Banheiro residencial acessível

Publicado em: 15.junho.2016

Por: Acessibilidade na Prática

A NBR 9050/2015 é a norma técnica que trata da “Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos”, devendo ser aplicada a estabelecimentos públicos ou estabelecimentos privados de circulação pública, visando proporcionar autonomia, independência e segurança à maior quantidade possível de pessoas, independentemente de idade, estatura ou limitação de mobilidade ou percepção.

Já as edificações residenciais multifamiliares, como condomínios e conjuntos habitacionais, necessitam ser acessíveis apenas em suas áreas de uso comum, como halls, salões de festas, elevadores, balcões, calçadas e outros. Assim, nas áreas residenciais, onde o uso é exclusivamente familiar, não há necessidade de atender todas as especificações da norma técnica, mas sim as necessidades dos moradores.
 

Apesar da NBR 9050 ser uma ótima referência também para a adaptação de ambientes pessoais e exclusivos, mostraremos neste post que, em casa, não precisamos seguir a norma técnica à risca. Vejamos a seguir um sanitário da residência de um casal, onde o marido é cadeirante (tetraplégico).


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O banheiro do casal fica na suíte, em frente à porta de entrada do quarto, facilitando o acesso.



fotoPara poupar espaço do banheiro e do quarto, optou-se pela porta de correr no banheiro. Como a porta do quarto possui fechadura, o casal não viu necessidade de colocar trinco na porta do banheiro.

O vão da porta é de pouco menos de 90 cm, facilitando a passagem da cadeira de rodas e também da cadeira de banho (ou cadeira higiênica).


fotoO lavatório, a bacia sanitária e o chuveiro ficaram dispostos nesta ordem, um ao lado do outro, facilitando a circulação com a cadeira de banho.


A pia (lavatório) possui um recorte na bancada e sua área inferior é livre, permitindo a aproximação total do cadeirante. O recorte é importante para apoiar os cotovelos e, consequentemente, ter uma boa sustentação de tronco ao fazer a higiene. Esses dois detalhes facilitam bastante o uso da torneira e dos outros utensílios.


A torneira tem acionamento por alavanca, facilitando seu manuseio. Para a regulagem da temperatura da água, basta lateralizar a alavanca. Outro detalhe importante é a saída de água mais alta que as torneiras convencionais, o que facilita escovar os dentes.

O espelho do banheiro foi instalado na vertical, permitindo que o cadeirante se visualize do peito para cima. No quarto do casal existem mais espelhos que permitem a visualização de corpo inteiro.

Próximo ao lavatório há diversos toalheiros, sendo um deles fixado mais baixo para facilitar o alcance do cadeirante.


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No caso específico deste morador cadeirante, não é necessário barras de transferência para a bacia sanitária, já que o mesmo utiliza cadeira de banho e não se transfere diretamente para a bacia.

Para facilitar seu uso, o cesto de lixo não possui tampa.

Por medidas de segurança e também para facilitar o acesso, a área de banho não possui box. Assim, a água oriunda do chuveiro, que porventura escorre pelo banheiro, é drenada manualmente com um rodo domiciliar. 

A única barra da área de banho está na lateral do chuveiro, bem diferente do preconizado pela norma técnica. Essa barra atende à esposa, que depois de um entorse de tornozelo, a utiliza como apoio para lavar os pés.


Finalizando…

Esse banheiro possui diversos outros detalhes “inacessíveis” que não foram mencionados neste post, mas nossa intenção é justamente mostrar que as necessidades do morador vêm em primeiro lugar.

Também é importante lembrar que qualquer residência deve ter pelo menos um quarto e um banheiro minimamente acessível – com portas mais largas, espaços mais amplos e livres de obstáculos -, que servirão tanto para receber uma visita com dificuldades de locomoção como para atender os próprios moradores em circunstâncias como lesões e períodos pós-operatórios.


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Maria Alice Furrer e Frederico Rios

15/06/2016



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