Acessibilidade no Carrefour de Campo Grande

Publicado em: 21.março.2011

Por: Acessibilidade na Prática

Olá, pessoal!
 
Fizemos uma enquete perguntando qual dos principais supermercados de Campo Grande nossos seguidores gostariam de conferir a acessibilidade. O mais votado foi o Carrefour, localizado na Avenida Afonso Pena 4909, junto ao Shopping Campo Grande. Confiram como foi nossa visita!

 


Vagas reservadas e acessos

 
Estacionamento superior
 
– Presença de vaga reservada próxima à entrada do Supermercado, porém sua localização não evita a circulação entre os veículos; ✔/
 
A vaga possui sinalização vertical adequada para espaços internos;
 
– Existe sinalização horizontal, mas a mesma não atende a NBR9050, onde as faixas que delimitam a vaga deveriam ser brancas e o espaço adicional deveria ser demarcado com faixas amarelas; ✔/
 
– Ausência de espaço adicional de circulação de no mínimo 1,20 m, o qual poderia atender duas vagas paralelas, sendo sua demarcação (sinalização horizontal) devendo ser feita no chão (como um cadeirante conseguirá sair do carro nestas vagas?);
 
– Ambos os veículos estacionados não possuem identificação para utilizar as vagas reservadas;
 
– Esta vaga está interligada à entrada principal, que possui portas amplas e a rota não apresenta nenhuma barreira arquitetônica. Apesar de a rota ser livre de barreiras, o espaço é amplo e não há sinalização tátil direcional para localizar esta entrada. ✔/

 
Estacionamento inferior
 
– Presença de vagas reservadas, mas as mesmas não possuem sinalização vertical (placa informando que a vaga é para veículos autorizados); ✔/
 
– Existe sinalização horizontal, porém com a tinta muito desgastada (observem como é muito baixa a visibilidade do Símbolo Internacional de Acessibilidade no canto esquerdo da foto); ✔/
 
– Ainda em relação à sinalização horizontal, não há espaço adicional de circulação entre as vagas paralelas (quando as vagas são paralelas este espaço pode ser compartilhado por dois veículos);
 
As vagas reservadas para deficientes estão com um cone, localizado no meio da vaga (Para estacionarmos o carro, uma pessoa teve que descer para retirar o cone. E se o deficiente não estivesse acompanhado?);
 
– A localização da vaga não evita a circulação entre veículos e, para estacionar, a manobra é complicada e interrompe o fluxo de outros carros;
 
– Além de a vaga possuir uma área inadequada, compartilha seu espaço com armários (observem o armário cinza bem à frente do carro).
 
 
– O piso do estacionamento é regular, firme e antiderrapante, mas não há sinalização tátil direcional (como um deficiente visual consegue encontrar a entrada? Ressaltando também a falta de segurança, observem o fluxo de carros); ✔/
 
– A vaga e a rota para chegar ao supermercado não são livres de circulação de veículos (observem que, se um carro engatar marcha ré, não há como desviar, pois existe fluxo de veículos na também lateral).
 
 
– Placa com informação visual indicando o acesso à loja. A iluminação do ambiente estava média/alta, porém o contraste da placa seria mais legível se o fundo fosse branco, já que o texto é azul escuro (para melhor visualização, comparem a diferença de contraste entre o símbolo do lado esquerdo da foto e o texto); ✔/✹
 
– Presença de rampa para acesso ao supermercado;
 
– Ausência de sinalização tátil de alerta no início e término da rampa em cor contrastante com a do piso da rampa;
 
– Rampa com corrimãos bilaterais e guias de balizamento (abaixo do corrimão há um elemento perceptível por pessoas com deficiência visual); ✔
 
– Presença de patamar longitudinal do início e término da rampa; ✔
 
– Entre os dois segmentos da rampa existe um patamar com dimensões iguais a largura da rampa; ✔
 
– Apesar de não ser uma exigência da NBR9050, os corrimãos de escadas e rampas podem (e devem) ser sinalizados com um anel de textura contrastante com a superfície do corrimão, além de sinalização em Braille, informando sobre os pavimentos no início e no final das escadas fixas e rampas;
 
– Largura da rampa proporcional e satisfatória para o fluxo de pessoas no local;

– Obs: Apesar de não mesurarmos a inclinação de rampa, observamos que é exigido um grande esforço físico para subi-la ou descê-la (isso tanto para "cadeirantes" quanto para "andantes").
 
 
Corredores

– Prateleiras do canto esquerdo da foto com disposição longitudinal dos produtos (toalhas), pois, apesar de não ser critério da NBR9050, esta forma de organização permite que indivíduos de diferentes alturas tenham acesso aos produtos escolhidos; ✔
 
– Largura do corredor dimensionada satisfatoriamente para o fluxo de pessoas; ✔
 
– Corredor não assegura uma faixa livre, pois há um carrinho estreitando a passagem (como outro cadeirante poderia passar por este espaço?). A posição deste carrinho também não permite que os produtos que estão em sua lateral sejam visualizados ou alcançados (o carrinho além, de não deixar este corredor acessível, desorganizou visualmente e fisicamente o ambiente).
 
 
– O corredor é dimensionado de acordo com o fluxo de pessoas e possui uma faixa livre de barreiras ou obstáculos; ✔
 
– O piso, apesar de ser regular, firme e estável, não é antiderrapante; ✔/
 
– O corredor é um espaço amplo e não há piso tátil direcional nem linha guia sem interrupção (notem que as barras de proteção dos balcões, no canto direito da foto, apenas acompanham a extensão do balcão, ou seja, como um deficiente visual poderá guiar-se?);
 
– Os balcões do canto direito da foto são protegidos por um vidro, impedindo que deficientes visuais identifiquem os produtos, apesar deste tópico não ser descrito na NBR9050. Uma solução seria deixar um produto, ou uma tabela (escrita em Braille e letras com boa legibilidade) posicionadas fora do vidro e ao alcance de qualquer pessoa;
 
– As placas com informações de preço dos produtos têm baixa legibilidade, estão num ambiente com iluminação média/alta e com o texto em vermelho. O ideal seria que o fundo fosse branco e não amarelo, aumentando, assim, o contraste.
 
 
– Novamente, superfície do piso é regular, firme e estável, mas não é antiderrapante. Ressaltando também que não há sinalização tátil direcional; ✔/
 
– Largura do corredor atende o fluxo de circulação do local; ✔
 
– As pessoas que vêm do estacionamento superior ou inferior, têm de passar por este corredor, que dá acesso tanto ao supermercado quanto ao shopping, porém estas rotas são sinalizadas apenas visualmente (como deficientes visuais poderão localizar-se neste espaço?); ✔/
 
– Ainda em relação à deficiência de acessibilidade para deficientes visuais, uma solução seria o plano ou mapa tátil, contendo informações em Braille. Desta forma, a localização dos pavimentos seria permitida, lembrando que o mapa deve permitir também a aproximação frontal de cadeirantes; ✹
 
– No canto direito da foto existem lojas de roupas e acessórios, todas protegidas por uma vitrine de vidro, não existindo outra forma de sinalização a não ser a visual, informando a existência destas lojas (como consumidores, de que forma os deficientes visuais poderão ter acesso à estas lojas?).

 


Provador

 
– Numa das áreas do supermercado existe a sessão de roupas masculinas, femininas e infantis, onde são necessários provadores. Existem o masculino e o feminino, mas nenhum acessível, onde ao menos um provador ou vestiário deveria ter acessibilidade garantida;
 
O provador tem o vão livre para entrada da cadeira de rodas, porém sua área é muito estreita, não permitindo a acomodação da cadeira em toda sua extensão (observem que os pés do cadeirante ficam para fora). Desta forma, torna-se impossível ter uma área de giro/manobra da cadeira (imaginem que não apenas o cadeirante é impossibilitado de utilizar este espaço, mas também pessoas obesas, por exemplo);
 
– Apesar de não estar ilustrado na foto, a sinalização visual dos provadores é satisfatória, com placas de boa legibilidade, contudo este é o único tipo de sinalização; ✔/
 
– O espelho do provador atende a diferentes estaturas, porém os cabides são muito elevados, onde não só um cadeirante não consegue alcançar, mas também um anão não faria o uso deste objeto;
 
– Novamente o piso não é antiderrapante (imaginem se um idoso, por exemplo, vai experimentar alguma roupa e escorrega?).

 


Gôndolas e prateleiras

 
– A Inclinação desta gôndola não permite a aproximação frontal e lateral de pessoas com cadeira de rodas (se o cadeirante quisesse comprar a fruta que está na última cesta, não conseguiria, já que o alcance manual não é permitido);
 
– Se as frutas fossem expostas em uma bancada horizontal, com altura acessível (com no máximo 90 cm do piso) e espaço inferior livre para a aproximação de cadeira de rodas, a escolha das frutas seria possível para indivíduos de diferentes alturas;
 
– Neste setor, a maioria das placas que indicam o valor e o nome dos produtos possui boa legibilidade, onde o ambiente tem alta iluminação e as placas possuem texto branco com o fundo preto. Porém, a única indicação destes produtos é a visual, além de algumas placas possuírem baixo contraste ou o texto com letras muito pequenas, dificultando a leitura; ✔/
 
– Uma sugestão viável seria tabelar os produtos oferecidos com a redação legível e em Braille, ou pelo menos os produtos que estão em oferta no dia. Outra opção, juntamente com a tabela acessível, seria os anúncios sonoros, indicando os produtos em promoção e em qual setor encontrá-los;
 
– Apesar de os corredores serem amplos, existem vasos de plantas (canto esquerdo da foto) espalhados no chão, transformando-se em obstáculos e interferindo na faixa livre de circulação. ✔/

 
– Balcão não permite aproximação e alcance frontal, pois não possui área livre inferior. A altura deste balcão excede os 90 cm do piso (se um anão quisesse adquirir o produto, como o alcançaria?);
 
– A aproximação lateral é permitida, porém, como a altura de alcance manual é elevada, dificulta o acesso ao produto; ✔/
 
– Uma solução simples seria rebaixar um pouco este balcão, ou deixar os mesmos produtos expostos em uma bancada mais baixa;
 
– Valores e indicações dos produtos são sinalizados por meio de placas, onde, apesar de o exemplo da NBR9050 indicar fundo branco para letras vermelhas, neste caso o fundo amarelo teve um bom contraste, porém o texto escrito em preto poderia ter letras maiores; ✔/
 
– Este setor do supermercado também tem superfície do piso regular, estável e firme, porém também não é antiderrapante e não possui piso tátil direcional ou linha guia sem interrupção.

 
– Novamente, as placas têm fundo amarelo com texto em vermelho e o contraste ficou satisfatório, porém esta é a única forma de informação sobre os produtos expostos; ✔/
 
– Uma sugestão viável para todos os setores seria uma tabela com valor e nome dos produtos em Braille, podendo ser associada aos anúncios sonoros. A tabela é extremamente necessária, pois nem todos os produtos possuem embalagem com Braille informando o nome ou, por exemplo, sua validade (já pensaram como um deficiente visual “descobre” o valor dos produtos?);
 
– Balcão não permite a aproximação frontal e ou lateral, já que não possui área inferior livre;
 
– Como nenhuma aproximação ao balcão é permitida, o alcance manual também não será, sendo este último mais dificultado ainda pela disposição dos produtos, que estão rebaixados e protegidos por uma vidraça mais elevada (desta forma, quem tem baixa estatura não irá alcançar nem adquirir o produto);
 
– Os corredores deste setor têm dimensionamento adequado para o fluxo de pessoas, não havendo obstáculos que interfiram na circulação. ✔

 
– A aproximação frontal e lateral não é permitida, assim como o alcance manual, pois existe uma barra de proteção no piso;
 
– A barra de proteção não precisa necessariamente ser removida, mas os produtos podem ser expostos em outras prateleiras acessíveis, assim como as bandejas destas mesmas prateleiras poderiam avançar frontalmente;
 
– As etiquetas com indicações e valores dos produtos são muito pequenas (não estão nem aparecendo nas fotos), diminuindo muito sua legibilidade (pessoas com baixa visão serão prejudicadas);
 
– Os corredores deste setor têm dimensionamento adequado para o fluxo de pessoas e não há obstáculos que interfiram na circulação, porém a superfície do piso não é antiderrapante. ✔/

 
– Este setor expõe peixes e frutos do mar em bancadas altas (excede 90 cm do piso) e sem área livre inferior que, além de não permitirem a aproximação frontal e lateral, o alcance manual frontal e lateral ultrapassa o limite máximo eventual;
 
– A altura elevada da bancada, somada à camada de gelo, faz com que o ângulo visual para pessoas com cadeiras de rodas ultrapasse o limite máximo, impossibilitando a visualização dos produtos. Observem que a foto foi retirada de acordo com o campo de visão do cadeirante, ou seja, com essa visão ele não tem o direito de escolher o produto que quer adquirir;  
 
– Placas com bom contraste, porém o texto escrito em preto está com letras pequenas, dificultando a leitura; ✔/
 
– A altura de fixação das placas está muito elevada, dificultando sua visualização. Uma sugestão simples seria fixá-las na própria bancada ou nas laterais destas, porém com suspensão menor.

