Acessibilidade no Senzala Bar & Grill

Publicado em: 06.dezembro.2011

Por: Acessibilidade na Prática


Em uma visita à São Paulo, almoçamos no novo restaurante Senzala Bar & Grill, localizado na Praça Panamericana 99, Alto de Pinheiros. Como não podia ser diferente, conferimos alguns pontos da acessibilidade do local. Confira!

 
Presença de vaga para estacionamento de veículos que conduzam ou sejam conduzidos por pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Esta vaga não possui sinalização vertical, somente a horizontal (Símbolo Internacional de Acesso pintado no chão). Entretanto, não há espaço adicional de circulação, ou seja, faixas amarelas ao lado da vaga com no mínimo 1,20m de largura. A faixa branca ao lado desta vaga funciona, na verdade, para impedir o estacionamento de veículos em frente ao acesso principal do restaurante. 

Na entrada da vaga existe um poste de luz e uma lixeira, dificultando ou até impedindo o acesso de veículos. Por isso, o táxi estacionou na frente do acesso principal do restaurante, ao lado da vaga reservada, para que fosse possível a descida do cadeirante.
 
Apesar de a vaga estar localizada em rota acessível, o seu mau planejamento dificulta muito seu uso adequado. Sem contar que o estacionamento deste restaurante é sobre as calçadas e, dependendo da forma que o veículo estaciona, estreita a faixa livre de circulação de pedestres.

Não há nenhuma sinalização tátil alertando que há entrada e saída de veículos neste trecho da calçada.

 
O corredor que leva até o interior do estabelecimento possui dimensões adequadas, mas em muitos pontos a circulação entre as mesas é dificultada devido ao espaço estreito. Esta falta de espaço impede a circulação de uma cadeira de rodas ou de um carrinho de bebê, por exemplo.

Não há mesas preferenciais ou exclusivas para pessoas com deficiência ou idosos. Apenas uma mesa de tampo redondo permitiu a aproximação frontal da cadeira de rodas. As demais mesas não tinham área livre inferior, impedindo sua utilização.

 
Presença do Símbolo Internacional de Sanitário Feminino, adequadamente representado. Por ser uma informação visual, a placa deveria estar localizada entre 1,40m e 1,60m do piso, no centro da porta ou na parede adjacente, mas não no alto da parede superior à porta. Isso dificulta sua vizualização. Não havia sinalização tátil (Braille ou texto em relevo), informando a presença de um sanitário.

A maçaneta é acessível, porém a abertura da porta não é suave, dificultando seu manuseio. A abertura da porta é para o interior do banheiro, o que não é uma medida segura.

 
A maçaneta (puxador vertical) permite o encaixe das mãos sem requerer muita destreza. Porém, como esta porta tem sistema de mola, sua abertura é pesada, dificultando seu uso.

Ausência de puxador horizontal associado à maçaneta.


Presença de lavatório suspenso, mas sem barras de apoio. As torneiras são acessíveis, com mecanismo de fácil acionamento (pressão). O espelho na vertical permite a visualização também de cadeirantes e pessoas de baixa estatura.

O posicionamento das papeleiras e saboneteiras está desorganizado e mal planejado, dificultando seu uso. Notem que as saboneteiras e as papeleiras dos cantos direito e esquerdo da foto estão acima de um cesto de lixo, ou seja, como um cadeirante poderá alcançá-las?

No canto direito da foto há uma lixeira, entre o lavatório e a entrada de um dos boxes, dificultando e atrapalhando a entrada de qualquer pessoa neste boxe. Uma solução viável seria utilizar apenas uma lixeira, no canto esquerdo do lavatório, reorganizando também o posicionamento dos acessórios.


No canto esquerdo da foto existe um fraldário, que permite a aproximação frontal de uma cadeira de rodas, além de disponibilizar uma cadeira para descanso.
 
Ao lado do fraldário está localizado o boxe acessível, porém não há nenhuma sinalização indicando sua presença. Não há maçaneta na porta do boxe acessível, mas sim um trinco, que requer destreza nas mãos de quem for utilizá-lo, ou seja, nem todas as pessoas conseguirão fechar a porta do sanitário.

 
A abertura da porta do boxe é para fora, não interferindo nas áreas de transferência e de giro. Novamente o trinco de difícil manuseio, ou seja, não é acessível.

Dentro do boxe, no canto direito da foto, há um rodo e lixo espalhado. Isso interfere na área interna do boxe, além de ser uma falta de respeito, pois o sanitário acessível não é depósito de lixo nem de material de limpeza.

Não há lavatório neste boxe, o qual deveria ser instalado sem interferir na área de transferência.

 
Presença de barras de apoio ao fundo e na lateral da bacia sanitária, porém as mesmas não são circulares, com diâmetro entre 3,0cm e 4,5cm. Com isso, a transferência do cadeirante para a bacia sanitária torna-se arriscada.

A bacia sanitária está instalada sobre um sóculo (base de cimento), o qual ultrapassa a base da bacia, tornando-se uma barreira para a aproximação da cadeira de rodas. O sóculo é utilizado quando a bacia tem altura insuficiente, e não deve ultrapassar 5,0cm do contorno da bacia. O dispositivo de acionamento da descarga está localizado adequadamente.

A lixeira, localizada na lateral esquerda da bacia, interfere na área de transferência. Além disso, seu acionamento não é nada acessível, pois é feito por meio de um pedal, ou seja, quem não tem movimento nas pernas não consegue abrir a lixeira. Substituindo a lixeira e posicionando-a entre a bacia e a parede lateral, estes problemas seriam facilmente solucionados.

Presença de papeleira não embutida e em correta localização, porém sua altura de instalação não foi mensurada.


Maria Alice Furrer

Fotos: 02/11/2011

 

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