Museu das Culturas Dom Bosco (Parte 1)

Publicado em: 22.maio.2012

Por: Acessibilidade na Prática

O Museu  Dom Bosco, localizado em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil, foi idealizado pela Missão Salesiana de Mato Grosso e inaugurado oficialmente em 27 de outubro de 1951.

Em 2003 foi  assinado um convênio com o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul para a implantação do novo museu, no Parque das Nações Indígenas.

O Estado concedeu a área, e a Procura Italiana das Missões Salesianas (Torino – Itália), compreendendo a relevância da proposta, viabilizou o apoio financeiro para dar início a um moderno e ousado projeto cultural, coordenado pela Professoras Aivone Carvalho e Dulcília Silva. O projeto teve início com várias frentes de trabalho e foi subdividido em quatro subprojetos: Arquitetônico, Museológico, Museográfico e Educativo Cultural.

Conheceremos aqui no blog alguns aspectos da acessibilidade do museu, divididos em dois posts. No primeiro, o foco será a estrutura física do prédio, como acessos, circulação, sanitários, sinalização e outros. No segundo, observaremos as formas de contemplação das obras expostas. Bom passeio!
 
 
O museu é localizado dentro do Parque das Nações Indígenas. Assim, as vagas reservadas são destinadas aos visitantes do museu, do parque ou aos que vão passear pela Avenida Afonso Pena.

A vaga está com a sinalização horizontal inadequada. O Símbolo Internacional de Acesso não está representado corretamente, tanto em relação à cor quanto ao tamanho. Não há espaço adicional de circulação com no mínimo 1,20 m de largura, dificultando a descida de um cadeirante, por exemplo.

Apesar de não estar bem visível nesta foto, a sinalização vertical da vaga (placa) não segue o exemplo da NBR 9050/2004.

Existe um rebaixamento de guia ao lado das vagas, entre os dois carros que aparecem no centro da foto. Entretanto, este rebaixamento não é de uso exclusivo dos pedestres, sendo utilizado também por carros, não havendo nenhum tipo de sinalização tátil de alerta. Ou seja, além de não ser um rebaixamento adequado, oferece riscos à segurança dos pedestres.

 
Para chegar até o museu (fundo da foto) é necessário percorrer este trecho, pavimentado com piso antiderrapante, porém trepidante. Existem placas com informações (apenas visuais) sobre o horário de funcionamento, histórico e localização.

Existe um rebaixamento de guia logo no início do trecho. O mesmo não possui sinalização tátil (piso tátil de alerta) em cor contrastante com a do piso.

Ao lado do rebaixamento (centro da foto) existem duas hastes verdes de metal, as quais provavelmente serviam de apoio para alguma placa e agora estão sem função, podendo causar incidentes.

 
Esta é a porta que leva ao interior do museu. Seu vão livre é satisfatório, atendendo ao fluxo de visitantes do local.

Na parede da direita, adjacente à porta, existem placas com informações referentes ao museu. Estas placas têm fundo metálico, o qual reflete a luz, diminuindo sua legibilidade. Além disso, estão muito afastadas do batente da porta, excedendo a distância máxima de 45 cm.


O capacho não é embutido, ou seja, não está nivelado com o piso.

A porta e as paredes são de vidro, mas todas possuem uma faixa branca opaca sinalizando-as visualmente. Isso evita incidentes, pois a falta deste tipo de sinalização pode fazer com que pessoas distraídas ou com baixa visão colidam contra o vidro.

Durante toda a visita, esta porta permaneceu aberta. Porém, se houver necessidade de um visitante realizar sua abertura, o mesmo necessitará empregar muita força, pois a porta possui sistema de molas para fechamento automático.

 
Ao entrarmos no museu, visualizamos este balcão colorido (vermelho e azul) com diferentes alturas. Neste balcão são expostos objetos destinados à venda. Na maioria da extensão deste móvel, a altura é acessível, permitindo que pessoas com baixa estatura visualizem o que está sendo exposto.

A circulação interna desta área do museu é adequada, sem obstáculos, permitindo um fluxo livre de pessoas.

No interior do museu não há sinalização tátil direcional nem de alerta. Não há mapa tátil, porém este item está sendo confeccionado pela administração do local.

Atrás deste balcão colorido está o balcão da recepção (fundo da foto). Não é possível a aproximação frontal, já que não há área livre inferior.

O museu não possui intérpretes ou guias treinados para se comunicar com surdos (sinalizados e oralizados) ou cegos. Entretanto, existem alguns projetos em andamento para atender este público.

 
Esta ala do museu está localizada no primeiro nível. Para entrar, é necessário transpor esta porta de duas folhas. No dia da visita, apenas uma das folhas estava aberta, e seu vão livre já atendia satisfatoriamente ao fluxo de pessoas no local.

A porta e a parede são de vidro temperado jateado, com uma sinalização visual imitando uma faixa horizontal (transparência entre as áreas jateadas). Esta sinalização deveria ter maior contraste de cores, atendendo melhor as pessoas com baixa visão.

No canto direito da foto há uma placa com informações visuais, a qual deveria estar mais próxima da porta. Não existem informações táteis.


Existem diversas sinalizações visuais no museu, localizdas em pontos estratégicos. Porém, todas são estilizadas e de baixo contraste.

O símbolo da foto representa a direção da rota de fuga, mas com a estilização e o baixo contraste de cores, torna-se difícil a interpretação e a legibilidade. Toda sinalização deve ser simples e intuitiva, ou seja, de fácil entendimento para qualquer pessoa. As sinalizações podem ser estilizadas desde que o símbolo oficial esteja também presente.

 
Esta é uma das exposições do museu. Ao centro desta foto existe um móvel de madeira rente ao chão, onde há peças expostas, protegidas por vidro.
 
A espaço entre as obras não possui nenhum obstáculo, garantindo livre circulação de todos os visitantes.

 
Esta é a entrada do sanitário acessível. Os demais sanitários (masculino e feminino) ficam nas laterais.

No dia da visita, o sanitário estava trancado. Questionamos o fato à recepcionista e ela nos explicou que, neste dia, uma escola estava visitando o museu. Quando isso acontece, os funcionários trancam o sanitário acessível para evitar que este seja utilizado inadequadamente. O uso indevido se deve ao fato de o mesmo permitir a entrada de mais de uma pessoa, e muitos adolescentes utilizam disso para namorar dentro do sanitário.

A recepcionista frisou que apenas neste tipo de ocasião o sanitário é trancado. Se houver pessoas que precisem utilizá-lo, ela estará atenta para deixar a porta destrancada, evitando possíveis constrangimentos.

O Símbolo Internacional de Acesso está na parede adjacente da porta e, assim como em outros locais do estabelecimento, também é estilizado. Além disso, a sinalização não informa se este sanitário acessível é feminino, masculino ou unissex. Para indicar sua função, é necessário uma composição entre o Símbolo Internacional de Acesso e o Símbolo Internacional de Sanitários, de acordo com cada situação.  

A maçaneta da porta é acessível, pois seu acionamento é feito por meio de uma alvanca. Os demais itens da porta não foram avaliados.

No canto esquerdo da foto existe um bebedouro, o qual possui duas alturas. Porém, a bica com menor altura está próxima a um cesto de lixo, dificultando a utilização por um cadeirante. Além disso, o posicionamento da lixeira interfere no alcance dos copos descartáveis.

O cesto de lixo não possui um mecanismo de abertura acessível, pois seu acionamento é feito por meio de um pedal. Não são todas as pessoas que possuem movimentos nas pernas para poder acioná-lo.
 

No canto esquerdo da foto existe uma escada, a qual está associada a uma rampa (centro-direito da foto). Ambas dão acesso à outra galeria do museu, que fica no nível superior.

Tanto a escada quanto a rampa possuem corrimão apenas unilateral, não atendendo as especificações da norma técnica. O corrimão da rampa deveria ter duas alturas (0,92m e 0,70m). Já o da escada é opcional ter duas alturas, porém isso facilita a utilização por cianças e pessoas com baixa estatura.

Além de os corrimãos estarem com uma estrutura inadequada, não há sinalização tátil, como recomenda a NBR 9050/2004 (anel de textura contrastante com a superfície do corrimão e sinalização em Braille).

A inclinação dos dois segmentos da rampa é suave. O dimensionamento dos patamares garante a área de giro livre, não dificultando as manobras com a cadeira de rodas. O piso não tem um revestimento antiderrapante, porém foram instaladas faixas para não deixar a superfície muito deslizante. O ideal seria que o próprio revestimento fosse adequado, pois estas faixas exigem manutenção e não possuem o mesmo efeito de um piso antiderrapante.

No primeiro segmento da rampa existe guia de balizamento em ambos os lados, já no segundo existe a guia apenas no lado direito. A presença das guias de balizamento permite que pessoas com deficiência visual delimitem, por meio da bengala, a dimensão da largura da rampa.

Não há sinalização tátil de alerta no início e final da escada nem da rampa. A sinalização visual na borda dos degraus da escada tem baixo contraste com o piso adjacente, fazendo com que pessoas com baixa visão tenham dificuldade em dimensionar estes degraus.
 
 
No centro da foto há um mobiliário com informações visuais sobre o museu. No fundo da foto observamos bancos para descanso e, mais à direita, o balcão onde estão expostos os produtos para comercialização.

O balcão onde estão os produtos já foi analisado anteriormente (quinta foto).

Os bancos ilustrados na foto estão posicionados em alguns pontos do museu. Nas extremidades dos bancos há espaço livre para o posicionamento de uma cadeira de rodas, não interferindo na circulação interna. Isso permite que um cadeirante possa ficar ao lado do seu grupo de amigos, por exemplo.

O mobiliário com informações fica entre o topo da escada e um banco para descanso, ou seja, tem uma área de aproximação restrita. A placa que está nesta estrutura é posicionada horizontalmente, numa altura que não permite boa visualização por um cadeirante ou por uma pessoa de baixa estatura.


Esta é a parte superior do mobiliário descrito anteriormente, com foco na placa, a qual possui apenas informações visuais.

Além da falta de informações táteis, as informações visuais estão com baixo contraste de cores, dificultando muito a legibilidade.

 
Esta é a porta de acesso à galeria climatizada do museu. A temperatura neste ambiente é mais amena para preservar o material exposto.

A porta é de correr, feita de vidro e possui um vão livre adequado. Existem faixas (sinalização visual) para evitar colisões, porém seu contraste com a porta é baixo.

No momento da visita a porta estava aberta. Caso houvesse necessidade de abri-la, o procedimento seria difícil devido sua maçaneta não ser acessível.

Não há sinalização tátil na porta.

Logo no início desta galeria, imagens são projetadas, inclusive no piso. Apesar de não estar especificado na NBR 9050/2004, estas projeções no piso dão uma idéia de tridimensionalidade, podendo confundir qualquer pessoa, principalmente as com baixa visão.


No canto esquerdo da foto existe um painel com informações apenas visuais sobre as obras expostas.

Ao lado do painel existe um balcão com uma tela touchscreen, com mais informações para os visitantes. Para que esta tecnologia fosse totalmente acessível, deveria-se disponibilizar fones de ouvido para que, através de sintetizadores de voz, os deficientes visuais pudessem utilizar este recurso com autonomia.

A altura da tela touchscreen permite uma boa visualização e manuseio, inclusive por cadeirantes e pessoas de baixa estatura.

O balcão permite a aproximação lateral de um cadeirante.
Este painel, com informações apenas visuais, tem na sua direita alguns nomes de profissionais do museu e na sua esquerda um mapa.

No mapa visual existem alguns dados referentes às obras expostas.


Maria Alice Furrer

Colaboração: Milena de Ré

Fotos: 20/03/2012

 

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