Rebaixamentos de guia

Publicado em: 11.maio.2011

Por: Acessibilidade na Prática

O rebaixamento de guia (ou de calçada) junto às faixas de travessia de pedestres é um recurso que altera as condições normais da calçada, melhorando a acessibilidade aos pedestres em geral, aos portadores de deficiência ou com mobilidade reduzida e aos que portam carrinhos de mão ou grandes volumes de carga, quando pretendem efetuar a travessia de uma rua ou pista. (Fonte: www.ebah.com.br)

Estivemos passeando pelo Centro de Campo Grande, observando alguns rebaixamentos e conversando com a população. Confiram o que encontramos!


Av. Fernando Corrêa da Costa esquina com Rua 13 de Maio

– Cruzamento com rebaixamentos apenas em algumas guias, os quais não possuem manutenção nem estrutura adequada.








– Presença de rebaixamento de guia junto à faixa de travessia de pedestres, porém em péssimo estado de conservação. O revestimento do piso é praticamente inexistente, com pedras e pisos soltos, rachaduras e desníveis, oferecendo grande risco à segurança dos pedestres; /

– Não há outro rebaixamento de guia na calçada oposta (como um cadeirante ou idoso, por exemplo, poderá atravessar a via e subir na calçada do outro lado da rua?);

– Além do péssimo estado de manutenção da superfície do piso da calçada e do rebaixamento, existe um grande desnível entre o final do rebaixamento e o asfalto, oferecendo risco de queda para cadeirantes, pessoas com bengalas e até mesmo pedestres sem nenhuma deficiência;

– Não há sinalização tátil de alerta no rebaixamento nem sinalização tátil direcional em toda a extensão da calçada;

– Ausência de abas laterais nos rebaixamentos, as quais deveriam ter projeção horizontal mínima de 50 cm, podendo ser dispensadas quando ao lado dos rebaixamentos existirem obstáculos;

– A calçada garante a faixa livre de circulação além do espaço ocupado pelo rebaixamento (entre 0,80 m e 1,20 m), porém a superfície do piso está totalmente inadequada. /


– Presença de rebaixamento de guia em apenas um lado da faixa de pedestres. A esquina oposta não possui rebaixamento e ainda apresenta bueiros que oferecem risco à segurança dos pedestres;/

– O revestimento da calçada está sem manutenção (rachaduras) e o rebaixamento da guia é desnivelado em relação ao leito carroçável (asfalto/rua), provocando trepidação na cadeira de rodas;

– O rebaixamento está localizado junto à faixa de travessia de pedestres, mas não há sinalização tátil de alerta em cor contrastante ao do piso. /


– Como há um rebaixamento no lado oposto desta via, o outro deveria estar localizado nesta área para estarem alinhados entre si;

– Calçada com falta de manutenção, obstáculos suspensos (lixos) sem sinalização, pedras soltas e não há o rebaixamento da guia. A presença desses bueiros pode causar acidentes tanto para “andantes” como para pessoas com deficiência (cegos, cadeirantes e outros).


Rua 14 de Julho esquina com Rua Dom Aquino

– A superfície do piso do rebaixamento de guia está totalmente inadequada, com rachaduras, buracos, pedras soltas e acúmulo de água. Todos estes fatores contribuem para aumentar o risco de acidentes. Neste ponto, os pedestres não utilizam o rebaixamento, pois preferem subir pelo meio fio. Entretanto, como um cadeirante irá transpor este obstáculo?;

– Os rebaixamentos de guia estão localizados junto à travessia de pedestres, porém não estão alinhados entre si; /

– Ausência de sinalização tátil adequada no local;

– Presença de desnível entre o final do rebaixamento e o asfalto.


– Ausência de rebaixamento de guia. A superfície do piso da calçada está inadequada, apresentando rachaduras, buracos e tampas de esgoto sem superfície antiderrapante;

– A foto ilustra a área que o pedestre deve utilizar para a travessia da via, área esta em péssimo estado de conservação. O piso da calçada não tem continuidade, existem pisos soltos e o asfalto também apresenta desníveis (Notem que existe um cadeirante na esquina, o qual trabalha vendendo cartelas de sorteios. Pelas condições das calçadas, ruas e rebaixamentos, esta pessoa tem um grande gasto energético e pouquíssima segurança para transitar neste local).


– Presença de rebaixamento de guia, porém não há sinalização tátil de alerta, instalada perpendicularmente ao sentido de deslocamento, em cor contraste com a do piso; /

– Superfície do piso da calçada e do rebaixamento de guia com piso e pedras soltos. Também há rachaduras e buracos, e as grelhas estão soltas;

– Há rebaixamento na via oposta e ambos são alinhados entre si, junto à faixa de pedestres, porém possuem desnível entre o final do rebaixamento e a superfície do asfalto. /


Rua 14 de Julho esquina com Rua Barão do Rio Branco




– Apesar de estar sinalizado, não existe rebaixamento de guia junto à faixa de pedestres, pois o meio fio ainda é elevado, não havendo nenhuma inclinação que vai até o asfalto. Na verdade ainda existe meio fio, um pouco mais baixo do que os do resto da extensão da calçada;

– Junto à faixa de travessia de pedestres, onde o meio- fio está um pouco mais baixo, existe uma grelha, que deveria ser evitada em rotas acessíveis (imaginem se o pedestre desce o meio fio e prende o pé na grelha?);

– Esta calçada possui composição de sinalização tátil de alerta e direcional, indicando mudança de direção, mas em relação ao rebaixamento (ausente) não há nenhuma sinalização (já que a reforma da calçada não é antiga, por que não foi construído um rebaixamento de guia adequado?). /


Av. Afonso Pena equina com Rua 14 de Julho

– Presença de rebaixamento de guia alinhado ao do canteiro divisor de vias (lado oposto da foto);

– O canteiro existente nesta esquina está desnivelado, com buracos, rachaduras e seu revestimento está desgastado (Novamente os pedestres não estão utilizando o rebaixamento de guia, mas sim o meio fio, que está em melhores condições. E se o pedestre for um cadeirante?);

– Ausência de sinalização tátil de alerta indicando a presença de rebaixamento de guia.





– Presença de rebaixamento de guia (a foto não ilustra, mas este rebaixamento está alinhado com o da via oposta);

– Inclinação do rebaixamento de guia está excedente, dificultando a subida de um cadeirante ou do pedestre com mobilidade reduzida, por exemplo;

– Como nos outros rebaixamentos, neste também não há abas laterais com projeção horizontal mínima de 0,50 m;

– Presença de desnível entre o final do rebaixamento e o asfalto, além de a superfície do piso apresentar buracos e rachaduras, dificultando a travessia de pedestres e oferecendo risco à segurança;

– Sinalização tátil direcional e de alerta presentes, permitindo a localização do início e final do rebaixamento, mas não atendem à composição de sinalização descrita na NBR9050; /

– Nesta e em nenhuma outra faixa de travessia existe sinalização tátil de alerta no sentido perpendicular ao deslocamento, à distância de 0,50 m do meio-fio. A NBR9050 recomenda a instalação de sinalização tátil direcional no sentido do deslocamento, para que sirva de linha-guia, conectando de um lado ao outro da rua.


– Os rebaixamentos das calçadas opostas desta via estão alinhados entre si;

– A superfície do piso deste rebaixamento está inadequada, com rachaduras e desnivelamento, causando trepidação;

– Entre o término do rebaixamento e o asfalto há um desnível e um buraco com acúmulo de água (uma vendedora ambulante afirmou que este buraco já foi maior). Este conjunto aumenta o risco de acidentes para os pedestres (notem que, ao atravessar a via, nenhum pedestre utiliza o rebaixamento de guia).


Av. Mato Grosso esquina com Rua Rui Barbosa

– Ausência de rebaixamento de calçada na esquina;

– Superfície do piso da calçada sem manutenção e com tampas de esgoto não recobertas por superfície antiderrapante.


– Além da ausência de rebaixamento de guia neste canteiro divisor de pistas, a superfície do piso está deteriorada, com lixo, buracos e pedras soltas (notem que uma grande parte da extensão está sem o piso);

– No lado oposto da via também não há rebaixamento. Além disso, existe uma árvore no final da faixa de travessia de pedestres.


Av. Mato Grosso esquina com Rua Pedro Celestino




– Presença de rebaixamento de calçada junto à faixa de travessia de pedestres, alinhada com o da via oposta;
– O rebaixamento não possui sinalização tátil de alerta, nem abas laterais;

– Desnível muito considerável entre o término do rebaixamento e o asfalto (notem a altura da elevação do asfalto em relação ao término da rampa do rebaixamento);

– Além do desnível, no final do rebaixamento existem rachaduras e buracos na superfície do piso.


