Casa Cor MS 2014

Publicado em: 08.outubro.2014

Por: Acessibilidade na Prática

A Casa Cor – uma das mais importantes mostras de arquitetura, decoração e paisagismo do Brasil – teve sua edição em Mato Grosso do Sul entre os dias 02 de agosto e 14 de setembro de 2014, na cidade de Campo Grande.

O evento, cujo o tema foi “Um olhar muda tudo”, foi montado em um prédio que é parte do Hospital do Câncer. A parte estrutural do local ainda estava “crua”, e a mostra contou com a criatividade dos participantes para tornar o evento possível.


Bem como na última edição em Mato Grosso do Sul (2011), visitamos a mostra em busca de “novidades acessíveis” e também para verificar as condições de acesso dos visitantes.

Entre as tecnologias que facilitam de alguma forma a vida das pessoas com deficiência, destacamos a iluminação controlada por tablet e o sanitário funcional com a caixa acoplada embutida na parede. Pode parecer pouco, mas temos de lembrar que não se trata de uma “feira especializada” em soluções para acessibilidade. Entretanto, entendemos que “qualquer” pessoa tem o direito de visitar a mostra, e é basicamente isso que iremos conferir a seguir.



imagemA Casa Cor não possuía estacionamento próprio. Assim, a maneira mais fácil de desembarcar foi estacionando do outro lado da rua, já que o “cadeirante do blog” estava como passageiro.

Por se tratar de um espaço cedido, os organizadores tiveram de se adaptar ao local. Entendemos que não havia como viabilizar um estacionamento para os visitantes, mas seria viável capacitar os recepcionistas para orientar e ajudar as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida a descer do carro e chegar à entrada do evento.


imagemA calçada estava em bom estado, assim como o piso da entrada. 

Na parede lateral havia um grande painel, parcialmente visualizado no canto direito da foto, com informações visuais de boa legibilidade.

O vão da porta de entrada era satisfatório, permitindo a passagem de um cadeirante por vez.


imagemDepois da entrada havia uma balcão de informações (fundo da foto), onde os convites da mostra eram vendidos.

O balcão não tinha aproximação frontal e sua altura não era acessível.


imagemLogo após o local de entrega dos convites, havia uma rampa de acesso sem corrimão bilateral e sem sinalização tátil.

À esquerda da rampa estava o primeiro espaço decorado, porém o acesso a ele possuía um degrau considerável, impedindo a entrada de cadeirantes.


imagemDe modo geral, o piso do ambiente externo da mostra era regular, firme e estável. As dificuldades maiores para a circulação eram os pequenos desníveis, presentes em praticamente todos os acessos dos ambientes. 

A ausência de um mapa tátil e de sinalizações táteis dificultaram a circulação de deficientes visuais.


imagemHaviam placas com informações visuais colocadas em determinados pontos do local. Essas placas possuíam boa legibilidade, mas não contavam com informações táteis. 


imagemEste era o único espaço que não possuía desnível na entrada. Havia uma pequena rampa nivelando os pisos, porém não seguia as especificações da norma técnica. Logo após a rampa, um tapete dificultava a circulação.

Ao longo de toda a mostra, tapetes soltos estavam presentes na maioria das áreas de circulação, provocando tropeços e dificuldade para tocar uma cadeira de rodas.


imagemA mostra era distribuída por dois andares. Para descer ou subir, os visitantes podiam utilizar a escada ou a plataforma elevatória.

Além da ausência de sinalização tátil no seu início e final, a escada não continha sinalização visual nas bordas dos seus degraus e não possuía corrimão nos dois lados.


A escada possuía dois lances com um patamar (área de descanso) entre eles, onde deveria existir continuação do corrimão. No patamar, havia um banco que poderia ser utilizado como descanso, o qual aparentemente não atrapalhava o fluxo de pessoas.



imagemA plataforma elevatória estava localizada próximo às escadas. Por estar em meio a um painel colorido, foi um pouco difícil encontrá-la.

Antes de chegar à plataforma, havia um extenso tapete solto no chão e com as pontas arrebitadas, dificultando o trânsito de cadeirantes e outros visitantes.

Na porta da plataforma havia um puxador vertical e uma placa com o o Símbolo Internacional de Acesso. Não havia nenhuma sinalização tátil antecedendo a porta do equipamento.


imagemO vão de entrada da plataforma era satisfatório, porém sua porta era pesada, sendo necessário ajudar o “cadeirante do blog”. Além disso, havia desnível nos acessos dos dois andares.


imagemÚnicos comandos presentes – “sobe”, “desce” e “parar” -, sem nenhuma informação tátil. A altura dos comandos era acessível.


imagemA plataforma “corria” dentro desta parede áspera e irregular, com tijolos e concreto aparentes, oferecendo riscos aos usuários.


Finalizando

Como dissemos anteriormente e no post de 2011, somos conscientes de que a Casa Cor não é uma mostra de tecnologias em acessibilidade, mas seus organizadores poderiam e deveriam considerar a presença de pessoas com deficiência e dificuldade de locomoção e, com isso, facilitar o acesso desse público. Além de ser um evento que proporciona entretenimento, assuntos como arquitetura, decoração e paisagismo também interessam a pessoas e profissionais com e sem deficiência.

Comparando a mostra de 2014 à mostra de 2011, podemos concluir que as “novidades acessíveis” diminuíram, e as condições de acesso ainda deixam a desejar.

Infelizmente, ainda existe muito preconceito com a acessibilidade por parte dos profissionais de Arquitetura, Design de Interiores e outras áreas. O assunto é visto por muitos deles como desnecessário, pouco lucrativo e até mesmo “afeador” de ambientes. Sabemos que nada disso é verdade, e vários desses pontos têm sido desmistificados aqui mesmo no blog.

O mínimo que esperamos para a próxima edição da Casa Cor MS é que a mostra receba com dignidade todas as pessoas, sem distinção.



Leia também: Casa Cor MS 2011


Maria Alice Furrer e Frederico Rios (“cadeirante do blog” 🙂 )

Fotos: 28/08/2014



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