Sanitário acessível da Casa Cor MS 2016

Publicado em: 02.novembro.2016

Por: Acessibilidade na Prática

A Arquiteta Paula Magalhães assinou o ambiente Banho Público, exposto na Casa Cor MS 2016. Além de fazer parte da mostra, este ambiente também foi utilizado pelos visitantes durante o evento, principalmente por estar próximo ao restaurante.

O Banho Público foi subdividido em três ambientes: sanitário masculino, sanitário feminino e sanitário unissex acessível. Confiram a seguir alguns detalhes do sanitário acessível!

 

01Esta é a parede da entrada do ambiente, contendo o Símbolo de Sanitário Feminino, o Símbolo Internacional de Acesso, o Símbolo de Sanitário Masculino e alguns quadros.

Apesar dos símbolos utilizados nesta sinalização estarem representados nos formatos corretos, as cores não estão de acordo com as recomendações técnicas. Os pictogramas pretos sobre a parede verde escura dificultam a visualização.


02A porta do sanitário possui largura satisfatória, permitindo a passagem de uma cadeira de rodas. Entretanto, a abertura da porta é para o interior do sanitário, prejudicando o espaço interno e contrariando um importante critério de segurança: o desmonte da porta pelo lado externo em caso de emergência. Também não há barra horizontal na face interna da porta.

Não há sinalização tátil adjacente à porta. A única sinalização é o Símbolo Internacional de Acesso que, por estar na porta de um Sanitário Unissex Acessível, deveria estar associado aos símbolos de Sanitário Masculino e Sanitário Feminino. Essa associação de símbolos também deveria estar presente na sinalização mostrada na foto anterior.

Mesmo estando legível, esta representação do Símbolo Internacional de Acesso também não está de acordo com as cores determinadas pela norma técnica. Neste caso, temos um pictograma preto sobre um fundo de madeira (material da porta), enquanto o correto seria estar sobre um fundo azul ou branco.


03A maçaneta da porta é do tipo alavanca, facilitando sua utilização por pessoas sem força ou destreza nas mãos.


04A pia possui área livre inferior, permitindo a aproximação frontal de uma pessoa em cadeira de rodas. No entanto, há dois vasos de plantas debaixo da pia, impedindo a utilização do lavatório por um cadeirante. De acordo com a acadêmica que nos apresentou o ambiente, os vasos foram colocados para disfarçar o encanamento, mas se tratando de um banheiro funcional (utilizado durante a mostra), os responsáveis deveriam buscar outra solução para o problema.

Não há barra de apoio junto ao lavatório.

O espelho sobre a pia é grande e está posicionado verticalmente, permitindo uma boa visualização por cadeirantes e pessoas de baixa estatura.

A papeleira está instalada numa posição e numa altura de fácil alcance.


05A saboneteira e outros recipientes são móveis e estão alocados sobre a pia, próximos ao espelho. Dessa forma, além de proporcionar bom alcance, evita que o sabonete respingue no chão e torne o piso escorregadio.

O mecanismo da saboneteira é de fácil manuseio, bastando pressionar a parte superior da válvula.

A torneira permite bom alcance e oferece um bom espaço entre sua saída de água e a pia, entretanto seu acionamento é muito difícil. O mecanismo de abertura deste modelo de torneira acompanha o formato da peça, que é quadrado. Seu formato, somado à pouca superfície de contato, torna praticamente impossível a abertura da torneira por pessoas sem força ou destreza nas mãos, especialmente se as mãos estiverem com sabonete.


06A bacia sanitária possui altura satisfatória. Vale ressaltar que o modelo escolhido não possui recorte frontal que, ao contrário do que muitos pensam, não é exigido pela norma técnica e não agrada à grande maioria dos usuários.

Há barras de apoio na parede lateral e posterior da bacia sanitária, aparentemente posicionadas de maneira correta, mas não medimos sua altura.

A válvula da descarga é de fácil acionamento, feito por botão. No momento da nossa visita, fomos informados que estava faltando uma peça da válvula, em formato de alavanca e fixada no botão, o que facilita ainda mais o seu acionamento.

O modelo da lixeira é acessível, mas está atrapalhando a circulação e a área de transferência. Para solucionar este problema, bastaria colocá-la entre a bacia e a parede lateral.

A papeleira, por não ser embutida, deveria estar a 1,00 m de altura e alinhada à borda frontal da bacia sanitária.

O espaço interno é suficiente para realizar transferências lateral, perpendicular e diagonalmente, mas é prejudicado por uma mesa de vidro redonda, algo fácil de se resolver.

De um modo geral, o sanitário peca na iluminação. Apesar de agradar algumas pessoas, a utilização de cores escuras e pouca iluminação prejudicam principalmente os idosos e pessoas com determinados tipos de baixa visão. Cores mais contrastantes e um pouco mais de iluminação tornaria este sanitário bem mais acessível visualmente.


Finalizando…

Apesar de não ser o “foco” da mostra, é muito gratificante ver na Casa Cor um ambiente pensado para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Mesmo pecando em alguns critérios técnicos e demonstrando pouca intimidade com o “mundo” da acessibilidade, a Arquiteta Paula Magalhães merece nossos cumprimentos pela iniciativa e por encarar esse desafio, elaborando um ambiente diferente, criativo e fora dos “padrões”, mostrando que acessibilidade não é sinônimo de fealdade ou desarmonia.

Até a próxima Casa Cor MS!!!


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Frederico Rios


Fotos: Maria Alice Furrer (06/10/2016)



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