Embarques e desembarques do Brasil aos Estados Unidos

Publicado em: 25.junho.2014

Por: Acessibilidade na Prática

Em maio de 2014, tive a felicidade de conhecer a terra do “Tio Sam”, juntamente com meus pais e a Maria Alice.

Durante a viagem, que começou em Campo Grande (MS) e terminou em Nova Iorque, resolvemos registrar nossos embarques e desembarques nos aeroportos e dividirmos essa experiência com vocês, mostrando um pouco da minha realidade como cadeirante.

Antes das fotos, vamos à norma técnica que trata sobre a acessibilidade da pessoa com deficiência no transporte aéreo comercial, a NBR 14273/1999. Essa norma tem como objetivo estabelecer os padrões e critérios que visam proporcionar às pessoas com deficiência condições adequadas e seguras de acessibilidade autônoma ao aeroporto e às aeronaves das empresas de transporte aéreo público regular, regional e suplementar.

Essa norma técnica trata de várias especificações, mas neste post vamos nos atentar apenas aos embarques e desembarques.

É válido lembrar que em 2013 a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) publicou as novas regras sobre o acesso ao transporte aéreo de Passageiros com Necessidade de Assistência Especial (PNAE). O novo regulamento (Resolução nº. 280/2013) sobre os procedimentos relativos à acessibilidade foi submetido ao processo de audiência pública em 2012, com sessões presenciais em setembro, em Brasília, e em outubro, em São Paulo (Portal ANAC).


A ida…

Aeroporto Internacional de Campo Grande – embarque


fotoApós os trâmites para acessarmos a sala de embarque, nos apresentamos no portão indicado. Em seguida, ao iniciar o embarque, um funcionário da companhia me conduziu até a aeronave.

Geralmente o embarque das prioridades (pessoas com deficiência, gestantes, idosos, crianças desacompanhadas e outros) é realizado antes dos demais passageiros. Já no desembarque o procedimento é o inverso, ou seja, as prioridades desembarcam por último.


fotoNo Aeroporto Internacional de Campo Grande não há ambulift ou passarela telescópica (finger), os quais servem para conduzir os passageiros até o avião sem precisar subir ou descer escadas.

A NBR 14273/1999 afirma que, em caso de problema no funcionamento ou inexistência do sistema de elevação, a pessoa com deficiência deve ser transportada até a porta da aeronave por intermédio de funcionários treinados para esta atividade, de modo confortável e seguro. No caso desse aeroporto, notamos que não houve um treinamento específico para que os funcionários embarquem ou desembarquem os passageiros com conforto e segurança.


Aeroporto Internacional de Guarulhos – desembarque

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Chegando em Guarulhos, o desembarque foi feito por ambulifit, um veículo com sistema de elevação da cabine para realizar embarques e desembarques de pessoas com dificuldade de locomoção.

Por questões de segurança, um funcionário do aeroporto fixa as cadeiras de rodas e afivela os cintos de segurança aos cadeirantes. Assim, o ambulifit pode realizar o transporte sem oferecer grandes riscos aos passageiros.

Um funcionário do Aeroporto de Guarulhos nos informou que haviam três ambulifts disponíveis no local, sendo dois deles adquiridos recentemente. Entretanto, pelo volume de passageiros do aeroporto, esse número de albulifts ainda é insuficiente, como nos relatou o mesmo funcionário.


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A plataforma elevatória do ambulifit desce até o solo para que os cadeirantes possam desembarcar, contando sempre com o auxílio de um funcionário treinado. Sem o auxílio adequado, o uso desse equipamento torna-se arriscado.


Aeroporto Internacional de Guarulhos – embarque

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Ainda em Guarulhos, para embarcar na aeronave que nos levou até o destino final (Nova Iorque), o funcionário da companhia aérea também nos acompanhou, dessa vez pela passarela telescópica (finger). Essa passarela liga a sala de embarque até a aeronave.


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Como a aeronave era de grande porte, foi necessário percorrer um corredor estreito para chegarmos ao assento demarcado. Para isso, foi preciso utilizar uma cadeira de rodas da companhia aérea própria para essa finalidade, justamente por possuir medidas menores e permitir a passagem pelo corredor do avião.

Os funcionários, designados pela própria empresa, foram os responsáveis por me transferir para a cadeira menor.


