.


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Brincar pede acessibilidade

Após um passeio normal de sábado, comecei a observar e refletir sobre algumas questões…

Eu e meu marido, que é cadeirante, resolvemos levar nossa sobrinha para passear num sábado à tarde, e elegemos como destino um dos shoppings da cidade, pois sabíamos que lá haveria vagas de estacionamento reservadas e cobertas, diversos locais para lanchar e opções de diversão para crianças.


Assim que chegamos, nossa sobrinha se encantou por um trenzinho que passeava com as crianças pelos corredores do shopping. Como ela ainda é pequena, tive de acompanhá-la num dos pequeninos (e apertados) vagões, já que não havia monitores para acompanhar as crianças.


Vagão tremNa foto acima, vemos o interior do vagão escolhido por nossa sobrinha. Esse era coberto, mas havia alguns outros sem cobertura (menos apertados). Não foi nada fácil nem confortável entrar e sair do vagão, mas devemos lembrar que se trata de uma estrutura para crianças. Entretanto, eu me pergunto: é seguro deixar as crianças irem sozinhas nesse brinquedo? 

De todo modo, eu a acompanhei para evitar qualquer incidente, e observei que pessoas com sobrepeso, mais altas, cadeirantes ou com alguma deficiência seriam impossibilitadas de acompanhar uma criança, além de que crianças com essas mesmas características também seriam privadas de se divertirem.


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Pescaria “adaptada” no Pantanal

Por morar minha vida inteira no Mato Grosso do Sul, vez ou outra eu programava uma pescaria com amigos ou familiares num dos diversos rios do nosso estado, mas confesso que pescar nunca esteve entre minhas melhores habilidades antes de me tornar tetraplégico. Tenho amigos muito mais “tarados” por pescaria do que eu, alguns até cadeirantes, que sempre dão um jeitinho de passar horas ou até dias no mato pescando.

 

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Foto: 7 Dias à Toa



Nos últimos anos, o “turismo acessível” ou “adaptado” vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil, especialmente o Ecoturismo e o Turismo de Aventura. Algumas cidades como Socorro (SP) e Bonito (MS) já possuem certa estrutura para receber pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, mas devemos reconhecer que é muito difícil proporcionar total autonomia em passeios onde há matas, rios, tirolesas, bote inflável e escaladas. Nesses casos, o atendimento e o monitoramento por pessoas treinadas é imprescindível.

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Ambulift: uma luta para conseguir e uma briga para utilizar!

Sempre gostei de estrada, conhecer lugares diferentes e fazer novas amizades, mas antes do meu acidente eu era muito mais “viajador” do que sou hoje. Devido à minha dificuldade de locomoção, penso umas dez vezes antes mesmo de começar a planejar uma viagem, especialmente se for de avião. Se para um “ser normal” já não é fácil encarar aeroportos com estrutura deficiente e serviços ruins, imagina para um tetraplégico. Os perrengues são diversos, mas certamente os maiores transtornos ocorrem nos embarques e desembarques.

O Aeroporto de Campo Grande demorou uma “eternidade” para disponibilizar o tão sonhado ambulift aos seus usuários, e depois de tanta espera, pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida nem sempre podem usufruir desse equipamento, que além de estar de acordo com as normas da ANAC, oferece um embarque muito mais seguro e confortável naqueles aeroportos onde não há finger.

Sempre que vou embarcar ou desembarcar em Campo Grande fico esperando pelo velho procedimento de ser carregado na minha própria cadeira de rodas ou em alguma daquelas cadeiras mecanizadas que sobem escadas. Porém, nas minhas duas últimas viagens, fiquei com “aquela expectativa” de usar o ambulift, pois sabia que o aeroporto já contava com o equipamento, mas fiquei só na vontade. Justificativas pouco convincentes não faltaram por parte da companhia aérea, apesar da responsabilidade, no caso do Aeroporto de Campo Grande, ser da INFRAERO.


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Diferentemente das outras vezes, nessa eu resolvi tomar um atitude diferente ao invés de apenas reclamar com a companhia: fiz uma reclamação à INFRAERO e formalizei uma denúncia no Ministério Público Federal, que em abril passou a disponibilizar o “SAC MPF”, um aplicativo pelo qual você pode fazer denúncias e obter várias informações.

