Casa Cor MS 2016

Publicado em: 19.outubro.2016

Por: Acessibilidade na Prática

Mato Grosso do Sul recebeu sua 4ª edição da Casa Cor entre os dias 26 de agosto e 12 de outubro de 2016. A mostra foi realizada na Mansão dos Dibo, localizada na Avenida Afonso Pena nº 4025, em Campo Grande. A casa, construída da década de 1980 e projetada pelo Arquiteto Rubens Gil de Camillo, manteve o brutalismo do projeto original mesmo com a repaginada da mostra, onde os Arquitetos e Designers se apropriaram de elementos como vigas aparentes, efeito ripado no teto, claraboias e pisos de madeira. (Informações: casacorms.com.br e campograndenews.com.br)

Pela terceira vez consecutiva, nós do blog visitamos a Casa Cor MS para analisar as condições de acesso oferecidas aos visitantes e, quem sabe, encontrar algum ambiente projetado para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Confira!

 

Chegando à mostra


O evento não contava com estacionamento, por isso tivemos que estacionar na rua. Como se trata de uma região movimentada da cidade, conseguimos uma vaga apenas em uma das ruas transversais à Avenida Afonso Pena.

Para chegar à mostra, foi necessário passar por calçadas com pisos razoavelmente acessíveis, porém com vários obstáculos:

 

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Calçada que ligava o evento à Rua Espírito Santo. O revestimento é regular, firme e estável (blocos de concreto), contendo também piso tátil direcional, entretanto a calçada dá num tapume de uma obra ao lado da Casa Cor, dificultando a passagem.

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Calçada que ligava o evento à Rua Paraíba. A calçada possui piso tátil direcional, mas o piso adjacente (pedra miracema) causa muita trepidação na cadeira de rodas.

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Final da calçada da foto anterior, que também termina no tapume da obra vizinha. À esquerda está a bilheteria, que não aparece na imagem.



Acesso

 

A entrada da mostra contava com uma escada de madeira e uma pequena rampa, distantes uma da outra e sem qualquer sinalização.

 

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Fachada da mostra, onde é possível ver a logo da Casa Cor e o início da escada de madeira. Na calçada, um cadeirante aguarda para entrar no evento.

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Escada de madeira sem corrimãos e sem qualquer sinalização. Essa escada dava acesso à bilheteria, que por sua vez dava acesso à mostra.

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Pequena rampa revestida de pedra miracema, localizada à esquerda da escada de madeira mostrada anteriormente. Este acesso permanecia fechado por um portão, o qual era aberto pelos seguranças quando necessário. Mais adiante, observamos uma escada (também de pedra, sem corrimãos e sem sinalização) que dá acesso à mostra. À esquerda e à direita da escada existem duas rampas de acesso, as quais observaremos nas próximas fotos.



Depois de passar pela entrada principal, os visitantes tinham três opções de acesso à mostra propriamente dita: uma escada (mostrada na foto anterior), uma rampa à direita e uma rampa à esquerda.

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Rampa à direita da escada, a qual era estreita, revestida de pedra miracema, excessivamente inclinada, sem corrimãos e sem sinalização.

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Rampa à esquerda da escada, com as mesmas características da rampa à direita, porém mais larga.

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Acesso principal à mostra, localizada no topo da escada e das duas rampas. Notem que é necessário vencer um degrau de aproximadamente 15 cm para entrar na casa.

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Rampa de madeira com corrimãos, porém é estreita e possui inclinação excessiva lateral e longitudinal. Essa rampa fica logo após a rampa à direita da escada, dando acesso à lateral da casa.

 

 

Circulação


O espaço destinado à circulação dos visitantes no piso térreo era satisfatório, havendo apenas alguns pequenos desníveis pelo percurso. Já os acessos aos ambientes eram quase todos dificultados por degraus consideráveis, salvo algumas exceções.

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Passarela com largura satisfatória e revestimento firme, regular e estável.

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Rampa pouco íngreme e sem corrimãos, com piso firme, regular e estável.

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Piso debaixo da varanda dos fundos, formando uma espécie de passarela ou caminho para os visitantes, proporcionando uma circulação tranquila. À direita fica a piscina da casa e à esquerda alguns ambientes da mostra.

