Forte dos Reis Magos

Publicado em: 25.outubro.2011

Por: Acessibilidade na Prática

 
A Fortaleza da Barra do Rio Grande, popularmente conhecida como Forte dos Reis Magos ou Fortaleza dos Reis Magos, localiza-se na cidade de Natal, no estado brasileiro do Rio Grande do Norte. A fortaleza foi o marco inicial da cidade – fundada em 25 de Dezembro de 1599 – , no lado direito da barra do Rio Potenji (hoje próximo à Ponte Newton Navarro). Recebeu esse nome em função da data de início da sua construção, 6 de janeiro de 1598, dia de Reis pelo calendário católico. Foi tombado pelo Patrimônio Histórico desde 1949 e está sob a administração da Fundação José Augusto desde 1965. A última grande intervenção de conservação foi realizada em 2005, com recursos do IPHAN. (Fonte e mais informações: Wikipédia)

A análise deste local foi realizada com base na NBR9050, a qual também contempla alguns aspectos de acessibilidade para bens tombados.

 
Esta é a rota até a entrada do Forte. O caminho é extenso e o revestimento do piso gera certa trepidação. Há guias de balizamento, ou seja, pequena “mureta” delimitando a passarela. 
 
Com essa guia de balizamento, um deficiente visual consegue guiar-se até a entrada. Porém, como essa passarela é rodeada por pedras e pelo mar, uma barreira de proteção torna-se necessária para garantir a segurança dos visitantes.
 
Como este trecho é muito extenso, uma boa alternativa seria a instalação de alguns bancos ao longo deste percurso, mas que não estreitassem muito a passarela, destinados ao descanso de visitantes que estão indo ou voltando do Forte. Como a vista que circunda a passarela é muito agradável, as pessoas poderiam observá-la com maior conforto se existissem estes bancos.

 
Centro do Forte, onde podemos observar que o piso rústico foi preservado. Lembrando que o Forte é um bem tombado, ou seja, todos os projetos de adaptação para acessibilidade devem obedecer às condições da NBR9050,  porém atendendo aos critérios específicos a serem aprovados pelos órgãos do patrimônio histórico e cultural competentes.

Desta forma, mesmo com o piso preservado, uma alternativa seria a construção de trechos com revestimento não trepidante e antiderrapante.

Nesta foto, podemos observar que o Forte é dotado de dois pavimentos, porém um cadeirante, por exemplo, só tem acesso ao térreo.

 
Como explicado anteriormente, o Forte preserva o piso rústico. Mas, no canto direito da foto, podemos observar um trecho de madeira, que é utilizado como rota alternativa para visitantes. Este trecho alternativo, apesar de ser mais adequado que o piso original, ainda gera trepidação na cadeira de rodas, pois a madeira já sofreu desgaste devido ao tempo.

 
Este é outro ambiente do Forte, com revestimento do piso mais adequado, de madeira. Um espaço amplo, que não dificulta o manejo da cadeira de rodas. Ao mesmo tempo torna-se um ambiente seguro para deficientes visuais, já que a edificação pode ser utilizada como guia de balizamento.

Ao redor do banco de madeira existem pequenos “postes” para apoio das cordas que circundam a peça de exposição. Porém, tanto o poste quanto a corda possuem quase a mesma tonalidade do piso e da peça exposta, ou seja, uma pessoa com baixa visão pode colidir ou tropeçar nestas barreiras de proteção. Uma medida simples e viável seria pintar os postes com uma cor mais contrastante, e utilizar uma corda também com cor de mais contraste.
 

Ambiente com muita informação visual, onde as paredes possuem pinturas remetendo à história do Forte. Existem peças expostas sobre bancadas, protegidas por caixas de vidro. Não foi questionado se as peças protegidas poderiam ser tocadas por deficientes visuais. Peças do acervo original deste tipo de local geralmente são preservadas, mas réplicas poderiam ser oferecidas para a exploração tátil pelo público. Além disso, informações em Braille são necessárias para que os cegos vivenciem todas as informações deste ambiente.

Pensando no público de deficientes auditivos, informações por meio de Libras, textos, informações visuais e intérprete para surdos oralizados atenderiam a diversidade. Se houvesse uma equipe especializada para atender ao público, satisfaria toda a diversidade dos visitantes do Forte.
 
 
Este é outro ambiente do Forte com peças expostas, onde há outra protegida por uma caixa de vidro. Reiterando: se a peça original não puder ser tocada, réplicas poder ser oferecidas para serem tocadas.

 
A maioria das portas e sinalização visual (placas) segue este padrão. O vão livre permite a entrada de uma cadeira de rodas, existindo puxador horizontal, o que é acessível e de fácil manuseio.
 
A placa com sinalização visual ao lado da porta possui fundo metálico, o qual, dependendo da incidência da luz, dificulta a visualização do texto.
 
Ausência de informação tátil (Braille ou texto em relevo), o que dificulta a localização espacial de um deficiente visual.
 

Na parede (batente lateral da porta) existe outra placa, porém é difícil identificar o Símbolo Internacional de Acesso. Ausência de sinalização tátil.

 
Aproximando a imagem, podemos visualizar o Símbolo Internacional de Acesso, indicando a existência de um sanitário acessível. Este Símbolo não permite estilizações, como é feito neste local. Esta estilização dificulta a localização da estrutura ou do mobiliário acessível.
 
Lembrando que o Forte é visitado por muitos turistas, onde as placas, quando são simples e intuitivas, guiam com mais precisão estes visitantes, os quais muitas vezes não dominam a língua portuguesa.
 

Vista externa da porta do boxe acessível. Esta porta não tem maçaneta externa, ou seja, só pode ser aberta ou fechada se a pessoa que estiver no interior do sanitário, onde existe apenas um trinco. O correto seria haver uma maçaneta de alavanca, que facilita a abertura da porta.
 
A abertura da porta é para o lado externo, o que é correto e seguro. 
 
O boxe acessível é integrado aos demais sanitários. Um detalhe: o sanitário permanece trancado, onde, para qualquer visitante utilizá-lo, é necessário solicitar a chave.


Lado interno da porta do boxe acessível. Existe um puxador horizontal, facilitando a abertura da porta. Entretanto, não há maçaneta, mas sim um trinco que requer destreza e força nas mãos para seu manuseio. Uma simples maçaneta de alavanca, integrada com um trinco de fácil manuseio, com uma superfície de contato maior, tornaria o acionamento da porta acessível.
 
Um ponto interessante é que a bacia sanitária está logo à frente da porta de entrada do sanitário, facilitando seu uso, já que o cadeirante não precisará efetuar muitas manobras para fazer a transferência para a bacia.


Presença de bacia sanitária com caixa acoplada, com barras de apoio devidamente localizadas, porém suas alturas de instalação não foram mensuradas.
 
A papeleira está localizada corretamente, bem como o cesto de lixo. O cesto está posicionado entre a parede lateral e a bacia sanitária, não interferindo na transferência para a bacia sanitária.
 
Um ambiente muito claro (neste caso todo branco) não é indicado pois pode causar ofuscamento na visão de idosos, por exemplo.


Lavatório suspenso, permitindo a aproximação frontal de um cadeirante. Porém, atrás desta cortina vermelha, embaixo do lavatório, existem materiais guardados, ou seja, não é garantido que um cadeirante consiga fazer a aproximação frontal com segurança. Abaixo do lavatório não deveria haver nada, nem a cortina, já que não podemos visualizar o que tem atrás dela.
 
Ausência de barras de apoio junto e ao redor do lavatório. Existem saboneteiras e papeleiras, porém estão posicionadas em um local que não permite seu alcance. 
 
O acionamento da torneira da pia não é acessível, pois requer força e coordenação motora nas mãos para poder girar a válvula.

Existem espelhos a frente do lavatório, e o do canto esquerdo da foto é mais rebaixado em relação ao espelho do canto direito, facilitando a utilização por um cadeirante ou por uma pessoa de baixa estatura. Há manchas no centro dos espelhos, dificultando a visualização pelo visitante.


Visão interna da porta de entrada do sanitário. Novamente não há maçaneta, mas sim um trinco que não oferece autonomia aos visitantes. 
 
No canto inferior direito da foto, podemos observar o depósito de materiais de limpeza, os quais deveriam ser estocados em locais adequados e não no sanitário acessível.


Nesta foto é ilustrada uma escada fixa que leva ao pavimento superior do Forte, onde não há nenhuma rampa ou aparelho eletromecânico associado, ou seja, um cadeirante não pode visitar a parte superior.
 
A escada não possui sinalização tátil (início e final), e seus corrimãos são inadequados. O correto seria a presença de corrimãos bilaterais. 
 
Seria interessante a instalação de guarda-corpos para proteção numa das laterais da escada (a que não possui parede), podendo servir ou não também de guia de balizamento para deficientes visuais, dependendo das suas dimensões.


Pavimento superior do forte, com uma vista maravilhosa, mas infelizmente muitos não poderão apreciá-la.


Frederico Rios e Maria Alice Furrer

Colaboração: Diego Rios, Larissa Santos e Léo Juno Pádua

Fotos: 26/07/2011

 

5 ideias sobre “Forte dos Reis Magos

  1.  
    O post tá lindo, como todos os outros, rs. A primeira vez que estive no forte tive medo dessa passarela até chegar lá, mas era pequena então nem pensei tanto. Mas, quando fui ano passado já percebi o perigo que corri sendo pequena e danada como era, imagina se dá na cabeça de uma criança correr por alí? O guarda-corpo é essencial como você falou mesmo. E os bancos seriam ótimos também, o governo do estado deveria investir mais no forte, dava pra receber ainda mais visitas do que recebe. Lembrei agora da entrada, aquele batente desnecessário deu trabalho pra passar com a cadeira. Isso pode ser evitado. Assim como tem no cajueiro, esses tablados ajudam muito, só precisam ser conservados, acho que esse do forte já pode ser trocado completo, rss. E está mais do que na hora de colocar plataforma/elevador para o piso superior… Investimento é o que falta!!! Beijos e adorei o trabalho.

  2. Estive lá há 2 anos e, é automático: – a partir da longa passarela de acesso já ia imaginando e analisando mentalmente tudo o que faltava para que esse ponto turístico se tornasse acessível.Quero acreditar que o conceito já esteja  incutido no espírito dos realizadores desses espaços de visitação. Mas só o tempo e as conscientizações dos estudantes das escolas voltadas para a construção é que permitirão mais conforto, segurança e acessibilidade nesses espaços. 

  3. Olá! Gostaria de parabenizá-lo pelo site, é muito bacana a forma como mostra a realidade (e o que funciona ou não) na aplicação das normas de acessibilidade.
    Tenho uma dúvida e gostaria de pedir a sua opinião: a NBR 9050 mostra (na figura 118) que a barra de apoio deve fica a 15 cm da tampa da caixa acoplada, e ao mesmo tempo que deve ficar a 75 cm do piso, mas na realidade as caixas são mais altas e não possibilitam ter as duas distâncias corretas, o que devemos seguir? A barra a 15 cm da tampa da caixa acoplada e a mais de 75 de piso, ou a 75cm do piso e poucos cm acima da tampa?
    Desde já agradeço por sua opinião!

    • Olá Ana!

      Primeiramente obrigada!
      Então, essa questão é um tema muito discutido nos cursos de acessibilidade. A maioria das caixas acopladas realmente atrapalham a instalação adequada da barra de apoio posterior. Assim, se não houver como não utilizar a caixa acoplada, consequentemente não terá como instalar adequadamente a barra. Ou seja, a melhor alternativa será a mais segura dentro destas duas possibilidades, onde em hipótese alguma deve-se instalar a barra sobre a caixa, com a força exercida pelo usuário pode acabar por quebrar a caixa, causando um mal maior.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *