Parque Estadual do Caracol

Publicado em: 11.maio.2012

Por: Acessibilidade na Prática

Olá!

Em abril deste ano, passei alguns dias em Porto Alegre (RS) participando de um curso e aproveitei a oportunidade para conhecer Gramado e Canela.

Ao passar por Canela, visitei o Parque Estadual do Caracol, uma belíssima unidade de conservação ambiental com diversos atrativos para seus visitantes. Voltei de lá com belas fotos e vou  partilhar aqui algumas informações sobre a acessibilidade do lugar.
 

Entrando no parque há um estacionamento interno. Não registrei com fotos, mas logo na entrada me deparei com uma senhora cadeirante acompanhada por outras duas pessoas. O piso do estacionamento é trepidante, sendo necessário que um de seus acompanhantes tocasse sua cadeira. Neste mesmo espaço existem canteiros e uma parte pavimentada, com rebaixamento de guia no seu final que facilita a circulação, porém nenhum rebaixamento possui a sinalização devida.

As placas (centro e centro direito da foto) contêm apenas informações visuais sobre as trilhas e outras atrações. Uma sugestão para facilitar a circulação dentro do parque seria disponibilizar guias logo na entrada, capacitados para atender pessoas com deficiência, facilitando a comunicação e a mobilidade.
 
Não há piso tátil no parque. Senti falta, pois existem alguns desníveis importantes, como a escada no canto esquerdo da foto.
 
 
Este é um mirante, o qual proporciona uma linda vista da cachoeira. Para chegar até ele existe uma escada e uma rampa associada. A rampa é muito inclinada e seu revestimento está deteriorado. Isso torna praticamente impossível a subida de um cadeirante no mirante, pois não tem como subir esta rampa com autonomia, segurança e conforto. Neste dia, eu estava usando uma sandália de salto e não quis me aventurar a testar esta rampa.

É notável a falta de adequação desta estruura em relação a NBR 9050. Corrimão, revestimento do piso, sinalização e inclinação estão todos fora do padrão.

 
Esta guarita de madeira fica ao lado do início da escadaria, que tem mais de 500 degraus e leva bem perto de uma cahoeira.

O que mais senti falta neste trecho foi a sinalização tátil. Um deficiente visual fica muito prejudicado com a falta destas informações, acabando por não desfrutar de tudo que o parque oferece, sem contar na segurança.

 
Este é o início da escadaria, onde não há piso tátil de alerta e quase nenhuma proteção. Seria interessante uma segurança a mais neste ponto, pois uma criança, por exemplo, correndo próximo a esta escada pode vir a cair ou a descer inadivertidamente, o que é arriscado.

Claro que dentro de um parque procura-se preservar ao máximo o meio ambiente, mas esta escadaria poderia ser mais acessível sem comprometer a natureza. Notem que os degraus têm um revestimento com furos, podendo facilmente prender bengala e calçados.
 
 
Neste local do parque existem algumas lojinhas, lanchonetes e brinquedos para as crianças desfrutarem. Todo o ambiente é bonito e aconchegante, mas poderia ter um piso sem trepidação, não havendo necessidade de alterar a vegetação natural para construí-lo.

A NBR 9050 especifica que sempre que parques, praças e locais turísticos admitirem pavimentação, mobiliários ou equipamentos edificados ou montados, estes devem ser acessíveis. Assim, o piso, a sinalização e outras estruturas deveriam estar adequados.
 
 
Este é outro mirante, com um piso trepidante, vazado e instável, ou seja, inacessível e inseguro.

Por ser uma estrutura já montada, o correto seria torná-la acessível para qualquer visitante.

 
Neste espaço podemos contemplar a natureza e descansar, pois existem bancos fixos de madeira. Porém, há um degrau para chegar até este local, ou seja, outra estrutura montada que não permite o acesso de todos.

 
O corrimão desta escada, apesar de estar longe do ideal e ser unilateral, ajuda no percurso deste trecho.


Maria Alice Furrer

Fotos: 21/04/2012

 

2 ideias sobre “Parque Estadual do Caracol

  1. Eu faço uso de uma bengala\muleta,então em muitos locais preciso de ajuda.E viajo muito,principalmente pelo Nordeste,mas o que tenho notado é que infelizmenteos locais não apresentam uma estrutura para receber o deficiente.E isto está na Lei,afinal,nós somos pessoas normais que precisamos transitar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *