Acessibilidade nos hotéis – um caso em Natal, RN

Publicado em: 15.junho.2011

Por: Acessibilidade na Prática

Quem já procurou, sabe como é difícil encontrar um hotel acessível e que atenda a todas as suas outras exigências (internet, café da manhã, vista para o mar, etc.). Normalmente, priorizamos a acessibilidade já que, “pelo menos”, ela permite a sua hospedagem. Como qualquer outro estabelecimento, o hotel acessível (e nem preciso dizer que me refiro a 100% acessível) ainda é caso raro. Mas, pelo progresso do empreendimento em atender à NBR 9050 e por toda estrutura realmente existente no local, venho mostrar os bons exemplos de acessibilidade encontrados em um hotel da cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. Peço licença para desprender um pouco da norma, só pra mostrar que boas práticas e conscientização fazem uma grande diferença na vida de quem precisa delas.
 
Logo na entrada, percebemos que a pintura das vagas reservadas foi recentemente reforçada com o símbolo de acessibilidade (notem que a cadeira de rodas ganhou aerofólio) e a sinalização vertical está fora da norma, mas observa-se que eles utilizam uma faixa adicional para cada vaga; essas não são as únicas vagas reservadas, existem duas próximas a cada entrada do hotel, totalizando 8. O piso é nivelado até o hall do hotel, não necessitando de guia rebaixada. Lembrando que as faixas da travessia não estão em cores contrastantes.
 
 
 
Nas escadarias internas, notamos que a boa intenção existiu desde a fundação do prédio (em 2005), mas ainda apresenta erros. A imagem mostra a situação atual e a proposta: afastar o piso tátil do início da escada; substituir as faixas de sinalização visual pretas por amarelas, aumentando o contraste para pessoas idosas e com visão subnormal.
 
 
 
Todos os corrimãos das escadas possuem indicação do andar em Braille, faltando apenas o anel com textura contrastante com a superfície do corrimão, que deve ser instalado 1,00 m antes das extremidades (recomendação).
 
 
 
Os sanitários das áreas comuns sempre são compostos de um masculino, um feminino e outro unissex adaptado, satisfazendo as pessoas com deficiência que precisam entrar acompanhadas. Este da foto, um banheiro próximo às piscinas, é o único que não possui unissex, mas sanitários masculinos e femininos acessíveis. A sinalização é contrastante e todas as entradas dos sanitários também possuem indicação em Braille.
 
 
 
As rampas respeitam a boa inclinação, com exceção da rampa na foto que é quase o escorrega de um parque com emoção. O hotel deve colocar agora corrimãos em todas as rampas e degraus da área de lazer que, apesar de serem curtas ou com pouca inclinação, está sendo exigido pelo Ministério Público.
 
 
 
Todas as indicações de orientação e sinalização do hotel possuem a placa respectiva em Braille, o que me encantou. Os batentes dos elevadores possuem placa em Braille. Existem 14 elevadores no hotel e os sociais possuem aviso sonoro de indicação do andar. Esse hotel tem uma das diárias mais caras da cidade, ou seja, os hóspedes são dos mais exigentes. Quase não se pode ouvir o som no elevador porque os hóspedes que "não precisam" do recurso reclamaram do incômodo e o hotel baixou o volume. Os elevadores possuem ainda o piso tátil de alerta antes da porta, devidamente instalados, porém não é de material adequado e nem cromo-diferenciado com o piso.
 
 
 
O hotel possui 12 quartos adaptados. Os banheiros estão passando por reformas, então, por enquanto a papeleira e outros elementos estão fora da faixa de alcance (de 0,80m a 1,20m de altura). A área de banho atende à norma, sem barreira, com área de transferência, assento para banho e piso antiderrapante. As barras de apoio estão posicionadas corretamente.
 
 
 
Estas são as placas com indicação em Braille espalhadas pelos corredores, elevadores e entradas das circulações internas. A placa de alumínio recebe um encaixe de acrílico com o Braille gravado. Encontramos algumas placas sem a parte em Braille, pois, pela falta de gestão e orientação, os funcionários acabam jogando fora quando, porventura, essa parte desencaixa. Uma simples fita adesiva pode segurar esse encaixe, evitando que caia.
 
 
 
Os dormitórios possuem piso antiderrapante, bancada rebaixada e área para circulação. O acesso à varanda é feito através de uma rampa removível que, assim como as barras de apoio de alguns banheiros adaptáveis, são colocadas apenas quando irão receber um hóspede com deficiência. Este tipo de batente para a varanda poderia ser evitado na elaboração inicial do projeto. O dormitório não possui diretório dos serviços do hotel em Braille.
 
 
 
Por fim, uma das vistas do hotel, uma parte da área de lazer: a praia de Ponta Negra, Natal – RN. Sim, temos acesso às piscinas através do equipamento que transfere a cadeira de rodas (do hotel) para dentro da água e as rampas vencem todos os desníveis na área de lazer.
 
 
 
Enfim, apesar do avanço, o hotel ainda tem muito trabalho pela frente (que já está sendo executado). Os funcionários também precisam ser treinados para receber o hóspede com deficiência, a gestão precisa fazer reuniões tratando da manutenção da acessibilidade e TODAS as pessoas devem ter AUTONOMIA para circular em todos os ambientes, afinal, todos nós pagamos para desfrutar dos mesmos serviços. A adequação dos hotéis em termos de acessibilidade, total ou assistida, disponibilizando, também, tecnologias assistivas facilita a acessibilidade das pessoas com deficiência, proporcionando qualidade na sua estada e diminuindo os riscos de acidentes.
 
 
Larissa Santos – Designer de Interiores
 
Twitter: @Larissa_Sans

15 ideias sobre “Acessibilidade nos hotéis – um caso em Natal, RN

  1. Excelente a matéria!
    Sinal de que os bons exemplos de acessibilidade existem e que não demandam investimentos caros, mas sim apenas criatividade, bom senso e, principalmente, preocupação no atendimento às normas e às pessoas que necessitam destas adaptações!
    Faltou apenas o nome e o teleofone do hotel… 😉
    Diego Rios

  2. Dieego,
    Posso te passar o nome e o telefone do hotel por outro meio, rsss. Aliás, espero poder passar o contato da maioria dos bons hotéis acessíveis de Natal ao final da pesquisa. 😉

  3. Larissa,
    Muito boas as suas observações….gostaria que vc me passasse o nome do hotel, pois tenho uma ag. de viagens e turismo com foco em turismo com acessibilidade (acessibilidade mesmo) e é um grande obstáculo que enfrento principalmente em roteiros nacionais. Caso vc possa me enviar por e-mail, ficaria grata.
    :))

  4. Pingback: Mapas táteis | Paraíba sem Barreiras

  5. Larissa, notadamente percebo seu interesse e dedicação ao tema. sou um dos coordenadores do FAC – FORUM INTERNACIONAL DE ACESSIBILIDADE E CIDADANIA e pretendemos realizar um Encontro temático em Natal ainda em 2012, se puder ajudar e participar conosco sera bem vinda. abraco. boa sorte e parabens!

    • Obrigada, Gilmar. A iniciativa do Fórum é muito bem vinda. Natal, assim como tantas outras cidades, precisa estar atenta à acessibilidade, o trabalho ainda é grande, as adequações são urgentes, principalmente na hotelaria.
      Abraços.

  6. Olá Larissa, vou em Dezembro/2012 para Natal, em um evento na UFRN sobre Inclusão Social e deficiências, sou cadeirante e gostaria de saber se próximo a universidade há hotéis adaptados?
    Pois sofro muito quando viajo, eles dizem que são adaptados, mas só possuem rampa e bem inclinada.
     
    Grata
    Fernanda

    • Oi Fernanda,
      Olha, próximo à UFRN não tem hotel que eu possa te indicar como acessível. Na verdade, aquela área tem bem pouco hotel. Então, o melhor é ficar em Ponta Negra mesmo. Não é tão longe da universidade e lá tem alguns hotéis acessíveis a cadeirantes. Poderia te indicar o Ponta do Sol, o Esmeralda, o Quality,  o Pontalmar, SERHS .. e o resto acho perigoso, rss. Mas o ideal é você ligar e perguntar pelas coisas que você precisa, pois nem todos  tem cadeira de banho, por exemplo, etc. 
      Não sei se ajudei, mas fica à vontade para saber mais, se eu puder ajudar, faço com prazer.
      Abraços!

  7. OI, Larissa.
    Muito bom o seu post, é uma ótima referência.
    Pretendo ir a Natal em julho/13 e gostaria de saber se você já concluiu sua pesquisa e se tem mais dicas de hotéis e, quem sabe, de pontos turísticos acessíveis em Natal. Se precisar de informações de Brasília, onde moro, posso colaborar.
    Um abraço.

  8. Parabéns Larissa pela pesquisa e excelente relatório. Estive hospedado no SEHRS durante 9 dias em 2011, sendo que considero este um dos melhores dentre todos resorts que conheço no Brasil, em termos de acessibilidade e conforto. As piscinas são um modelo de como deveriam ser todas as piscinas do mundo inteiro, muito fácil de entrar e sair, as bordas de granito branco têm arestas suavemente abauladas e sempre podia contar com ajuda de um funcionário, se necessário. Não fiquei em suite adaptada, mas foi disponibilizada uma cadeira de banho tão logo solicitei à recepção. Não sou cadeirante, utilizo muletas, me senti no paraíso pois tudo está à disposição dos hóspedes, desde alimentação com culinária típica e outros serviços como aluguel de carro com motorista e passeios para conhecer as maravilhosas praias potiguares, além do spa, com banhos e terapias especiais. Evidente que tudo isso tem um custo, mas o benefício é vantajoso para férias inesquecíveis.

    • Muito obrigada, Paulo. Fico feliz que você tenhas passado dias maravilhosos na cidade e que foi bem atendido. Sempre encontramos atualizações para fazer no sentido de acessibilidade no ambiente construído e vemos, cada vez mais, a boa vontade dos empresários em antendê-las. Volte sempre, Natal é ótima.

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