Acessibilidade no Habib’s de Campo Grande

Publicado em: 31.maio.2011

Por: Acessibilidade na Prática

O Habib's é a uma rede brasileira de fast-food, especializada em comida árabe, que consta com 306 restaurantes espalhados pelo Brasil.
 
A primeira loja foi inaugurada em 1988 em São Paulo e tinha como item principal de cardápio, a comida árabe, como esfirra, quibe e beirute. Com o crescimento da rede o cardápio se diversificou e hoje conta com mais de sessenta itens, desde sanduíches até sorvetes, tendo se tornado parte da cultura paulistana. (Wikipédia, acessado em 31/05/2011)
 
Há menos de um ano, foi inaugurada em Campo Grande a primeira loja do Habib's em Mato Grosso do Sul, localizada na Avenida Afonso Pena esquina com a Rua Bahia. Confiram nossa visita!
 
 
Estacionamento – vaga reservada
 
– Presença de vaga reservada para veículos autorizados, que sejam conduzidos ou que conduzam pessoas com deficiência;
 
– Existem cones “reservando” a vaga, os quais devem ser removidos para estacionar o veículo, dificultando o acesso. Na entrada do estacionamento existe um funcionário, o qual poderia fiscalizar quem utiliza a vaga. Esta fiscalização é mais viável e torna desnecessária a presença dos cones, inadequadamente localizados no centro da vaga; /
 
– Vaga em 90º, com sinalização horizontal e espaço adicional de circulação de no mínimo 1,20 m de largura (listras amarelas no canto esquerdo da foto);
 
– Ausência de sinalização vertical para vagas fora de via pública (placa vertical sinalizando que a vaga é de uso exclusivo para veículos autorizados);
 
A vaga está localizada em uma área próxima à entrada acessível, porém não evita a circulação entre os veículos;/
 
O número de vagas para estacionamento de veículos que conduzam ou sejam conduzidos por pessoas com deficiência atende a NBR9050, onde em um estacionamento de 11 a 100 vagas deve ser prevista 01 reservada.
 
 
Entrada acessível
 
– Novamente, a localização da vaga reservada não evita a circulação entre veículos. Para sair do estacionamento, a única passagem existente encontra-se na entrada e saída de veículos;
 
– Superfície do piso do estacionamento é lisa, regular, firme e antiderrapante. Há piso tátil apenas na calçada do estabelecimento; /
 
– Para sair do estacionamento é necessário transpor estas sinalizações elevadas (“tartarugas”) localizadas no piso, causando trepidação e movimentos bruscos na cadeira de rodas, podendo ocasionar uma queda.  
 
 
– O trajeto do estacionamento até a entrada acessível também não evita a circulação entre veículos, onde, além do fluxo de entrada e saída de veículos do estacionamento, existe também a saída do drive thru;
 
– Existe uma faixa de travessia de pedestres para a transposição da área de circulação de veículos, porém não há piso tátil neste trecho para direcionar um deficiente visual até a entrada acessível e alertá-lo para o fluxo de veículos; /
 
– A sinalização tátil está presente na calçada do estabelecimento.   
 
 
– A rampa possui inclinação adequada e suave, com o revestimento da superfície do piso regular, firme e antiderrapante;
 
A largura está dentro dos padrões mínimos para rampas em rotas acessíveis, permitindo o deslocamento de um pedestre andante e um cadeirante;
 
– Presença de sinalização tátil de alerta no início e término da rampa, porém com baixo constraste de cor com o piso;✔/
 
As grelhas devem estar preferencialmente fora do fluxo principal de circulação. Quando não é possível evitar sua instalação, o vão deve ser instalado transversalmente, como ilustra a foto. Porém, esta grelha é instável e está desnivelada em relação ao piso, causando trepidação na cadeira de rodas;/
 
– Não há sinalização informativa, indicativa e direcional apontando a localização da entrada acessível;
 
– Há corrimão instalado em apenas um lado da rampa. O correto seria a instalação em ambos os lados, pois uma pessoa com comprometimento no lado esquerdo do corpo, por exemplo, estaria impossibilitada de usar o corrimão para auxiliá-la na descida da rampa;
 
– A rampa possui uma parede lateral, mas no lado contralateral não há parede nem guia de balizamento (para delimitar a rampa, direcionando deficientes visuais), com altura mínima de 5 cm, instaladas ou construídas nos limites da largura da rampa; /
 
As extremidades do corrimão têm acabamento recurvado, sem protuberâncias;
 
– Corrimão lateral instalado com duas alturas (Obs.: as alturas não foram mensuradas).
 
 
– Presença de escada fixa na entrada principal do estabelecimento, associada a uma rampa;
 
– Corrimãos instalados em ambos os lados da escada. Porém, quando a largura da escada for superior a 2,40 m, é necessária a instalação de um corrimão intermediário;  /
 
– Ausência de sinalização tátil de alerta no início da escada (da calçada para adentrar no estabelecimento) em cor contrastante com a do piso. O piso de alerta está presente apenas no topo;/
 
– Os degraus da escada não possuem sinalização visual na borda do piso, em cor contrastante com a do acabamento;
 
– Porta sem sinalização tátil (em Braille ou texto em relevo), que  deve ser instalada nos batentes ou vedo adjacente (parede, divisória ou painel), a uma altura entre 0,90 m e 1,10 m;
 
– As maçanetas e o mecanismo de abertura não foram avaliados, pois a porta principal estava mantida aberta durante o horário de funcionamento do estabelecimento;
 
– Está ausente, porém, é recomendável que os corrimãos de escadas e rampas sejam sinalizados através de um anel com textura contrastante com a superfície do corrimão, instalado 1,00 m antes das extremidades e sinalização em Braille, informando sobre os pavimentos no início e no final das escadas fixas e rampas;
 
– O capacho da porta de entrada não é embutido nem nivelado com o piso.
 
 
Sanitário acessível
 
– Presença de sanitário familiar ou unissex, ou seja, o sanitário pode ser utilizado, por exemplo, por um cadeirante com acompanhante de sexo diferente ao seu;
 
– Sanitário localizado em rota acessível, próximo à circulação principal e às demais instalações sanitárias;
 
– O Símbolo Internacional de Acessibilidade tem baixo contraste, dificultando sua identificação. A representação exigida pela NBR9050 é o pictograma branco sobre fundo azul, que opcionalmente pode ser representado em branco e preto (pictograma branco sobre fundo preto ou pictograma preto sobre fundo branco), não sendo permitidas modificações;
 
– Quando localizadas em rotas acessíveis, recomenda-se que as portas tenham na sua parte inferior, inclusive no batente, revestimento resistente a impactos provocados por bengalas, muletas e cadeiras de rodas, até a altura de 0,40 m a partir do piso, como a foto ilustra;
 
– Porta do sanitário com maçaneta do tipo alavanca, porém a instalação de um puxador horizontal associado facilitaria a abertura; /
 
– O mecanismo de abertura da porta não requer muita força. O vão livre é satisfatório, permitindo a entrada de um cadeirante, por exemplo;
 
– O extintor de incêndio, no canto inferior direito da foto, está adequadamente localizado (no chão), ou seja, a bengala de um deficiente visual consegue detectá-lo, dispensando a sinalização tátil, pois o mesmo não se torna um obstáculo suspenso;
 
– Porta sem sinalização tátil (em Braille ou texto em relevo), que deve ser instalada nos batentes ou vedo adjacente (parede, divisória ou painel), a uma altura entre 0,90 m e 1,10 m (como um deficiente visual identificará o sanitário acessível?).
 
 
– A superfície do piso do sanitário é regular, firme e antiderrapante;
 
– A pia permite a aproximação frontal de cadeirantes, pois possui área inferior livre;
 
– O lavatório é suspenso e não possui nenhuma estrutura que ofereça risco à segurança dos usuários;
 
– A torneira do lavatório é do tipo alavanca, tornando acessível sua utilização;
 
– Ausência de barras de apoio junto ao lavatório, instalada na altura do mesmo;
 
– Presença de espelho inclinado, permitindo que cadeirantes e pessoas com baixa estatura, por exemplo, possam utilizar este mobiliário;
 
– Saboneteira e papeleira posicionadas dentro da faixa de alcance confortável para os usuários;
 
– Ausência de porta-objetos junto aos lavatórios (se uma pessoa com mobilidade reduzida estiver com uma bolsa, onde a deixará para utilizar o banheiro?).
 
 
– Sanitário garante área de transferência da cadeira de rodas para a bacia sanitária;
 
– A barra de apoio posterior à bacia sanitária está posicionada incorretamente. Sua localização correta seria junto à bacia sanitária, na lateral e no fundo, para apoio e transferência, como ilustra a figura abaixo:
 
 
   
 
– Acionamento da descarga do tipo alavanca, com altura e localização adequadas;
 
– A porta do sanitário tem abertura para o lado de fora, não interferindo na área de giro interna do banheiro. Para trancar a porta, é exigido certo grau de força, não sendo permitido que qualquer indivíduo efetue esta ação; /
 
Papeleira do tipo não embutida, com localização adequada;
 
– Para boxes para bacia sanitária acessível, é recomendada a instalação de ducha higiênica ao lado da bacia, dotada de registro de pressão para regulagem da vazão. Este sanitário seguiu esta recomendação;
 
– Apesar de ser prevista área de transferência lateral, diagonal e perpendicular para a bacia sanitária, o cesto de lixo posicionado abaixo da ducha higiênica (foto) irá interferir na transferência lateral e diagonal. Uma solução simples e viável seria colocar a lixeira no lado contralateral, ou seja, entre a bacia sanitária e a parede lateral onde está fixada a  papeleira./
 
 
Mesa
 
– As mesas do estabelecimento permitem a aproximação frontal de cadeirantes;
 
– O espaço de circulação por entre as mesas é estreito, dificultando a passagem de um cadeirante;
 
– Este estabelecimento possui uma outra área, que segue os mesmos padrões desta, sendo acessível o trajeto até este outro local;✘/
 
– Os balcões do estabelecimento não foram avaliados, pois, para realizar o pedido e pagar a conta, o garçom vem até a mesa.
 
 
Concluindo
 
Mais uma vez podemos comprovar que a plena acessibilidade de um local é composta por muitos detalhes. Neste caso, por se tratar de um prédio novo, as normas de acessibilidade poderiam ter sido mais bem contempladas, desde o projeto até a construção. Em caso de reformas, os custos são mais altos e as adaptações mais difíceis de se realizar com eficiência.
 
Sabemos que o Habib's pretende ampliar o número de lojas em Mato Grosso do Sul. Assim, fica nossa sugestão aos responsáveis pelo empreendimento para que discutam melhor a acessibilidade em suas estruturas, lembrando que nossa avaliação é feita superficialmente. Certamente, um profissional da área faria um relatório bem mais detalhado.
 
Registramos a boa acolhida dos responsáveis pelo Habib's, que nos receberam com cordialidade, diferentemente de outros estabelecimentos que temos visitado.
 
 
Maria Alice Furrer e Frederico Rios
 
Colaboração: Diego Rios, Geovani Marques e Ronny Stward
 
Data das fotos: 25/05/2011

4 ideias sobre “Acessibilidade no Habib’s de Campo Grande

  1. Parabéns pelo post! Depois que foi criado o blog ficamos com os olhares mais criticos nos estabelecimentos, e ao visitar o Habib's eu tinha uma visão de que estava tudo ok com a acessibilidade e mais uma vez o integrantes do blog veio nos mostrar que ainda esta faltando muuuuuita coisa para melhorar!!!

    Aquele abraço a todos
    Vanessa Urias

  2. Que verificação boaa!! Eu vejo o Blog como um instrumento muito bom de referência, tanto de bons como maus exemplos, porque é através deles que as pessas aprendem como fazer, já que vcs acrescentam o procedimento correto logo depois. Me parece que o corrimão no meio da escada com largura superior a 2,40m vai sair da norma, muito curiosa pra ver essa revisão, vcs nao? rsss.. Só está faltando uma foto de vcs com uma trena, a prancheta e o instrumento, kkkkk estão profissionaaais em verificação!!! Parabéns! Beijos..

  3. Muito bom esse trabalho de vcs…seria ótimo se os arquitetos, engenheiros e construtores em geral se disponibilizassem a uma parceria com que tem o "olhar da acessibilidade", pois só quem vive consegue compreender de fato o q é lei e o q é real! Abraços e parabéns pelo Blog e pelos posts no face.

  4. Realmente, a loja de fast food Habib's de Campo Grande merece parabéns pela iniciativa de respeitar as pessoas com mobilidade reduzida. 
    Da mesma forma que a Norma Brasileira(NBR 9050), que trata desse assunto, está sempre em revisão visando aprimorar os critérios de acessibilidade no Brasil, há que se entender quando uma obra de adequação deixa passar algum detalhe.
    Esperamos que cada vez mais os empresários dêem a atenção necessária às pessoas deficientes, contratando profissionais consultores em acessibilidade, para analisar os empreendimentos na fase de projeto e, quando necessário, in loco, dando as soluções que garantam a segurança, o conforto e acessibilidade a essas pessoas. Inclusão também é marketing.

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