Acho que cansei de ser pacífico e tentar resolver esse tipo de problema sempre “numa boa”. Se você também está cansado, reclame seus direitos e denuncie esse tipo de irregularidade aos órgãos competentes:
“SAC MPF” – Aplicativo do Ministério Público Federal

Site do Ministério Público Federal

Ouvidoria da INFRAERO

Ouvidoria da ANAC

 

Tanto a reclamação à INFRAERO quanto a denúncia no MPF foram realizadas no dia 21/09/2016 via internet. Assim que tiver qualquer novidade, atualizarei este post e informarei nas nossas redes sociais.


Leia também: Ambulift do Aeroporto Internacional de Campo Grande


Abraços!!!


Frederico Rios


Atualizações sobre o caso

21/09/2016 – Denúncias ao MPF/MS e INFRAERO por meio dos seus respectivos sites:

Descrição da manifestação


Sou tetraplégico, portanto usuário de cadeira de rodas. Em 11/09/2016, tomei o voo JJ3611 da TAM com destino a São Paulo (Aeroporto de Guarulhos). Mesmo tendo feito check-in com mais de duas horas de antecedência e tendo informado à companhia aérea sobre minhas condições de mobilidade, inclusive apresentando o MEDIF para desconto no preço da passagem da minha cuidadora, o embarque no Aeroporto Internacional de Campo Grande foi realizado por meio de uma cadeira mecanizada, sendo que a INFRAERO possui um ambulift disponível no aeroporto. Essa forma de embarque, além de insegura, não atende às normas de segurança e de acessibilidade estabelecidas pela ANAC.


O mesmo fato ocorreu quando desembarquei de volta em Campo Grande, no voo JJ3592 da TAM, dia 16/09/2016.


Desde que o ambulift foi disponibilizado no Aeroporto de Campo Grande, não utilizei o equipamento em nenhuma outra viagem que fiz, porém não tenho informações detalhadas dos respectivos voos para compor esta denúncia.



Solicitação


Solicito que a INFRAERO seja responsabilizada e faça o uso do ambulift sempre que necessário. Solicito também que as companhias aéreas seja fiscalizadas se estão ou não solicitando o equipamento à INFRAERO.



23/09/2016 – Resposta da INFRAERO por e-mail, dizendo que eu deveria fazer uma reclamação à ANAC:


“Prezado Senhor,


Em atenção ao Relato de Atendimento Nº 6104/2016, ouvida a Superintendência do Aeroporto Internacional de Campo Grande, por meio do despacho registrado no Sistema de Ouvidoria, fomos assim informados: “Esclarecemos a V.Sa. que o órgão responsável pela regulamentação e fiscalização dos serviços de competência das companhias aéreas é a Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC. Assim sendo, caso tenha interesse, registre a sua manifestação naquela agência, por meio do link www.anac.gov.br/falecomaanac ou pelo telefone 163, para as devidas providências. A ANAC orienta que antes de registrar uma reclamação é recomendável procurar a empresa que prestou o serviço e obter o número de protocolo de atendimento”.


Ouvidoria da INFRAERO”


23/09/2016 – Reclamação à INFRAERO pelo Twitter:

tweet-para-anac-23-09-2016

 


Link do tweet: https://twitter.com/Fred_Rios/status/779295355095646208

 


28/09/2016
– Resposta da INFRAERO pelo Twitter (via mensagem direta), dizendo que a companhia aérea, no caso a TAM, não solicitou o ambulift para ser utilizado nos voos mencionados por mim:

“Bom dia, Frederico! Ratificamos que o órgão regulador que fiscaliza os serviços de competência das empresas aéreas é a Agência de Aviação Civil – ANAC, que através da Resolução nº280/Anac determina que a empresa aérea deve prestar, tempestivamente, as informações de embarque e desembarque de PNAE para fins de alocação da aeronave em ponte de embarque ou provimento de equipamento de ascenso e descenso ou rampa (Art. 20 e 21).

Porém, em que pese a comunicação do senhor passageiro à empresa aérea acerca de suas condições de mobilidade, esclarecemos que a Infraero não recebeu informação, por parte daquela empresa, de embarque de passageiro com necessidade de assistência especial nos voos JJ3611, de 11/09/2016 e JJ3592, de 16/09/2016.

