A mesa dos sonhos de todo cadeirante!

Entre os vários perrengues que passo por ser cadeirante, um dos que mais me tiram do sério é a falta de mesas acessíveis para fazer uma simples refeição. São raros os restaurantes, lanchonetes e praças de alimentação onde consigo me acomodar adequadamente com a cadeira de rodas, sendo necessário, muitas vezes, ficar de lado na mesa, me posicionar muito distante da comida ou até mesmo pedir ajuda para outra pessoa, já que não tenho destreza nas mãos. 


Pode parecer inofensivo, mas experimente sentar numa cadeira de rodas e se aproximar de uma daquelas mesinhas com apoio central, comum em lanchonetes, ou então de uma mesa de plástico. É terrível! 

Continue lendo

Protegendo o carango

Definitivamente, o brasileiro é um apaixonado por carro. Antes mesmo de sonharmos com a casa própria já estamos ralando para comprar um automóvel, pois na pior das hipóteses podemos morar dentro dele 😀 , e num país onde a acessibilidade e a mobilidade urbana estão longe do razoável, pessoas com deficiência ou dificuldade de locomoção movem montanhas para adquirir um meio de locomoção.


 


O que poucas pessoas se atentam é que nós, mortais com deficiência, também podemos gostar de carro. Não tem essa de “pode ser de qualquer cor” ou “pode pegar emprestado e devolver quando quiser”. No entanto, é complicado cuidarmos do veículo de maneira adequada justamente pela nossa falta de mobilidade, e no caso dos cadeirantes, manusear a cadeira de rodas acaba estragando a pintura e o estofado, e acabamos desencanando de cuidar do carro.

Neste post, mostrarei a maneira que encontrei para evitar que a cadeira de rodas estragasse o carro da minha esposa. São soluções simples e que podem ser aplicadas em qualquer carro. Confira!


Continue lendo

Boutique sensual inclusiva

Conseguir trabalho em tempos de recessão econômica é desafiador, e para quem tem deficiência o desafio é ainda maior. Mobilidade urbana deficitária, acessibilidade precária nos estabelecimentos, ausência de cultura inclusiva nas empresas e dificuldade para se qualificar são os fatores que mais atrapalham a vida de quem tem deficiência e sonha em melhorar de vida.

 

No entanto, alguns empreendedores “fora da curva” nos surpreendem positivamente ao abrirem suas empresas e suas mentes para a rica oportunidade de inserir alguém com deficiência nas suas equipes. É o caso da Labareda Boutique Sensual, que sob comando da Psicóloga Karina Brum, aceitou o desafio de contratar uma deficiente visual. Confira seu relato:

 

 

 

 

“A Labareda sempre buscou atender seus clientes com que há de melhor no segmento, priorizando discrição e inovação. Quando nos propusemos em contratar uma colaboradora com deficiência visual, tínhamos em mente proporcionar aos nossos clientes um atendimento mais “discreto”. Foi uma experiência desafiadora para nossa empresa e, principalmente, para mim. É muito mais tranquilo lidar com frustrações e dificuldades de pessoas que “enxergam”. Esta colaboradora superou todas as minhas (as nossas) expectativas. Dona de uma memória fenomenal, ela recebeu o mesmo treinamento dado às outras atendentes, e acredite, ela aprendeu tudo em menos de dez dias! Pessoas videntes ou “normais” – como algumas pessoas desinformadas insistem em dizer – demoram em média quatro meses para alcançar essa “proeza”. Ela conseguiu aprender, estudar e assimilar todas as informações em menos de quinze dias! Ela mesmo nos ensinou a etiquetar em braille os produtos. Alcançamos um mercado nunca antes atingido. Tivemos um aumento no número de clientes com deficiência e, como era esperado, os clientes do gênero masculino se sentiam muito mais à vontade em serem atendidos por ela do que pelas vendedoras que enxergam. Foi uma experiencia gratificante e enriquecedora. Aprendemos muito com essa colaboradora, uma menina batalhadora e de um bom humor invejável. Nada a tirava do sério, a não ser quando ela “se esquecia” de algum detalhe do tipo: falar com o cliente olhando pra ele. Ela se sentia mal quando não conseguia interagir com o cliente no campo sonoro e visual. Ela era muito vaidosa, uma mulher com “M” maiúsculo, e pasme: seu setor preferido para atender e vender era o de artigos fetichistas. Ela aprendeu mais de trinta tipos de nós da técnica de Shibari. Minhas funcionárias até hoje só sabem quatro (risos nervosos). Gostaria de ainda tê-la conosco, mas pessoas bem qualificadas como ela crescem e batem asas. Sentimos muito orgulho e alegria quando falamos dessa colaboradora, que nos trouxe dias de luz, de paz e, certamente, de boas vendas!”