Rua Antônio Maria Coelho esquina com Rua José Antônio

– Rebaixamento de guia afastado da faixa de travessia de pedestres, ou seja, quem necessita utilizar o rebaixamento tem que atravessar a via fora da faixa (novamente outro fator que coloca em risco a segurança do pedestre);

– Junto à faixa de travessia de pedestres, ao invés de rebaixamentos, observamos a presença de uma grelha, recoberta por lixo (se um pedestre desce o meio fio, pode acabar caindo devido à presença deste obstáculo);

– A calçada possui sinalização tátil direcional e de alerta, porém o revestimento do seu piso não é antiderrapante (isso aumenta o risco de acidente para qualquer pedestre); /

– Rebaixamento de guia com composição de sinalização tátil direcional e alerta, porém a mesma não atende às especificações da NBR9050; /

– Piso do rebaixamento adequado, antiderrapante, regular e firme, mas há desnível entre o final do rebaixamento e o asfalto.
/


– Ausência de rebaixamento de guia junto à travessia de pedestres e, novamente, presença de grelhas junto ao meio fio, oferecendo risco á segurança dos pedestres;

– No lado oposto desta via, apesar de não estar ilustrado na foto, existe um rebaixamento (com desnível entre seu final e o asfalto e com sinalização não compatível com a NBR9050, mas está localizado junto à faixa de travessia de pedestres).  /


Rua José Antônio esquina com Rua Maracaju

– Presença de rebaixamento de guia, porém o mesmo não está localizado junto à faixa de travessia de pedestres; /

Considerável desnível entre o término do rebaixamento e o asfalto (observem como o asfalto está mais alto);

– Como existe um hidrante (obstáculo) imediatamente ao lado do rebaixamento, as abas laterais podem ser dispensadas.


– Ausência de rebaixamento de calçada na esquina. No outro lado da via, no canto direito da foto, há um rebaixamento;

– Ao lado do meio fio, que não está rebaixado, existe uma garagem que invade a faixa de travessia de pedestres (apesar de não estar bem ilustrado na foto, este rebaixamento para a garagem pode ser notado no canto superior direito);

– Logo atrás do carro preto, no canto inferior esquerdo da foto, existe uma grelha junto ao meio fio.


– Novamente, ausência de rebaixamento de guia junto à faixa de travessia de pedestres. No lado oposto desta via, também não há rebaixamento (como um pedestre com mobilidade reduzida ou um cadeirante realizam a travessia desta via com segurança?);

– Além da falta de rebaixamento, o meio fio está muito elevado e o revestimento da calçada não é antiderrapante.


Av. Ernesto Geisel esquina com Av. Afonso Pena

– Presença de rebaixamento junto à faixa de pedestres, porém não há outro na via oposta. Notem que, além de não haver um rebaixamento na via oposta, existe um meio fio elevado, com um degrau logo acima. Imaginem como um cadeirante faz a travessia desta via, a qual tem um grande fluxo de carros; /

– Existe um desnível entre o final do rebaixamento e o asfalto (observem na foto como o asfalto está elevado em relação ao final do rebaixamento);

– Sinalização visual tátil de alerta presente, porém não atende às especificações da NBR9050; /

– No início do rebaixamento existe uma tampa de esgoto, a qual deveria ser evitada em rotas acessíveis. Como está presente, deveria ser recoberta com uma superfície antiderrapante.








– Presença de rebaixamento de guia, mas não está localizado junto à faixa de travessia de pedestres; /

– Não há rebaixamento de guia na via oposta, dificultando ou inviabilizando a travessia desta via (os pedestres que não conseguem subir o meio fio acabam trafegando pela rua, que possui um grande fluxo de veículos);

– O rebaixamento apresenta composição de sinalização tátil visual direcional e de alerta. Mesmo não seguindo as recomendações da NBR9050, sua aplicação é útil, pois indica a presença de desnível; /

– Junto à faixa de travessia de pedestres, ao invés de um rebaixamento, existem bueiros. Se o pedestre descer o meio fio para travessar na faixa, pode acabar prendendo o pé nas grelhas e cair;

– Além de o meio fio desta via ser mais elevado, existe um degrau maior acima dela, aumentando o risco de queda para os pedestres;

– Novamente entre o término do rebaixamento e o asfalto existe um desnível.


Rua Itacuru esquina com Rua Joaquim Murtinho

– A calçada está rebaixada junto à travessia de pedestres, a qual não está sinalizada com a faixa de travessia; /

– Não há desnível entre o término do rebaixamento da calçada e o leito carroçável (asfalto);

– Inclinação do rebaixamento adequada. Sua largura contempla o fluxo de pedestres da área (largura mínima de 1,20m,);

– Presença de abas laterais no rebaixamento com projeção horizontal;

– Superfície do piso do rebaixamento é nivelada, antiderrapante e regular;

– Não há sinalização tátil de alerta, a qual deve ser um conjunto de relevos tronco-cônicos (círculos em auto relevo nivelados). A sinalização que está neste rebaixamento foi feito com o próprio material de revestimento da superfície, não correspondendo as especificações da NBR9050.


– Presença de rebaixamento de calçada, com superfície do piso de revestimento inadequada, contendo buracos e rachaduras (esta calçada passou por reformas recentemente); /

– Há um grande desnível entre o término do rebaixamento e o asfalto (notem que o buraco tem profundidade considerável – já que acumula água – além de existirem pedras soltas neste desnível);

– Não há sinalização tátil de alerta no rebaixamento (observem que o piso tátil direcional da calçada é interrompido logo acima do rebaixamento).


Rua Joaquim Murtinho esquina com Rua Chaad Scaff

– Presença de rebaixamento de calçada junto à faixa de travessia de pedestres;

– Composição de sinalização tátil de alerta e direcional adequada para o rebaixamento de guia;

– Superfície do piso do rebaixamento está nivelada, regular e é antiderrapante, porém existe desnível entre o final do rebaixamento e o asfalto. /


– Existe um rebaixamento no lado oposto desta via. Porém, ao atravessar, o pedestre não encontra a calçada rebaixada, mas sim este meio-fio (Ressaltando que esta via também é movimentada. Se um cadeirante tiver que trafegar por ela até encontrar uma forma de subir o meio fio, estará colocando em risco sua segurança);

– Além da ausência de rebaixamentos, existem obstáculos logo acima do meio fio (placas, pedras soltas, buracos e lixo).


Rua Padre João Crippa esquina com Rua Joaquim Murtinho

– Presença de rebaixamento de guia, porém, na via oposta a calçada, a guia não está rebaixada; /

– O rebaixamento não está junto à faixa de travessia de pedestres. Ao lado da área do meio fio junto à faixa, novamente podemos observar grelhas;

No final da rampa do rebaixamento há um grande desnível em relação ao asfalto;

– Superfície do piso tanto da calçada quanto do rebaixamento é regular e antiderrapante, porém não há piso de alerta tátil, em cor contrastante ao do piso, sinalizando o rebaixamento. /


– Ausência de rebaixamento de guia junto à faixa de travessia de pedestres em ambos os lados da via. Notem que na esquina do canto direito da foto, junto à faixa, a calçada tem placas, vegetação, grelhas e um poste. Como um pedestre vai atravessar esta via utilizando a faixa?


Finalizando

Como podemos concluir, dificilmente “qualquer” pedestre consegue se locomover com facilidade na região central de Campo Grande. É muito importante que as iniciativas para melhorar os rebaixamentos de guia e as calçadas, realizadas pelos proprietários dos imóveis, sejam feitas em “conjunto”, pois é necessária uma continuidade entre as “partes” da cidade. Esta união de forças poderá gerar, inclusive, uma diminuição dos custos com as reformas. Modificações isoladas nessas estruturas acabam não surtindo efeitos benéficos aos usuários.

A Prefeitura Municipal de Campo Grande tem papel fundamental na fiscalização destas estruturas. Portanto, deveria também disponibilizar aos contribuintes total orientação técnica para executar tais obras, e não apenas manuais básicos, evitando, assim, investimentos em vão por parte da população.

Acessem nosso Canal no Youtube para assistir vídeos sobre rebaixamentos de guia e outros assuntos relacionados à acessibilidade!


Frederico Rios e Maria Alice Furrer Matos

Fotos: Giuliano Lopes (30/04/2011)



4 ideias sobre “Rebaixamentos de guia

  1. Olá Fred! Belo trabalho com relação ao rebaixamento de guias e calçadas. Mostra os descaso dos órgãos públicos com pessoas com alguma deficiencia. Continue com seu trabalho e parabéns a todos.

  2. Oiie.. Mto legal msm trabalho de vcs! O mundo todo precisa desse tipo de iniciativaa…pois só assim as coisas podem realmente mudarr…e pra MELHOR!

    Adélia Duailibi!

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