Salientamos que a Infraero dispõe de um equipamento ambulift na localidade, que estava operacional e disponível para uso por parte das empresas aéreas que solicitassem o atendimento, porém, o equipamento não foi solicitado nos dias dos referidos voos, tendo a empresa aérea optado por atender ao passageiro com a cadeira motorizada.

Esclarecemos ainda que, conforme § 2º do Artigo 20 da Resolução 280/Anac, transcrito abaixo, é facultado à empresa aérea operar seu próprio equipamento:

“Art. 20 – O embarque e o desembarque do PNAE que dependa de assistência do tipo STCR, WCHS ou WCHC devem ser realizados preferencialmente por pontes de embarque, podendo também ser realizados por equipamento de ascenso e descenso ou rampa.
(…)
§ 2º É facultado ao operador aéreo disponibilizar e operar seu próprio equipamento de ascenso e descenso ou rampa”.


Continuamos à disposição.


Equipe Infraero”

Para visualizar a tela do Twitter contendo a mensagem acima, clique aqui.


28/09/2016 – Denúncia do mesmo caso à TAM e à ANAC.

18/11/2016 – Resposta do MPF-MS por e-mail:

Ref. Representação n.° PR-MS-00021250/2016


Prezado Frederico Souto Machado Rios,


De ordem da Excelentíssima Procuradora da República Cinara Bueno Santos Pricladnitzky, informo que a manifestação em epígrafe foi juntada aos autos do Inquérito Civil nº 1.21.000.001252/2014-84, por inserir no objeto de tal procedimento, qual seja: “Apurar possíveis irregularidades no que se refere à acessibilidade no Aeroporto Internacional de Campo Grande, por parte da INFRAERO – Empresa de Transporte Aéreo”.


Atenciosamente,


Ministério Público Federal

Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão
Fone (67) 3312-7266
OTCO
PR-MS-00026057/2016


01/12/2016 – Resposta da TAM por e-mail:

Olá Sr. Frederico,


Recebemos seu contato relatando o ocorrido em sua viagem de Campo Grande a São Paulo, em 11/09 e no desembarque de seu voo de São Paulo a Campo Grande, em 16/09.


Informamos que cadeirantes têm prioridade no embarque e desembarque e podem contar com o serviço de ambulift, quando disponível.


Recomendamos que o passageiro informe sua condição no momento do check-in para providenciarmos todo o equipamento necessário.


Pedimos desculpas pelo tratamento oferecido. Realizamos treinamentos intensos com nossos funcionários de linha de frente (equipes de voo e solo) para atendimento aos passageiros com necessidades especiais e para que estejam sempre prontos para auxiliar no que for preciso.


Avaliamos frequentemente estes atendimentos, para verificarmos oportunidades de melhorias e assim proporcionar uma viagem mais agradável a nossos clientes. Saiba que as equipes envolvidas foram alertadas.


Permanecemos à disposição caso note alguma irregularidade e esperamos que em suas próximas viagens conosco possamos lhe atender de forma adequada e com a qualidade que o senhor merece.


Atenciosamente,


Luciana Lopes | Fale com a Gente

LATAM Airlines

 

Aventurando-se na Megatirolesa do Rio Quente Resorts

Em 2015, meu marido e eu viajamos até o interior de Goiás para passar o réveillon no Rio Quente Resorts. Dentre as diversas opções de entretenimento do parque, resolvemos nos aventurar na mais radical delas, a Megatirolesa, com 40 m de altura e 1100 m de extensão. 🙂

Reservamos nosso passeio na recepção do hotel, já adiantando à recepcionista que meu marido era cadeirante (tetraplégico). No mesmo instante, a recepcionista entrou em contato com os monitores da Megatirolesa, os quais informaram que isso não seria um problema e que outros cadeirantes já haviam feito a travessia.

No dia e hora marcados, nos dirigimos até o ponto de encontro indicado na aquisição do passeio, onde fomos apresentados aos monitores e nos juntamos aos outros turistas. Esse ponto de encontro era dentro do complexo e relativamente próximo do nosso hotel, então fomos à pé mesmo.


No carroPara chegar ao início da tirolesa, tivemos que nos deslocar em um jipe antigo e sem adaptações, porém os monitores foram solícitos para nos ajudar. Meu marido e eu explicamos a melhor forma de realizar a transferência da cadeira de rodas para o jipe e deu tudo certo! 😉 


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