Analisando pequenos exemplos como este, percebemos que pessoas com deficiência não precisam de “assistência” ou “favores”, mas de OPORTUNIDADES. Qualquer pessoa pode adquirir conhecimentos técnicos, principalmente se o lado humano estiver “em dia”, mas para isso é necessário proporcionar um ambiente de trabalho adequado, onde “todos” possam expressar suas potencialidades e concorrer entre si em igualdade de condições.

 

 

Leia também: Cartilha Negócios Acessíveis

 


Maria Alice e Frederico Rios


Táxi Preto Acessível

Em fevereiro de 2013, experimentei o Táxi Acessível em São Paulo e relatei minha experiência aqui no blog. Hoje, quatro anos depois, pouca coisa mudou no serviço, inclusive o número de veículos disponíveis, todos do modelo Doblò.

Para minha surpresa, em fevereiro de 2017, ao chamar o primeiro táxi disponível na frente do hotel onde estava hospedado em São Paulo, fui atendido por uma unidade do Táxi Preto Acessível, um novo serviço de táxi adaptado oferecido na cidade de São Paulo desde o início de 2016 (acho que só eu ainda não sabia da novidade 😀 ). 


2017-02-17 20.18.09

De acordo com os próprios motoristas, a cooperativa possui uma frota de aproximadamente 250 veículos modelo Spin, todos adaptados para transportar cadeirantes sem a necessidade de desmontar ou descer de suas cadeiras de rodas.


Continue lendo

Brincar pede acessibilidade

Após um passeio normal de sábado, comecei a observar e refletir sobre algumas questões…

Eu e meu marido, que é cadeirante, resolvemos levar nossa sobrinha para passear num sábado à tarde, e elegemos como destino um dos shoppings da cidade, pois sabíamos que lá haveria vagas de estacionamento reservadas e cobertas, diversos locais para lanchar e opções de diversão para crianças.


Assim que chegamos, nossa sobrinha se encantou por um trenzinho que passeava com as crianças pelos corredores do shopping. Como ela ainda é pequena, tive de acompanhá-la num dos pequeninos (e apertados) vagões, já que não havia monitores para acompanhar as crianças.


Vagão tremNa foto acima, vemos o interior do vagão escolhido por nossa sobrinha. Esse era coberto, mas havia alguns outros sem cobertura (menos apertados). Não foi nada fácil nem confortável entrar e sair do vagão, mas devemos lembrar que se trata de uma estrutura para crianças. Entretanto, eu me pergunto: é seguro deixar as crianças irem sozinhas nesse brinquedo? 

De todo modo, eu a acompanhei para evitar qualquer incidente, e observei que pessoas com sobrepeso, mais altas, cadeirantes ou com alguma deficiência seriam impossibilitadas de acompanhar uma criança, além de que crianças com essas mesmas características também seriam privadas de se divertirem.


Continue lendo

Pescaria “adaptada” no Pantanal

Por morar minha vida inteira no Mato Grosso do Sul, vez ou outra eu programava uma pescaria com amigos ou familiares num dos diversos rios do nosso estado, mas confesso que pescar nunca esteve entre minhas melhores habilidades antes de me tornar tetraplégico. Tenho amigos muito mais “tarados” por pescaria do que eu, alguns até cadeirantes, que sempre dão um jeitinho de passar horas ou até dias no mato pescando.

 

pescaria_no_pantanal

Foto: 7 Dias à Toa



Nos últimos anos, o “turismo acessível” ou “adaptado” vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil, especialmente o Ecoturismo e o Turismo de Aventura. Algumas cidades como Socorro (SP) e Bonito (MS) já possuem certa estrutura para receber pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, mas devemos reconhecer que é muito difícil proporcionar total autonomia em passeios onde há matas, rios, tirolesas, bote inflável e escaladas. Nesses casos, o atendimento e o monitoramento por pessoas treinadas é imprescindível.

Continue lendo