Embarques e desembarques do Brasil à Alemanha

Publicado em: 18.abril.2011

Por: Acessibilidade na Prática

Buenas!
 
No início de abril, fui à Alemanha realizar um tratamento com células-tronco, numa clínica chamada XCell-Center. Como não poderia deixar de ser, fiquei de olho na acessibilidade no decorrer da viagem e resolvi compartilhar com vocês minhas experiências, como cadeirante, nos aeroportos pelos quais passei.
 
Vamos viajar!
 
 
Embarque em Campo Grande
 
– Estava chovendo no momento do embarque em Campo Grande. Molhei um bocado, pois o guarda-chuvas não oferece muita proteção.
 
 
– Tive que ser carregado, na minha própria cadeira, pela equipe da Companhia Aérea até a entrada do avião;
 
– Reparem que o piso da escada não é antiderrapante. Se qualquer uma das pessoas que me carregavam escorregasse, seria queda na certa.
 
 
– Geralmente, quando a Companhia é informada que haverá um passageiro com deficiência à bordo, são reservadas as primeiras poltronas da aeronave para tais pessoas e para, pelo menos, um acompanhante;
 
– A transferência da cadeira de rodas para a poltrona foi realizada pelos funcionários da empresa. Quem é cadeirante, percebe se a pessoa foi treinada ou não para este tipo de situação. Neste caso, acredito que não.
 
 
Desembarque em São Paulo (Guarulhos)
 
– Vídeo: "Ambulift" acoplando-se à porta da aeronave.
 
 
– Momento da transferência do avião para o "ambulift". Muito mais confortável e seguro do que ser carregado.
 
 
– Com a cadeira de rodas travada e o cinto de segurança afivelado, me senti seguro no transporte até o saguão do aeroporto. Vale ressaltar que esta "sensação de segurança" depende do tipo da deficiência ou mobilidade reduzida de cada pessoa, pois envolve, por exemplo, equilíbrio, sensibilidade e controle de tronco.
 
 
– Vídeo: "Ambulift" fazendo a operação de descida. Podemos observar que o barulho é alto e balança um pouco, mas é melhor do que ser carregado nos braços;
 
– Ao ser questionado, o operador do equipamento nos informou que o "ambulift" pertencia à Infraero, e que o da Companhia (TAM) estava em manutenção já havia algum tempo. É um único equipamento para atender todo o aeroporto de Guarulhos! 
 
 

– Descendo do "ambulift", com segurança e comodidade.

 

 

Embarque em São Paulo (Guarulhos)

 
– Entrada da plataforma de embarque/desembarque (Finger), que se acopla à porta do avião;
 
– Sem degraus e sem risco de se molhar em caso de chuva.
 
 
– Esta Companhia disponibiliza uma cadeira de rodas mais estreita e com cintos de segurança, permitindo o trânsito entre as poltronas do avião sem ser carregado nos braços;
 
– Como minha poltrona era próxima à porta do avião, meu irmão preferiu me carregar. Neste caso, eu também achei melhor.
 
 
Desembarque em Amsterdã (Holanda)
 
– Neste desembarque, utilizamos a cadeira de rodas mais estreita.
 
 
– Momento da transferência da cadeira estreita para a minha cadeira de rodas;
 
– Ao fundo, corredor da plataforma de embarque/desembarque.
 
 
Embarque em Amsterdã (Holanda)
 
– Visão do interior do "ambulift", quando me dirigia ao embarque junto com outros dois cadeirantes e nossos acompanhantes.
 
 
– "Ambulift" acoplado à porta da aeronave.
 
 
Desembarque em Colônia (Alemanha)
 
– Transferência da poltrona do avião para uma cadeira de rodas estreita, disponibilizada pela Companhia;

 

– Neste aeroporto, existe uma equipe especializada para lidar com as pessoas deficientes e mobilidade reduzida, identificada pelo colete.
 
 
– Já no solo, sendo carregado pela equipe do aeroporto.

 

 
 
– Embarque na van, exclusiva para transportar os cadeirantes com segurança até o saguão.

