Acessibilidade no Plenário Edroim Reverdito (“Plenarinho”)

Publicado em: 25.setembro.2011

Por: Acessibilidade na Prática

Há alguns dias, divulgamos aqui no blog as condições da Acessibilidade na Câmara Municipal de Campo Grande.

Por se tratar de um prédio extenso e com muitos detalhes, deixamos para mostrar o "Plenarinho" em outro post. E aqui está!

O Plenário Edroim Reverdito, mais conhecido como "Plenarinho", é um auditório o qual também faz parte da Câmara Municipal, porém com dimensões menores que as do Plenário Principal. Este local é utilizado para reuniões menores, como audiências públicas, por exmplo.

Confiram!

 
Entrada do “Plenarinho” com sinalização apenas visual, acima da porta. Esta sinalização deveria estar no centro da porta ou na parede adjacente, ocupando área entre 1,40 m e 1,60 m do piso. Além desta informação visual, deveria haver a sinalização tátil (em Braille ou texto em relevo) localizada nos batentes ou vedo adjacente (parede, divisória ou painel), no lado onde estiver a maçaneta, a uma altura entre 0,90 m e 1,10 m. 

A diferença da altura de instalação da sinalização visual e tátil (mencionada acima) existe porque uma altura confortável e acessível de alcance visual é diferente da do alcance manual, por isso os parâmetros descritos na NBR9050 são diferentes.
 
Porta de correr, com vão livre satisfatório, permitindo a passagem de uma cadeira de rodas, por exemplo. A abertura da porta é suave, com puxador vertical, permitindo que pessoas com pouca mobilidade de mãos realizem seu acionamento.

 
Na área destinada ao público deve haver espaço reservado para cadeirantes e assentos para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, inclusive obesos, porém existe apenas o espaço para cadeirantes. Sempre que possível, os espaços devem ser projetados de forma a permitir a acomodação de pessoas com deficiência com no mínimo um acompanhante, distribuídos por várias partes do auditório. 
 
O “Plenarinho” conta com o espaço reservado para cadeirantes, perto do corredor, demarcado com o Símbolo Internacional de Acesso, o qual está representado incorretamente. Neste espaço reservado, se dois cadeirantes estiverem acompanhados, apenas um poderá sentar-se ao lado se seu acompanhante.
 
Não foi mensurado o espaço reservado para cadeirantes, o qual deve possuir as dimensões mínimas de 0,80 m por 1,20 m, onde este espaço deve estar deslocado 0,30 m em relação à cadeira do lado para que o cadeirante e seus acompanhantes fiquem na mesma direção. Sem esta faixa de acréscimo de 0,30 m, o cadeirante não ficará alinhado com a fileira de assentos laterais.
 
Se houvesse assentos para pessoas com mobilidade reduzida, eles deveriam possuir  um espaço livre frontal de no mínimo 0,60 m. E o assento para pessoas obesas, que pertencem ao grupo com mobilidade reduzida, deve, além do parâmetro citado acima,  ter largura equivalente à de dois assentos adotados no local e suportar uma carga de no mínimo 250 kg.

 
A rampa de acesso à mesa diretora do “Plenarinho” possui largura satisfatória. Em rampas que ligam o espaço reservado para cadeirantes e o “palco”, não há necessidade de corrimão, porém devem possuir guia de balizamento. No caso acima, a única guia de balizamento é a parede lateral, pois na parte contralateral não há guia delimitando a largura da rampa. 
 
O revestimento da rampa é feito por carpete, o que dificulta a subida da cadeira de rodas, já que o atrito aumenta. A inclinação desta rampa é suave.

Pensando na diversidade e por se tratar de um desnível, a sinalização tátil deveria ser instalada no início e no final desta rampa.
 

Este balcão, utilizado para pronunciamentos, possui uma altura que excede os 0,90 m. Assim, quando utilizado por um cadeirante, a platéia terá dificuldade para visualizá-lo, e vice versa. 
 
A visita ao “Plenarinho” foi feita em um dia sem atividades no local. Porém, para tornar-se acessível aos deficientes auditivos, deve haver um intérprete de Libras e legendas em português (e/ou um intérprete oralista).
 
A NBR9050 afirma que o local determinado para posicionamento do intérprete de Libras deve ser identificado com o símbolo internacional de pessoas com deficiência auditiva (surdez). Deve haver um foco de luz posicionado de forma a iluminar o intérprete de sinais, e este foco não deve projetar sombra no plano atrás do intérprete de sinais.
 
Em relação às legendas em português e ao intérprete oralista, apesar de não serem exigidos pela NBR9050, elas auxiliam na compreensão do evento por surdos oralizados, dentre outros indivíduos com menores graus de surdez ou estrangeiros, por exemplo.
 

Além de o piso ser revestido por carpete, dificultando a impulsão de um cadeirante, existe um desnível (canto inferior direito da foto). Este desnível de difícil visualização pode causar eventuais tropeços.
 
A aproximação frontal adequada do cadeirante foi dificultada por dois motivos: a presença de resmas e caixas debaixo do balcão e a existência de uma tábua na altura dos joelhos (se o cadeirante avançar sobre o balcão irá colidir-se contra ela).
 

Bancada com altura acessível, permitindo a visualização tanto por quem está atrás dela quanto pelo público.

 
A aproximação frontal estaria adequada se a madeira abaixo da bancada estivesse um pouco mais recuada. Além de não permitir a aproximação correta, esta parte da bancada oferece riscos, já que um cadeirante pode colidir contra esta parte de madeira caso o mesmo não a visualize antes.


Frederico Rios e Maria Alice Furrer

Fotos: Ronny Stward (02/08/2011)

Colaboração: Fernando Urias ("Sorriso"), Servidor da Câmara Municipal
 

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