Acessibilidade na Cidade do Natal – 2011

Publicado em: 05.janeiro.2012

Por: Acessibilidade na Prática

Olá, pessoal!

Em dezembro de 2010 visitamos a Cidade do Natal para observarmos se o espaço estava preparado para receber "todas as pessoas" (clique aqui para acessar o post). Um ano depois, voltamos ao evento para conferir se a acessibilidade foi pensada com um pouco mais de "carinho". Confiram!

 
Presença de vagas exclusivas para idosos e pessoas com deficiência. Estas estruturas estão sinalizadas vertical (placas) e horizontalmente (pinturas no chão). Quanto à sinalização horizontal, o Símbolo Internacional de Acesso está muito pequeno e fora dos padrões, e não há espaço adicional de circulação (faixas amarelas ao lado das vagas).

Aproximadamente no centro da foto existe uma placa de "embarque e desembarque", sendo possível notar também que estas vagas estão protegidas por uma fita de segurança. Segundo informações fornecidas pelos Agentes de Trânsito no momento da nossa visita, estas vagas exclusivas atualmente são destinadas apenas para embarque e desembarque, sendo proibido estacionar o carro nelas.
 
Mesmo podendo ser utilizadas como embarque e desembarque, a presença desta fita de contenção dificulta a utilização das vagas. E pensando em um cadeirante que vá dirigindo, estas estruturas não terão função nenhuma, já que ele não poderá estacionar. Além disso, ele não conseguirá acessar a calçada, pois não há rebaixamento de guia junto às vagas.

 
Comparadas às vagas da foto anterior, estas são mais distantes do evento. Este mesmo local, em relação ao ano passado, teve o asfalto recapeado e a sinalização horizontal modificada, a qual está com as demarcações e os espaços inadequados. A sinalização vertical (placa) está presente.

Além de as vagas exclusivas estarem distantes da entrada do evento, é necessário utilizar um rebaixamento de guia destinado à entrada e saída de veículos para acessar a calçada, o qual está praticamente nas mesmas condições do ano passado. Esta área para entrada e saída de veículos não possui sinalização tátil, além de o fluxo de carros no local ser um fator de risco à segurança dos pedestres.

A calçada do percurso entre as vagas e a Cidade do Natal continuam praticamente na mesma situação do ano anterior, com alguns buracos e rachaduras, mas com superfície antiderrapante e inclinação correta.

 
Esta é a entrada da Cidade do Natal. No horário em que fizemos as fotos, a iluminação ainda não tinha sido acionada. No entando, quando está iluminada, a Cidade do Natal fica esteticamente agradável, sem causar nenhuma poluição visual. Porém, fica difícil para um deficiente visual encontrar esta entrada, já que não há nenhuma informação tátil neste local.

Seria interessante a presença de um mapa tátil na entrada da Cidade do Natal, indicando para os deficientes visuais a localização de cada atração do evento.

Apesar de não estar ilustrado na foto, os rebaixamentos de guia não estão presentes na calçada da entrada, onde são necessários. Isso também ocorreu em 2010.

 
Na frente da Cidade do Natal, do outro lado da Avenida, está localizada a Árvore de Natal. A foto acima ilustra bem o ângulo de visão de quem está logo na entrada e pretende ir até a árvore. Em ambos os lados da Avenida existem semáforos e faixas de travessia de pedestres, mas não há rebaixamento de guia em nenhuma calçada para realizar esta travessia.

Notem que os pedestres atravessam por um canteiro gramado, onde há um aclive considerável. Imaginem a dificuldade que um cadeirante ou um idoso, por exemplo, terão para transpor este trecho.

A sinalização tátil na calçada externa é inexistente.


Após atravessar a primeira faixa e subir o aclive com grama, nos deparamos com esta outra faixa de travessia. Do canteiro para a Árvore de Natal não há rebaixamento de guia, porém, para chegar até o local onde a árvore está instalada, encontramos um rebaixamento improvisado, no canto esquerdo da foto. Em nenhuma parte deste trecho há sinalização tátil.

No canto direito da foto existem miniaturas de carros, onde as crianças podem se divertir. A maior parte desta área possui uma inclinação considerável, e não há nenhum corrimão para facilitar o acesso.

 
Não há calçada na frente da Árvore de Natal, e sim um longo trecho de grama e terra. Mães com carrinho de bebê, idosos, mulheres com salto alto, cadeirantes ou mesmo um pedestre sem comprometimento motor não consegue transitar neste local com segurança e conforto.

 
Esta é uma parte da circulação interna da Cidade do Natal, onde seus corredores são amplos, atendendo ao grande fluxo de visitantes. Por serem amplos e não possuírem guias de balizamento ininterruptas, definindo claramente os limites da área de circulação dos pedestres, pisos táteis direcionais e de alerta seriam indicados, guiando e alertando deficientes visuais.

O piso é antiderrapante, mas existem algumas rachaduras, além de a inclinação transversal de alguns trechos ser muito forte.

A instalação de bancos para descanso em vários pontos do evento foi uma grande melhoria em relação ao ano passado.

 
Entrada para a visitação do Presépio, com um rebaixamento de guia não sinalizado. A única sinalização indicando a presença do Presépio é uma placa, no canto direito da foto. A fonte da letra desta placa está em itálico, o que diminui sua legibilidade, lembrando que as sinalizações devem ser simples e intuitivas para serem eficazes.

Para um cego desfrutar de um Presépio como este, é necessário tocar as estátuas e/ou ter acesso a uma descrição tátil (Braille) ou sonora das obras. Não há nenhuma informação tátil ou sonora no local descrevendo o que está exposto. As estátuas que estavam fora do cercado central não tinham restrições para serem tocadas, porém as outras estavam cercadas por correntes de proteção, ou seja, eram contempladas apenas visualmente, não atendendo à diversidade.

Uma alternativa intetessante para atender à diversidade seria a presença de guias treinados para se comunicar com surdos (sinalizados e oralizados) e cegos, apresentando e descrevendo o local a essas pessoas.

 
Presença de brinquedos para a diversão das crianças, porém nenhum acessível e inclusivo. Neste, o acesso de uma criança em cadeira de rodas até é possível, pois não há degrau e o vão livre é satisfatório. Entretanto, uma criança com deficiência certalmente não conseguirá brincar.

 
O evento é divido em dois pavimentos. Para ter acesso a parte mais baixa do terreno, contamos com escadas e rampas.

As rampas, encontradas no centro do evento, não possuem estrutura adequada, tampouco sinalização e corrimão.

As escadas são melhor distribuídas pelo local, seguindo o padrão da foto acima. A estrutura é de madeira, com superfície lisa, não possui sinalização visual (borda dos degraus) e tátil (início e fim da escadaria). O corrimão está inadequado quanto a estrutura e sinalização.

As delimitações laterais da escadaria, feitas com a própria madeira, auxiliam aos deficientes visuais a delimitar a largura da escada.

 
Nesta área encontram-se lanchonetes e mesas. Assim como no ano anterior, não existem balcões nem mesas acessíveis.

O espaço é amplo e contempla o grande fluxo de visitantes.

 
Esta é a entrada da Casa do Papai Noel, sinalizada apenas por uma placa, logo no início deste pavimento.

A rampa utilizada para adentrar a casa não tem inclinação adequada. Na verdade é uma passarela não acessível. Não há corrimão, e sim uma proteção lateral.

O revestimento do piso é de madeira, com faixas antiderrapantes, porém algumas delas estão desgrudando, formando elevações, que podem causar tropeços e consequentemente quedas.

 
Esta cabine química parece ser a acessível, já que possui barras e um espaço interno maior. Sua sinalização é apenas visual, onde na porta está escrito: "Masculino e Feminino". Não há o Símbolo Internacional de Acesso nem sinalização tátil.

O tamanho desta cabine não permite que um cadeirante realize a transferência para a bacia sanitária, já que não existe área de giro suficiente.

Os sanitários estão localizados na mesma região do ano passado, onde o acesso é feito por uma rampa inadequada.

A posição das barras está incorreta, bem como sua estrutura. As maçanetas da porta da cabine são de difícil manuseio. Há um cesto de lixo ao lado da bacia sanitária (que não aparece na foto), o qual restringe ainda mais o espaço da cabine.

Uma diferença em relação ao ano passado é a entrada da cabine. Havia uma pequena rampa improvisada e inadequada, enquanto neste ano a entrada é plana e sem desnível em relação ao piso.

 
Não há lavatório dentro da cabine "acessível", o qual encontra-se do lado de fora e é comum aos outros sanitários (masculinos e femininos). Sua altura, torneira e demais quesitos não atendem a NBR9050.

Não há sabonete nem toalha de papel para higienizar as mãos.

O risco de um visitante apoiar-se neste lavatório e sofrer um acidente é elevado, pois está afixado em uma estrutura frágil.

A localização do bebedouro na área dos sanitários o torna anti-higiênico.

O bebedoudo não possui torneiras acessíveis nem copos à disposição dos usuários.

Notem que o piso em torno do lavatório e bebedouro está molhado, podendo ocasionar quedas.


Finalizando

Uma das novidades deste ano é a possibilidade de acompanhar as atividades da Cidade do Natal ao vivo pela Internet! Basta acessar www.capitaldonatal.com.br.

Segundo Antonieta Trad, uma das idealizadoras deste projeto que completa quatro anos, um dos objetivos principais não é somente realizar um belo trabalho, mas trabalhar a questão da sustentabilidade e respeito ao meio ambiente, educação ambiental, geração de renda e trabalho em equipe. (Fonte: Prefeitura Municipal de Campo Grande)

É nítido o encantamento das pessoas pela Cidade do Natal. Realmente é um belo trabalho, que tem ganhado mais destaque a cada edição. Entretanto, infelizmente, mais uma vez a acessibilidade foi deixada de lado. Muitas pessoas com deficiência deixaram de conhecer ou de ir até a Cidade do Natal justamente por se sentirem excluídas. Outras até tentaram, mas repetiram a frustração do ano passado.

Impossível alegar falta de conhecimento sobre o assunto, pois ele pode ser buscado tanto na legislação quanto junto a profissionais qualificados. O que vemos mais uma vez é a falta de boa vontade por parte da Prefeitura de Campo Grande e do Governo do Estado.


Maria Alice Furrer e Frederico Rios

Colaboração: Milena de Ré

Fotos: 28/12/2011

 

Uma ideia sobre “Acessibilidade na Cidade do Natal – 2011

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