 

 
 
– Já no saguão do aeroporto;
 
– A equipe é responsável por levar o cadeirante até a parte externa do aeroporto, auxiliando também com a bagagem se necessário. Não é permitido nem ao acompanhante realizar este trabalho.
 
 
Concluindo
 
Considerando apenas os embarques e desembarques, deixando de lado a acessibilidade das outras estruturas dos aeroportos, concluí que dois fatores são indispensáveis para uma boa acessibilidade: "estrutura física" e "equipe especializada".
 
Não basta apenas proporcionarmos simplesmente o acesso das pessoas, mas este deve ser "seguro", respeitando os vários tipos de deficiência e mobilidade reduzida.
 
Na minha opinião, para os aeroportos que não possuem plataforma de embarque/desembarque, o "ambulift" é a solução mais adequada, facilitando a vida de cadeirantes (nos seus diversos tipos de comprometimento motor), idosos, gestantes, deficientes visuais e várias outras pessoas com dificuldade de locomoção.
 
Abraços!!!
 
 
Frederico Rios
 
Imagens: Diego Rios
 

22 ideias sobre “Embarques e desembarques do Brasil à Alemanha

  1. Olá!!

    Parabéns Fred 😉
    Seu post deixou bem claro a rotina de embarques e desembarques… Particularmente lendo seus comentários creio que além de acessibilidade, é mtoo necessário um bom treinamento para uma equipe especializada, garantindo desta forma a segurança e conforto de todo deficiente físico e pessoas com mobilidade reduzida. Desta forma, não basta apenas a adaptação arqitetônica, mas sim um conjunto: acessibilidade+ treinamento+ respeito e educação!!!
    E este quarteto ideal não é difícil nem inviável, basta apenas a colaboração, orientação técnica correta e empenho tanto da Infraero quanto das empresas aéreas!!
    Abçs

  2. Ótima reportagem!

    Um comentário: sou cadeirante e, em muitas viagens aéreas, tive oportunidade de utilizar o ambulift. Jamais tive minha cadeira travada, nem foi utilizado cinto de segurança. É possível que a atenção e os cuidados oferecidos à pessoa com deficiência tenham aumentado após o acidente com um cadeirante idoso no Aeroporto de Congonhas em dezembro de 2010. Tomara que as coisas possam melhorar sem a necessidade de acidentes e incidentes, não é mesmo?

    Abraços!

    Laura

  3. Muita informação nova, Fred… Quem não passa por isso (sendo na pele ou acompanhando alguém próximo) não tem a menor idéia da falta de acessibilidade em aeroportos. Deprimente!!
    O que salva nisso tudo é que você é lindo!
    Beijos

  4. Geeente…adorei o post… tem até vídeo..rs!! Muito bom hein… Realmente não tem como não comparar né, a diferença de estrutura dos lugares, começando por Campo Grande até a Alemanha! Mas pé na tábua, que um dia a gente chega lá..rs!

  5. Nossa bem bacana esse post!! Gostei muito, principalmente pra ter noção de como funciona esse ambulift e o atendimento na Alemanha, parece com o que acontece no nosso Brasil, não acha????

  6. Sensacional o post. Dá bem uma ideia de como as coisas (não) funcionam por aqui. Às vezes dá vontade de saber se esse despreparo todo é realmente por falta de treinamento especializado, ou exatamente por puro descaso – pra quê a TAM vai consertar o ambulift, afinal de contas? Jogam a responsabilidade pra Infraero, que culpa a TAM, e ficamos nesse jogo de empurra. Existe um mercado enorme para PCDs no Brasil, mas parece que isso aqui no Brasil ainda não foi descoberto. Dá gosto ver uma equipe treinada exclusivamente para isso.

  7. Excelente post Fred!
    Muito interessante saber como é feito o transporte aéreo de um cadeirante, não sabia como era.
    Viajei à são paulo no dia 9 de abril e verifiquei um pouco do que falastes. Aqui em floripa todos vão pela chuva, e não tem o Ambulift, pelo menos não que eu saiba.
    Podiamos combinar com a Renata para fazer algum post direito da ilha da magia sobre acessibilidade, o que achas?
    Afinal, aqui dizem que é cidade turística, e como tal deveria suprir todas as necessidades, não achas?
    Parabéns, e que Deus te abençoe!
    kaka
    (karla siqueira- fisioterapeuta)

  8. Fred, adorei o post!!! Espero que um dia possamos aqui no Brasil oferecer a estrutura que existe la fora. Mas gostaria de lembrar que o Brasil começou a pensar na acessibilidade tem pouco tempo e as melhorias em relação à estão evoluindo (devagar… mas sempre!). Na Europa, diante das ditas "sequelas de guerras", houve uma necessidade imediata de resolver os problemas de acessibilidade, por isto estão "anos luz" (nem tanto assim..rsrs) a nossa frente!!! Mas… acredito que chegaremos lá!!! Grande abraço!!! Parabéns!
    Luciana Petraglia – Arquiteta Urbanista

  9. Oie Fred!
    Ficou muito bom este post, deixando bem claro o embarque e desembarque realizado aqui no Brasil e na Alemanha.
    Parabéns mais uma vez por compartilhar!
    Abraços
    Rê Cox

  10. blz fred ficou muito bom este post,deixando clara as condiçoes dos aeroportos do brasil e fora dele parabems por mais uma ves nos compartilhar de suas esperiencias um grande abraço de seu amigo aq ta. tudo de bom fique com deus ate mais ..

  11. olá Fred,sou sua prima de MT … vc não me conhece… estive em paranaíba neste feriado da semana santa, e lá fiquei sabendo da sua historia e do seu blog… cheguei em casa e fui procurar, portanto encontrei… acabei lendo todas as reportagen de outros sites tbm… mas fiquei muito emocionada qnd li o que vc disse das condições e comparações dos aeroportos.. nossa qnt diferença…
    fica com Deus.. força, e muita saúde pra vc…

  12. Olá! Meu nome é Adriana Jafar Adri, sou cadeirante e moro em Campo Grande-MS. Estou usando o e.mail da minha t.o e resolvi fazer algumas observações sobre o tema discutido neste blog. Bom, como qualquer outra pessoa gosto de viajar, passear, ir a restaurantes, teatro, cinema..enfim, curtir a vida!! Cito abaixo algumas situações que muitas vezes interferem na realização de tais atividades:
    1. NAS VIAGENS: nem todos os ônibus e aviões possuem elevadores ou pessoas capacitadas para auxiliar na locomoção de cadeirantes ou idosos;
    2.NOS RESTAURANTES E OUTROS LOCAIS DE LAZER: geralmente não possuem rampas ou piso adequado para locomoção segura;
    3.NO TEATRO: nem sei se é permitido por lei, mas se um cadeirante ou idoso quiser comprar um ingresso para sentar nas fileiras do meio ele perde o direito a meia entrada e é obrigado a pagar o preço total, sendo obrigado a sentar nas cadeiras laterais caso queira receber o desconto. Peço a gentileza, se possível, que este blog verifique se isto é permitido por lei;
    4.NO CINEMA: os engenheiros que projetam o espaço e os bombeiros nos “obrigam” a sentar nas primeiras fileiras alegando ser o local mais seguro em caso de incêndios, mas faço uma pergunta: será que se ocorrer um incêndio, as pessoas q estiverem na sala, no desespero, irão dar passagem para os cadeirantes? Então isso independe de qual fileira estamos sentados, se é na primeira ou na última. Ainda lanço um desafio: que estes profissionais assistam um filme de 1h e meia a 2h sentados na primeira fileira. Será q terão dor no pescoço? PIMENTA NOS OLHOS DOS OUTROS É REFRESCO!!

  13. Olá Adriana!!

    Fiquei muito feliz com sua participação no Blog!! Espero que esteja gostando dos posts!!! Suas vivências e dúvidas enriquecem muito a interatividade do Blog com seus seguidores!! Para conversármos melhor e debatermos suas dúvidas você poderia mandar um contato de email?
    Aguardo!!
    Bjsss!!!
    Maria Alice

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