 
– As prateleiras deste setor permitem a aproximação frontal e lateral, assim como os alcances manuais respectivos. Contudo, como a disposição dos produtos é horizontal, tudo que ultrapasse a altura limite de alcance manual não poderá ser alcançado (se a disposição fosse vertical, indivíduos de diferentes estaturas teriam acesso aos produtos); ✔//
 
– O corredor tem largura satisfatória para o fluxo de pessoas, mesmo com o pilar (canto esquerdo da foto) em seu centro. Mas, além de existir o pilar, existem caixas de papelão interferindo na faixa livre de circulação do corredor; ✔/
 
– Existência de extintor de incêndio neste setor, atendendo a normas de segurança. Mas o extintor é considerado um obstáculo suspenso, já que sua parte superior excede a inferior, além de sua sinalização ser apenas visual (faixa amarela e vermelha), não existindo o piso tátil de alerta (como um deficiente visual detectará este obstáculo?). ✔/

 
– Corredor com largura satisfatória, porém existem muitos obstáculos interferindo na faixa livre de circulação, por exemplo, o carrinho no canto inferior direito da foto. No final deste corredor também existem carrinhos de supermercado com produtos (provavelmente para reposição), dificultando ainda mais a circulação; ✔/
 
No centro do corredor existe uma bancada com garrafas de vinho empilhadas que, além de ocupar a área de circulação, oferece risco à segurança (imaginem se um deficiente visual “bate” sua bengala e derruba as garrafas que são feitas de vidro?);
 
– Além de todas as barreiras existentes neste corredor, ainda existia produtos de limpeza e um balde com água (centro-esquerdo da foto). Imaginando que algum produto ou a água poderia vazar no piso, o qual não é antiderrapante, o risco de queda é iminente;
 
– As barreiras existentes neste corredor oferecem uma desorganização física e visual;
 
– Como nos outros setores, este poderia ter uma tabela de vinhos com informações e valores em Braille, assim como as placas poderiam ser mais legíveis e contrastadas (como um deficiente visual poderá selecionar os vinhos?).

 
– Corredor com largura ideal para o fluxo de pessoas que circulam no local, não havendo barreiras que interfiram na faixa livre deste setor; ✔
 
– A maioria das placas deste setor tem bom contraste, mas as letras do texto redigido com cor preta são pequenas; ✔/
 
– Apesar de não ser especificado na NBR9050, os refrigeradores com portas de correr com aproximação frontal têm o acesso mais facilitado, pois não é necessário manobrar a cadeira de rodas para conseguir abrir este mobiliário;
 
– Os produtos estão expostos de maneira horizontal, ou seja, nem todos são acessíveis a pessoas com diferentes alturas de alcance manual (frontal e lateral). Assim, a organização vertical dos produtos, novamente, os deixaria acessíveis à indivíduos com diferentes estaturas.

 
– Ambiente com iluminação média e placas de informação visual com baixo contraste, além de texto com letras pouco legíveis por serem pequenas;  
 
– As prateleiras (no canto esquerdo da foto) permitem o alcance manual frontal e lateral, mas devido à disposição dos produtos ser horizontal, os que estão na última prateleira não são acessíveis à cadeirantes ou indivíduos com estatura menor; ✔/
 
– A decoração com ovos de páscoa não permite que qualquer indivíduo alcance estes produtos. Caso os mesmos não estejam dispostos em uma prateleira acessível, um cadeirante, por exemplo, não poderá adquirir este produto;
 
– Uma solução simples para a disposição dos ovos seria colocá-los, seguindo o padrão da decoração, nas hastes laterais desta tenda, ou disponibilizá-los, como já mencionado, em uma prateleira.

 


Caixa preferencial

 
– Presença de caixa de pagamento reservado para deficientes físicos e pessoas com mobilidade reduzida; ✔
 
– O caixa exclusivo possui apenas sinalização visual, com baixa legibilidade. As placas com texto têm baixo contraste (texto com fonte azul e fundo da placa verde), além de o tamanho da fonte ser muito pequeno (alguém consegue ler o que está escrito nas placas?);
 
– Novamente as etiquetas com valor das mercadorias são muito pequenas, dificultando ou impossibilitando a sua leitura (por isso uma tabela de preço em Braille é necessária e também a confecção de etiquetas com fonte e contraste adequados). ✘/

 
– Junto ao caixa preferencial existe este corredor, e seu vão acomoda apenas um indivíduo por vez. Considerando que o sentido de circulação é único, a dimensão é satisfatória. Entretanto, se o cadeirante precisar voltar pelo corredor, terá de realizar a manobra da cadeira no final do corredor, pois este espaço não garante área de giro livre; ✔/
 
– O computador onde é visualizado os valores e discriminação dos produtos é posicionado contra o sentido de circulação do caixa preferencial, além de ser elevado, não permitindo o alcance visual adequado (observem a inclinação da cabeça do cadeirante, que foi feita na tentativa de visualizar a tela do caixa);
 
– As teclas e comandos para digitar a senha do cartão excedem 1,20 m do piso, dificultando o seu alcance e manuseio;
 
– O balcão do caixa preferencial não oferece área livre inferior na maioria de sua extensão. Se um cadeirante quiser empacotar suas mercadorias pela lateral do caixa não será possível, já que existe um bloqueio nesta área.

 


Telefone público

 
– Telefone Público localizado em rota acessível, porém não há sinalização visual e tátil indicando sua localização; /
 
– O local de instalação do telefone público é amplo, mas existem barreiras ao seu redor, dificultando a circulação neste ambiente (notem o carrinho de supermercado no canto esquerdo da foto); /
 
– Ausência de telefones acessíveis para cadeirantes e com amplificador de sinal;
 
– Apesar de o telefone não ser específico para cadeirantes, a área de aproximação garante o posicionamento lateral. Já a aproximação frontal não é permitida, pois não há área inferior livre; /
 
– Não há instalação de telefone que transmita mensagem de texto (TDD), o qual deveria ter sinalização visual e tátil;
 
– A parte operacional superior tem altura de instalação que excede 1,20 m do solo, não sendo acessível a pessoas com cadeira de rodas ou com baixa estatura.

 


Caixa eletrônico

 
– Caixa eletrônico sem acessibilidade. Ao menos um caixa eletrônico deveria apresentar equipamentos acessíveis para providenciar instruções e informações visuais, auditivas ou táteis, com privacidade ao usuário (disponibilizando equipamentos de tecnologia assistiva, como fones de ouvido, por exemplo);
 
– Não existe sinalização tátil direcional, visual ou sonora para localização e identificação do caixa eletrônico (Sem a sinalização, como um deficiente visual encontrará este caixa? Ressaltando que não há informação em Braille nas teclas deste mobiliário);
 
– Ausência de área livre inferior para aproximação frontal de pessoas com cadeira de rodas e, conseqüentemente, impossibilidade de alcance manual frontal;
 
– Os controles não estão localizados à altura entre 0,80 m e 1,20 m do piso (além do teclado estar elevado, o visor do caixa excede a altura e é recuado, dificultando ou impossibilitando o alcance visual).

 


Bebedouro

 
– Bebedouro localizado em rota acessível, porém fixado ao lado dos sanitários (por ser anti-higiênico, seria mais adequado instalar este mobiliário em outro local); /
 
– A bica é localizada no lado frontal do bebedouro e permite a utilização por meio de copo, porém não havia disponibilização de copos no local; /
 
– O fluxo de água é satisfatório e os controles são localizados na frente do bebedouro;
 
– Bebedouro permite a aproximação lateral, porém, como não disponibiliza copos e não há área de aproximação frontal, o cadeirante não tem condições de utilizá-lo. /

 


Sanitários

 
– Presença de sanitários acessíveis, localizados em rotas acessíveis, próximos à circulação principal, integrados às demais instalações sanitárias; ✔
 
– Os sanitários são integrados aos outros presentes (masculino e feminino). Não há, como recomenda a NBR9050, mais um sanitário acessível que possa ser utilizado por uma pessoa em cadeira de rodas com acompanhante de sexo diferente (como a mãe de um cadeirante do sexo masculino o acompanhará dentro de um banheiro que terá outros homens?). Além disso, e este sanitário deve possuir entrada independente e ser anexo aos demais;
 
– Superfície do piso é regular, nivelada e uniforme, porém não é antiderrapante;
 
