Apartamento acessível do Golden Tower São Paulo Hotel

Publicado em: 17.maio.2012

Por: Acessibilidade na Prática

Estas são as instalações do apartamento acessível do Golden Tower São Paulo Hotel, localizado na Rua Deputado Lacerda Franco 148, Pinheiros, São Paulo – SP. Confiram!

 
O número do apartamento é representado por uma placa de fundo metálico e com vidro sobreposto, dificultando sua legibilidade. Não há sinalização tátil em braille ou texto em relevo, instalada nos batentes ou vedo adjacente, no lado onde estiver a maçaneta, o que tira a autonomia dos deficientes visuais para poder encontrar o quarto.

A fechadura da porta é eletrônica, acionada por um cartão magnético. Estes cartões são colocados dentro de envelopes, onde há instruções de uso, porém as informações são disponíveis apenas visualmente. Uma sugestão, a qual não está na NBR 9050/2004, seria providenciar informativos em braille e entregá-los durante o check-in aos hóspedes com deficiência visual.
 
A maçaneta é acessível por ser de alavanca e de fácil manuseio. Tanto a abertura quanto o fechamento da porta são suaves, e seu vão livre é satisfatório.


No centro da foto visualizamos o interior da porta de entrada. À esquerda, temos a porta do banheiro.

A maçaneta de ambas as portas são de fácil acionamento.

Na face interna da porta de acesso ao quarto, acima da maçaneta, existe uma placa com um mapa e um texto com fontes pequenas, dificultando a leitura. Esta placa contém informações sobre rotas de fuga, para a segurança dos hóspedes. Entretanto, nem o texto nem o mapa estão disponíveis de forma tátil, privando os deficientes visuais destas informações tão importantes.

O espelho instalado na parte interna da porta de acesso é vertical e permite uma boa visualização por vários biotipos, independente se a pessoa está em pé, é cadeirante ou tem baixa estatura. No espelho podemos ver nitidamente a imagem de uma cadeira de rodas, a qual é vista como um todo.
 

A porta do sanitário tem abertura para o interior, diminuindo o espaço interno e afetando questões de segurança. Para não interferir na circulação do corredor (o qual está na lateral do banheiro), ao invés de substituir a porta por uma de abertura externa, seria mais interessante uma estrutura de correr, com as especificações adequadas. Assim, não haveria interferência nos espaços nem do sanitário nem do quarto.

Há barras de apoio nas paredes lateral e posterior à bacia sanitária. Por existir uma caixa acoplada, a barra posterior possui uma altura excedente. Este tipo de caixa é descrito na NBR 9050/2004, porém ela deve ser utilizada de maneira que não interfira na instalação da barra de apoio.

A papeleira (canto esquerdo da foto) está instalada na parede lateral, o que é correto, porém está muito afastada da bacia sanitária, dificultando ou até impossibilitando seu alcance. A norma recomenda ducha higiênica, a qual está ao lado do vaso sanitário, porém seu acionamento não é acessível, já que é necessário destreza nas mãos para utilizá-la.

Na parede lateral da bacia existe um telefone, o qual faz contato com a recepção. Entretanto, um deficiente auditivo não poderá se comunicar, principalmente em casos de emergência. Uma medida de segurança interessante e viável seria a instalação de dispositivos de sinalização de emergência. Estes dispositivos devem estar localizados ao lado da bacia e do boxe do chuveiro, a uma altura de 40 cm do piso, para acionamento em casos de queda.

O espaço é suficiente para as transferências para a bacia sanitária. A demarcação em amarelo no piso não possui desnível, apenas representa a área do chuveiro, podendo também ser utilizada para a transferência.

As barras de apoio do chuveiro não estão instaladas de acordo com as especificações da norma técnica. O chuveiro possui ducha manual e seu acionamento é feito por meio de alavanca.

Existe o banco articulado na área de banho, o qual está especificado na norma técnica. Porém, não são todas as pessoas que possuem condições físicas para utilizá-lo. Por isso, no momento da reserva, foi comunicado que o cadeirante precisava de uma cadeira de banho para utilizar tanto o chuveiro quanto a bacia sanitária, o que foi prontamente providenciado pelo hotel.
 

O piso do sanitário não é antiderrapante, tanto que na área do chuveiro há disponível um tapete de borracha (canto esquerdo da foto). Porém, se a água for para fora desta área, nada resolverá a presença de tapetes.

Lavatório do sanitário não possui barras de apoio e apresenta quinas vivas. Sem as barras, com o revestimento do piso deslizante e presença de quina viva, há risco de acidentes, principalmente com idosos.

O lavatório é suspenso e permite a aproximação frontal de um cadeirante. Embaixo do lavatório existe um cesto de lixo com acionamento por pedal, o que não é acessível, e sua localização atrapalha a aproximação frontal.

A torneira da pia é do tipo alavanca, facilitando seu uso. O secador de cabelo (ao lado do lavatório) está com uma altura excedente, impossibilitando que cadeirantes ou pessoas de baixa estatura o alcance.

O espelho é instalado na posição vertical e permite uma boa visualização.


Esta é a visão interna da porta do sanitário, onde há um cabide instalado numa altura excecedente, o qual não pode ser alcalçado por todos os hóspedes.

Além de a altura não estar adequada, a norma técnica não recomenda que os cabides sejam instalados atrás de portas.

 
Ao entrar no quarto e seguir em frente, existe este ambiente com televisão, aparador e mesa com cadeira. Nenhum destes mobiliários interferem na circulação, porém tanto o aparador (à direita da foto) quanto a mesa (onde está a televisão) possuem altura inferior ao que é indicado na NBR 9050/2004, impossibilitando que um cadeirante utilize estes móveis.

O lustre (canto direito da foto) está dentro do espaço de circulação do quarto e possui uma altura baixa, onde os hóspedes podem acabar colidindo com a cabeça.

O revestimento do piso do quarto é de carpete, o que não é indicado já que aumenta aderência entre a roda da cadeira e o piso, dificultando as manobras com a cadeira de rodas.

No quarto haviam guias explicativos relacionados ao hotel (restaurante, diárias e outros), porém sem informações em braille.


Esta é a janela do quarto, onde tanto para abrir como para fechar é necessário acionar este sistema. A força manual para acionar a alavanca não é suave, onde não serão todos os hóspedes que conseguirão manuseá-la.

 
A circulação interna do quarto é satisfatória, mas o espaço entre a cama e o armário é estreito, impedindo o acesso de um cadeirante. A cama possui rodas, ou seja, pode se deslocar. Quem deve organizar estes pontos é o hotel, preferencialmente antes da chegada do hóspede.

A cama tem altura superior à ideal. Na cabeceira existem comandos para o ar condicionado, iluminação e outros, mas apenas com sinalização visual.

O telefone na cabeceira tem o ponto em relevo no dígito cinco, guiando o manuseio dos deficientes visuais.

A abertura e fechamento dos armários não interferem no espaço do quarto, já que suas portas são de correr. As primeiras prateleiras são acessíveis, já as últimas possuem altura excessiva. Com isso, o hotel não pode, por exemplo, acomodar uma coberta nas prateleiras superiores.

Há um frigobar com altura acessível, permitindo seu alcance.


Conheçam também a entrada principal do hotel.


Maria Alice Furrer e Frederico Rios

Fotos: 21/04/2012

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *