Acessibilidade no City Tour de Campo Grande

Publicado em: 15.março.2012

Por: Acessibilidade na Prática

O City Tour de Campo Grande (MS) é realizado num ônibus especial da Linha Turismo e passa por 42 pontos turísticos da cidade. O passeio tem duração de 2 h e 30 min, percorrendo um trajeto de 48 quilômetros, além de contar com um Guia de Turismo para fazer a explanação de cada ponto. (Prefeitura Municipal de Campo Grande)

A NBR 9050/2004 (Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos) não trata especificamente de ônibus. Por isso, utilizamos como referência para as análises deste post a NBR 14022/2009 (Acessibilidade em veículos de características urbanas para o transporte coletivo de passageiros) e a NBR 15320/2005 (Acessibilidade à pessoa com deficiência no transporte rodoviário).

 
O city tour tem partida e chegada na Morada dos Baís.

A calçada deste trecho não possui sinalização tátil, bem como o local de embarque e desembarque de passageiros, dificultando a circulação de deficientes visuais.

O ônibus possui duas entradas: a dianteira (à direita do motorista) e a traseira (localizada no meio do veículo, a qual é acessível).

Existem corrimãos na porta do ônibus para auxiliar na subida e descida de passageiros.

 
Ao entrar no ônibus pela porta dianteira, o passageiro deverá transpor este estreitamento do corredor caso queira acessar a parte superior do veículo ou os assentos mais posteriores. Este espaço estreito dificulta a passagem de uma pessoa obesa ou uma mulher grávida, por exemplo. Logo, é mais indicada a entrada traseira, evitando passar por esta área.

Não há assentos identificados e sinalizados como "preferenciais". O posicionamento e a estrutura desses primeiros assentos nos permite deduzir que estes são os reservados.


Este acesso, localizado na parte traseira do ônibus, possui uma rampa móvel, permitindo a entrada de cadeira de rodas.

Não há nenhuma sinalização indicando a presença deste equipamento, ou seja, para achar a entrada acessível foi necessário perguntar à guia do city tour.

Infelizmente não foi possível avaliar a rampa no momento. De qualquer forma, vale ressaltar que este tipo de equipamento deve oferecer condições para uma utilização segura, confiável, suave e estável. Além disso, deve suportar uma carga de 250 kgf, ter piso antiderrapante e não apresentar quinas vivas que possam oferecer riscos aos usuários.

 
No caso dos ônibus com dois níveis de salão de passageiros, é recomendado que os assentos reservados sejam localizados no nível inferior.
 
O espaço reservado para cadeirantes não possui nenhum tipo de sinalização. Como os bancos são basculantes, presume-se que sejam utilizados como espaço para a cadeira de rodas, o qual também pode ser utilizado para acomodação do cão-guia.

Além do cinto de segurança para pessoas em cadeira de rodas, deveria haver um dispositivo de travamento resistente à aceleração e frenagem brusca do veículo, minimizando movimentos laterais e longitudinais e evitando movimentos rotacionais da cadeira sobre o eixo das rodas. Também é especificado o guarda-corpo para cadeira de rodas, posicionado no sentido longitudinal do veículo.

Analisando o posicionamento do cinto de segurança, percebemos que o espaço para cadeira de rodas está na posição longitudinal. A cadeira de rodas pode estar disposta tanto na longitudinal e em direção à marcha do veículo, quanto na longitudinal e em direção contrária à marcha do veículo.

Na área reservada deve haver no mínimo um banco individual com assento basculante. No caso deste ônibus existem dois assentos.
 
 
No canto esquerdo desta foto existe uma escadaria, que leva ao segundo piso do veículo.

Existe sinalização visual na borda dos degraus, porém nenhuma sinalização tátil tanto no corrimão quanto no piso. Mesmo não havendo especificações sobre escadas de ônibus, esta observação foi feita com base na NBR 9050/2004, já que deficientes visuais e pessoas com baixa visão podem tranquilamente fazer o passeio no segundo nível do veículo.

Neste dia, a Guia Turística do passeio explicou muito bem o roteiro e os pontos turísticos. Entretanto, de acordo com informações obtidas na central de reservas do City Tour (67 3321-0800),  guias treinados para se comunicar com surdos e cegos são disponibilizados somente quando solicitado e em casos de grupos fechados.


Este é o topo da escada que leva ao segundo nível do veículo.

O corrimão é bilateral, porém não atende as especificaçãoes da NBR 9050/2004.

Em decorrência do seu desgaste, o ônibus não apresenta uma aparência totalmente agradável. Por se tratar de uma atração bastante procurada na cidade, seria interessante a manutenção periódica do veículo pela administração do city tour.

 
No segundo nível do ônibus não há cobertura, permitindo um passeio ao ar livre, o que é muito agradável. Infelizmente nem todos podem contemplar o passeio deste local.

Na parte dianteira existe um pára-brisa com inúmeras rachaduras, oferecendo riscos aos usuários.

 
Os assentos seguem o mesmo padrão, onde todos possuem o cinto de segurança abdominal.


Maria Alice Furrer

Colaboração: Milena de Ré

Fotos: 26/02/2012

 

2 ideias sobre “Acessibilidade no City Tour de Campo Grande

  1. Por ocasião de realização de um evento paradesportivo em Campo Grande, em 2007 quando o City Tour ainda era novidade, agendamos um passeio para os paratletas participantes no City Tour. A administração se protificou a transportá-los gratuitamente no roteiro regular, sendo que aproximadamente 30 pessoas com deficiência compareceram (17 cadeirantes), residentes em Rondônia, Mato Grosso, Goiás e outros. O embarque na época acontecia defronte ao Horto Florestal, sendo que todos foram levados para lá de ônibus (aquele não tinha condições de acesso) desde o Poliesportivo Dom Bosco, onde aconteciam os jogos. Houve atraso durante o embarque com ajuda do próprio motorista voluntariamente e os outros passageiros ficaram um pouco impacientes, mas o passeio foi um sucesso e todos elogiaram a cidade. Este mesmo modelo de ônibus de turismo existe no mundo todo – já vi iguais em New York, Philadelphia, Barcelona, Roma, Paris e Montecarlo, sempre que possível aproveito o City Tour local.

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