– O símbolo internacional de acessibilidade é representado pela figura (pictograma) branca sobre o fundo azul e, opcionalmente, pode ser representado em branco e preto (figura branca sobre fundo preto ou preta sobre fundo branco), sem nenhuma modificação, estilização ou adição deve ser feita ao símbolo. Na placa deste sanitário, o pictograma é azul com fundo branco e, abaixo dele, existe um texto de visibilidade e contraste baixos (está escrito: deficientes);
 
– Não há sinalização tátil (em Braille ou texto em relevo) nos batentes ou
vedo adjacente (parede, divisória ou painel) ao lado da maçaneta, a uma altura entre 0,90 m e 1,10 m (sem esta sinalização, como um deficiente visual poderá identificar o sanitário?);
 
– A porta de entrada do sanitário comum (é necessário passar por ela, já que o sanitário acessível é integrado aos demais) possui vão livre adequado. ✔

 
– A porta do sanitário reservado possui vão livre satisfatório. A maçaneta é do tipo alavanca, porém não há puxador horizontal associado à maçaneta; ✔/
 
– Presença de barras de apoio lateral com fixação na parede de fundo, porém uma das barras (canto esquerdo da foto) está sendo utilizada como apoio do cesto de lixo (além de anti-higiênico, o cesto torna-se um impedimento para o livre uso da barra); ✔/
 
– Papeleira do tipo não embutida e não está alinhada à borda frontal da bacia sanitária (como o indivíduo conseguirá alcançar o papel higiênico?);
 
– Botão da descarga posterior à bacia sanitária e de fácil acionamento; ✔
 
– Bacia sanitária está localizada em cima de um degrau (como um cadeirante conseguirá transferir-se para a bacia?);
 
– O espelho está instalado na vertical e com altura adequada, podendo ser utilizado por pessoas de diferentes estaturas, porém o local onde está localizado dificulta a manobra da cadeira de rodas devido à presença do degrau. ✔/

 
– O lavatório não é suspenso, onde o sifão e a tubulação deveriam ser protegidos por uma coluna suspensa ou similar para não impedir a aproximação frontal do cadeirante;
 
– Mecanismo de acionamento da torneira da pia adequado, mas não há barras de apoio instaladas junto ao lavatório; ✔/
 
– Presença de papeleira e saboneteiras junto ao lavatório; ✔
 
– Além de não ser permitida a aproximação frontal da pia e conseqüentemente o alcance manual frontal da torneira, o lavatório está servindo de apoio para papel higiênico, desorganizando visualmente o ambiente.

 


Balcão para pagamento do estacionamento

 
– Balcão sinalizado apenas com informação visual, com placas que possuem textos com baixa legibilidade (notem o tamanho da fonte do texto contido na placa no centro direito da foto);
 
– A atura do balcão excede 90 cm do piso e não garante área de aproximação frontal para um cadeirante, já que não há área livre inferior;
 
– Em conseqüência da altura elevada do balcão e a falta de área livre para aproximação, o alcance manual lateral e frontal não são permitidos;
 
– Pelo menos um caixa ao lado de cada balcão deveria ser acessível, para que toda a população fosse atendida.

 


Concluindo

 
Como podemos ver, muitos detalhes necessitam ser modificados e melhorados para que "todas as pessoas" possam fazer suas compras no Carrefour de Campo Grande.
 
Lembramos mais uma vez aos empresários de nossa cidade que, antes de realizarem qualquer reforma em seus prédios, procurem profissionais e empresas capacitados a atender às normas de acessibilidade, evitando um mau investimento.
 
O segundo supermercado mais votado na nossa enquete também terá uma postagem aqui no blog. Não percam!
 
Até a próxima…
 
 
Por Maria Alice Furrer Matos e Frederico Rios
 
Colaboradores: Diego Rios, Léo Juno, Lissandra Ozuna, Luciane Molina e Ronny Stward

Data da visita: 05/03/2011


12 ideias sobre “Acessibilidade no Carrefour de Campo Grande

  1. Mais uma vez uma postagem super detalhada, parabéns pessoal!! Estou ainda esperando pra ver um supermercado que permita que os deficientes visuais façam compras com autonomia, acredito que esse seja o estabelecimento menos autônomo pra eles, se não for, está alí bem perto do pior. São muitos detalhes que precisam ser mudados, mas que fazem aquela enorme diferença.. o contraste para visão subnormal e a tabela em braille são imprescindíveis. Eu gostei da observação "desorganizando visualmente o ambiente" e para mudar o bebedouro de lugar, observações bem pertinentes a um designer de interior e arquiteto que, pelo que observamos, não existiu nenhum dos dois (bons) na concepção do projeto. Tinha umas coisas pra falar, mas fui censurada, risos, brincadeira. Estou aguardando o próximo.. Acessibilidade nos supermercados é uma ação empreendedora, se liguem empresários. Um abraço!!!

