Memorial da Cultura Indígena

Publicado em: 22.março.2012

Por: Acessibilidade na Prática

O Memorial da Cultura Indígena é um centro cultural brasileiro localizado na cidade de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Situado na Aldeia Indígena Urbana Marçal de Souza, única do Brasil, o memorial foi construído com bambu tratado, coberto com palha de bacuri e possui área total de 340 m². O primeiro piso (280 m²) destina-se a exposição e comercialização de artesanato. O mezanino é reservado para oficina de artesanato e depósito de materiais.

(Fonte: Wikipédia)

Para mais informações, acesse o site da Prefeitura Municipal de Campo Grande.
 
 
Esta é a entrada do memorial, onde há uma placa apenas com informações visuais. O texto desta sinalização possui boa legibilidade.

Não há nenhuma sinalização tátil direcional (piso tátil), informações em braille ou texto em relevo.

O piso da área externa é regular, não causando trepidação em cadeiras de rodas ou carrinhos de bebê.

Para acessar o local há um portão com vão livre satisfatório.

Não existem vagas reservadas de estacionamento para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

 
Após a entrada, no lado esquerdo da foto, existe uma área com assentos fixos. Este espaço pode ser compartilhado por um cadeirante, por exemplo, sem interferir na faixa livre de circulação, já que ao lado das extremidades dos bancos existem áreas livres.

Toda a rota da calçada externa até a entrada do memorial possui piso regular, firme e uniforme. Entretanto, não há sinalização tátil no piso nem guia de balizamento sem interrupção, dificultando a circulação de deficientes visuais.

Existe vegetação entorno do memorial, porém necessitando de manutenção para tornar o ambiente mais agradável.

 
A porta à direita da foto dá acesso ao interior do memorial. Apenas uma das duas folhas da porta estava aberta, mas seu vão livre é satisfatório.

Existe sinalização visual na parede adjacente da porta, porém não há sinalização tátil (Braille ou texto em relevo), a qual deveria ser instalada nos batentes ou vedo adjacente (parede, divisória ou painel), no lado onde estiver a maçaneta.


Logo que os visitantes entram no memorial, uma funcionária faz uma breve explanação sobre a cultura indígena, explicando também as características dos artesanatos expostos.

Perguntamos a uma funcionária se havia alguém com competência para atender o público com deficiência visual ou auditiva. Ela nos informou que não existem funcionários com esta habilidade, mas que todas as peças de artesanato podem ser tocadas.

Uma alternativa interessante para atender à diversidade seria a presença de guias treinados para se comunicar com surdos (sinalizados e oralizados) e cegos, apresentando e descrevendo o local a essas pessoas.

O local utilizado para a explanação aos visitantes não dispõe de área reservada para cadeira de rodas ou assentos reservados. Entretanto, há espaço suficiente para que um cadeirante se acomode sem dificuldades.

 
À esquerda da foto existe um balcão de informações, porém sua altura não foi mensurada. Lembrando que parte da superfície de balcões (0,90 m) deve ter altura de no máximo 0,90 m do piso.

No centro-direito da foto existe um corredor, onde ficam os sanitários acessíveis. Não há sinalização adequada indicando a localização dos mesmos.

Logo no início deste corredor há um bebedouro estreitando a passagem, porém ainda é garantida a passagem de uma cadeira de rodas.
 
 
Este é o sanitário acessível feminino, localizado ao lado do masculino. Na porta existe apenas a sinalização visual, feita por meio do Símbolo Internacional de Sanitário Feminino. Neste caso, o Símbolo Internacional de Acesso deveria estar instalado depois (à dieita) do Símbolo de Sanitário Feminino.

Não há sinalização tátil em Braille ou texto em relevo.

A maçaneta da porta é do tipo alavanca e permite ser aberta com um único movimento. O vão livre também é adequado.

Quando localizadas em rotas acessíveis, recomenda-se que as portas tenham na sua parte inferior, inclusive no batente, revestimento resistente a impactos provocados por bengalas, muletas e cadeiras de rodas, até a altura de 0,40 m a partir do piso. Esta porta não possui este revestimento.
 

Como a parede é clara e o piso escuro, é possível delimitar os limites do espaço interno do banheiro.

O lavatório possui coluna de proteção para o sifão e para a tubulação, que vai até o chão, prejudicando a aproximação frontal de uma cadeira de rodas. A NBR 9050/2004 especifica que o lavatório deve ser suspenso, e o sifão e a tubulação devem estar situados a no mínimo 0,25 m da face externa frontal, com dispositivo de proteção do tipo coluna suspensa ou similar.

A maçaneta do lavatório não é acessível, pois não possui mecanismo de acionamento feito por meio de alavanca, sensor eletrônico ou dispositivos equivalentes.

Não há barras de apoio instaladas junto ao lavatório.

Ausência de saboneteira e espelho.

Mesmo não tendo mensurado sua altura, o toalheiro instalado na parede lateral do lavatório visivelmente excede o limite da faixa de alcance, que é de 1,20 m.


Presença de barras de apoio na lateral e atrás da bacia sanitária, como especifica a norma técnica. Entretanto, não foram mensuradas altura de instalação, dimensão e empunhadura das barras.

As áreas de transferência são previstas. O cesto de lixo não atrapalha a transferência para a bacia sanitária, mas o ideal seria que o mesmo estivesse mais próximo da parede.

Existe uma papeleira embutida (canto direito da foto, abaixo da barra de apoio), porém a mesma não está sendo utilizada e o papel higiênico está sobre a barra de apoio. Isso impede que um cadeirante alcande o papel higiênico enquanto utiliza a bacia sanitária.

No canto direito da foto podemos visualizar a maçaneta da porta e sua chave. Este tipo de chave não é acessível, pois, para trancar e destrancar a porta, é necessário muita destreza nas mãos. O ideal seria uma chave com uma superfície de contato maior, o que facilitaria sua utilização.
 
 
A circulação interna do local possui espaços amplos, não dificultando a manobra de uma cadeira de rodas, por exemplo.

No canto esquerdo da foto, bem ao fundo, existem vários vasos artesanais. Como não são considerados obstáculos suspensos, não é necessário sinalização tátil de alerta no piso. Entretanto, na prática, esses vasos podem causar incidentes se, por exemplo, um deficiente visual bater neles com sua bengala, podendo até quebrá-los. Uma alternativa seria acomodar estes vasos em prateleiras ou retirá-los do espaço de circulação dos visitantes.

No centro da foto existe uma escada em caracol, que dá acesso ao mezanino do local.

 
O acesso ao mezanino é feito por esta escada em caracol, onde não há sinalização tátil de alerta no seu início. A estrutura do corrimão não contempla as especificações da NBR 9050/2004.

A escada possui espelhos vazados, formando vãos nos quais uma pessoa pode prender o pé e se machucar ou até sofrer uma queda.

Não há nenhuma rampa ou equipamento eletromecânico associado à escada, ou seja, nem todos os visitantes poderão subir até o mezanino.


Este é o topo da escada, também sem nenhum tipo de sinalização tátil de alerta.

Esta escada possui uma estrutura que não oferece segurança e estabilidade, gerando oscilação durante a subida ou descida.

 
Está é a parte superior do local, com uma estética muito agradável.

A área para circulação é ampla e sem obstáculos.
 

Maria Alice Furrer
 
Colaboração: Milena de Ré
 
Fotos: 26/02/2012
 
 

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