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A imagem acima nos dá uma noção de como o uso dessa cadeira é desconfortável. Assim, um treinamento adequado aos funcionários é imprescindível para alertá-los quanto ao posicionamento correto da pessoa, os diferentes níveis de comprometimentos motores e o próprio manuseio do equipamento, que são detalhes importantes para garantir a segurança do passageiro. Por mais que o trajeto da porta da aeronave até o assento seja relativamente curto, existe a possibilidade de ocorrer quedas ou lesões no caso má realização do procedimento.


Aeroporto Internacional John F. Kennedy em Nova Iorque – desembarque 

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No aeroporto em Nova Iorque, apenas um funcionário da companhia se prontificou a nos auxiliar. Dessa forma, meus próprios “companheiros” de viagem tiveram de me ajudar nas transferências.

O desembarque foi tranquilo, realizado por finger, e o funcionário da companhia nos acompanhou até o setor de retirada de bagagens (as quais, por sinal, foram parar em Buenos Aires!).


A volta…

Aeroporto Internacional John F. Kennedy em Nova Iorque – embarque 

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Logo após o check-in, um funcionário da companhia nos acompanhou até a sala de embarque.


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Para realizar o embarque, novamente acompanhados, seguimos por uma passarela telescópica (finger) até a porta da aeronave. Dessa vez, meu embarque e os das prioridades foram feitos por último.


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Novamente utilizei uma cadeira de rodas com medidas estreitas para realizar o embarque, permitindo minha passagem pelo corredor do avião.


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Esta imagem mostra os funcionários da companhia me conduzindo pelo corredor da aeronave até o meu assento.


Aeroporto Internacional de Guarulhos – desembarque

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Após o pouso em Guarulhos, fomos auxiliados pelos funcionários da empresa aérea. Entretanto, não conseguimos registrar meu deslocamento do assento até a porta da aeronave, pois nossa “fotógrafa” (Maria Alice) teve de ajudar os funcionários, já que o apoio de pé da cadeira estava com problemas e minhas pernas tiveram de ser seguradas durante o percurso.

Um funcionário nos auxiliou desde a saída do finger até o saguão do aeroporto, passando pela retirada de bagagens e alfândega.


Aeroporto Internacional de Guarulhos – embarque

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Em Guarulhos, recebemos auxílio somente após o embarque de todos os outros passageiros, pois a empresa alegou que não havíamos solicitado ajuda. Entretanto, solicitamos sim auxílio no momento do check-in. Prova disso é que minha cadeira de rodas estava devidamente sinalizada com a etiqueta da companhia.


Aeroporto Internacional de Campo Grande – desembarque

fotoEm Campo Grande, o desembarque foi feito por dois funcionários da companhia, que utilizaram uma cadeira própria para descer e subir escadas. Trata-se de uma cadeira motorizada onde, no lugar de rodas, há uma espécie de esteira. Muitas pessoas se sentem inseguras ao utilizar esse equipamento, principalmente as mais ansiosas ou com pouco controle de tronco. No entanto, para o meu caso, acho mais seguro utilizá-la do que ser carregado nos braços.


Finalmente em casa!

Uma viagem longa como essa é cansativa para qualquer pessoa, porém muito mais desgastante para quem tem dificuldades de se locomover. Um cadeirante, por exemplo, precisa de muita disposição, paciência e planejamento para realizar qualquer viagem de avião, seja a trabalho ou a passeio.

Os exemplos desse post ilustram muito bem a realidade dos aeroportos, principalmente a dos brasileiros. Alguns até possuem estruturas adequadas, mas muitas vezes são insuficientes, como é o caso de Guarulhos. Outros, como o aeroporto de Campo Grande, não possuem praticamente nenhuma estrutura para atender pessoas com dificuldades de locomoção. Exemplos como esses podem ser encontrados em todo Brasil.

Contudo, acredito que um item merece maior atenção e é determinante para melhorar o atendimento às pessoas com deficiência nos aeroportos, inclusive no exterior: “treinamento!”. Penso que funcionários de aeroportos e companhias aéreas bem preparados podem diminuir e muito o “sofrimento” desse público, minimizando inclusive os transtornos gerados pelas falhas estruturais dos aeroportos.


Frederico Rios

Colaboração: Maria Alice Furrer

Fotos: 22 e 23/05/2014 (ida) e 04 e 05/06/2014 (volta)



2 ideias sobre “Embarques e desembarques do Brasil aos Estados Unidos

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