  2. Olá, mais um post bem detalhado e esclarecedor; quantos detalhes!Muito bom mesmo, mas realmente Fred, estas ocorrências são idênticas ao que acontece aqui em Floripa. As sugestões do Blog e os comentários da Larissa são tão importantes! Mostrastes neste post os cuidados que dev-se ter nos empreendimentos, comprovando a necessidade da atuação de um bom arquiteto e outros profissionais da área na execução de projetos que propiciem a acessibilidade à todos. Parabéns mais uma vez!

  3. Incrível! Este POST deveria sensibilizar as grandes redes de supermercados, servindo então de exemplo para os demais supermercados de como a acessibilidade é importante para os portadoras de necessidades especiais (10% da população Brasileira) que são pontenciais consumidores, e além de tudo isso: É DIREITO DO CIDADÃO! Parabéns!

    Abraço!

  4. Muito bom o post. Tomara que todos que leiam sensibilizem-se e mais que isso: façam sua parte. Precisamos da conscientização de todos, desde os responsáveis pelo local, como os próprios usuários que muitas vezes não se dão conta desses detalhes.Parabéns.

  5. Nossa… dou nota 5 pro Carrefour! Ou 4…
    Acho que se for ao Atacadão será pior ainda!!
    A reportagem ficou ótima… Acho que você deveria conquistar uma coluna em um jornal ai de CG, afinal, isso é de interesse público também!!
    Mais uma vez, parabens Fred!

  6. Olá.

    Filho da mãe…com todo o respeito, é que fiz Pós Graduação em Acessibilidade e meu tema foi Acessibilidade em Zonas Comerciais e abordei sobre hipermercados tbem, e me faltou fotos como essa no trabalho se quiser e ajudar de alguma forma posso disponibilizar o meu trabalho para consulta é de dominio publico. Anote meu email: [email protected] e se quiser tenho twitter tbem @arqt_nelsonpere Um grande abraço.

  7. Oie Fred!
    Nossa este post esta super detalhado, não imaginava que o Carrefour estava tão longe de ser um lugar para todos! Uma pena…
    Obrigada mais uma vez por este aprendizado!
    Abraços + Beijos
    Renata Cox

  8. CARREFOUR..o primeiro hipermercado do Brasil e do mundo, e o primeiro a registrar, em cartório, o compromisso público de ter o menor preço ou devolver a diferença como diz a campanha publicitária com a Ana Maria Braga. Deveria ser o primeiro hipermercado com acessibilidade incontestavél, é uma pena ver que existem muuuuuitas falhas no 1° do mundo!!!

  9. Oi Frederico, sei que a falta de acessibilidade existe em todo lugar, mais gostaria de ver em um post seu a acessibilidade em um shopping, um lugar que de cara parece ser visivelmente acessível por encontrarmos de tudo e com um piso nivelado – o que para nós cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida facilita muito -mais que também tem seus percalsos. Exemplos, altura dos botões do elevador normalmente não alcançamos, a altura dos balcões das lojas, ás vezes não dá nem pra falar com o vendedor de tão alto, principalmente na praça de alimentação, provadores inadequados, dentre outras particularidades que você sentirá quando for nesse estabelecimento com o olhar de uma pessoa com necessidades especiais.

  10. Olá Frederico parabéns pela sua atitude. Tenho uma filha portadora de necessidades especiais e sei bem como é essa realidade. Postei essa reportagem sua no nosso blog. Muito precisa ser melhorado em relação a acessibilidade, e as pessoas precisam ter preparo também, mas acredito que o mais importante é reinvindicarmos esses direitos, ou seja, vendo algo errado temos que falar mesmo!
    Um forte abraço!

  11. Mas que ótima qualidade achei nos posts muito bem redigidos desse blog. Estava vasculhando sobre esse assunto por milênios e você me indicou a luz no fim do túnel. Continuarei seguindo seu blog enquanto persistir com o ótimo trabalho. Meus parabéns!

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