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Cadeirante diante de um dos ambientes, sem poder entrar devido a um degrau e à porta estreita.

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Porta do ambiente anterior.

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Cadeirante parado próximo ao acesso de um ambiente, o qual é inacessível devido a um degrau e à presença de pedras decorativas (soltas) entre as placas do piso.

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Cadeirante parado lateralmente à entrada de um dos ambientes, também com um degrau na porta.

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Cadeirante passando de um ambiente para outro. Há um pequeno desnível entre os dois ambientes, mas facilmente vencido pela cadeira de rodas. A largura da passagem é satisfatória, mas foi necessário deslocar alguns objetos do ambiente seguinte para continuar o passeio.

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Cadeirante sendo auxiliado para transpor uma “passagem secreta”, a qual era aberta apenas em casos como este, pois era a única forma de alguém com dificuldade de locomoção conhecer os ambientes vizinhos sem ter que dar a volta na casa.

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Desnível presente na “passagem secreta”, que também era estreita.



A casa é rica em degraus e escadas, porém a organização do evento não se preocupou em oferecer uma alternativa para que cadeirantes, por exemplo, pudessem conhecer os ambientes do piso superior, a adega (piso inferior) e alguns ambientes do próprio térreo, os quais possuíam degraus para acessá-los.

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Cadeirante “ilhado” entre escadas e degraus, logo após ter passado pela “passagem secreta”.

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Cadeirante diante da escada que dava acesso ao restaurante do evento, localizado no piso superior.

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Cadeirante diante de uma das escadas que dava acesso aos ambientes do piso superior.

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Uma das escadas que dava acesso aos ambientes do piso superior.

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Escada que dava acesso à adega, no piso inferior.

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Este era uma espécie de hall da casa, servindo para interligar alguns ambientes da mostra. Por este ângulo, é quase impossível identificar a presença de um degrau, oferecendo risco de queda a “qualquer pessoa”.

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Degrau mencionado na foto anterior, na visão de quem o sobe. Há faixas amarelas sinalizando uma mureta de concreto do lado direito do percurso onde o degrau se encontra. Segundo uma expositora da mostra, no degrau também havia uma sinalização semelhante, porém foi se desgastando com o decorrer do evento e acabou sendo retirada.

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Cadeirante sendo auxiliado para descer o degrau da entrada principal da casa. Um dos ajudantes é um segurança do evento.



Ambientes acessíveis

Para a nossa alegria, um dos profissionais participantes da Casa Cor MS elaborou um sanitário acessível, o único ambiente da mostra pensado para pessoas com dificuldade de locomoção, o qual veremos em detalhes num próximo post!


Finalizando…

Das últimas três edições da Casa Cor MS, esta certamente é a mais inacessível que já visitamos. Temos consciência de que não se trata de uma mostra de acessibilidade, mas acreditamos que qualquer pessoa tem o direito de visitar eventos como este e buscar novidades para sua casa. Por outro lado, profissionais com deficiência ou mobilidade reduzida também devem ter a oportunidade de expor suas ideias na Casa Cor ou se relacionar com seus colegas de profissão ao visitar o evento.

Sabemos da complexidade de se organizar um evento como a Casa Cor e da dificuldade de proporcionar acessibilidade plena em um prédio de terceiros, onde certamente os proprietários estabeleceram limites para alterações estruturais, mas simplesmente ignorar 25% dos consumidores brasileiros – sem contar seus amigos e familiares – é, no mínimo, inadmissível.

Não esperávamos uma acessibilidade perfeita, mas torcíamos para que o evento estivesse minimamente preparado para receber o público com deficiência, disponibilizando profissionais treinados, elaborando rotas de visitação e até mesmo utilizando tecnologias digitais para apresentar a mostra aos cegos, surdos e pessoas sem condições de entrar em determinados ambientes.

Enfim, infelizmente, a decepção foi grande. Quem sabe na próxima Casa Cor MS as coisas não estejam mais acessíveis a todos…


Leia também:
Casa Cor MS 2011
Casa Cor MS 2014



Frederico Rios


Fotos: Maria Alice Furrer (06/10/2016)

Colaboração: Sebastião e Celina 



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